Violento O Ano Mais Violento, novo filme de J.C. Chandor (do espetacular e tenso Até O Fim), é uma perspectiva diferente dos filmes de gangsters, pois em um ambiente que pede violência para combater violência, um homem honesto deve manter seus valores morais a qualquer custo.

 

Abel Morales (Oscar Issac) é um empresário que tenta manter seu negócio dentro da lei, enquanto é rodeado por corrupção e crimes contra sua empresa. A situação piora quando sua família é exposta ao perigo e sua esposa, interpretada pela sempre competente Jessica Chastain, quer que ele responda na mesma moeda, já que ela é uma mulher que cresceu em uma família de mafiosos.

 

Assim, o diretor/roteirista Chandor analisa as dificuldades e tentações que um mundo violento pode influenciar em uma pessoa, principalmente quando a mesma tem o poder para tornar-se perigosa. A atuação de Issac está impecável em transmitir esta integridade do personagem sendo testada em várias crises que vão acontecendo em sua volta. Você pode perceber nos pequenos gestos e no olhar o esforço que o protagonista faz para não perder o controle.

 

Em um ano realmente violento em Nova York (no começo dos anos 80), o filme resgata todo o clima dos clássicos de gangsters sem necessariamente ser um filme do gênero.

 

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Big

Depois de muito tempo, Tim Burton estreia um filme em que nos créditos não há o nome de Johnny Depp, mas isso não quer dizer absolutamente nada, já que o diretor ainda não consegue voltar à sua melhor forma com Grandes Olhos.

 

Com um visual colorido que lembra bastante a fotografia de Peixe Grande e Edward – Mãos de Tesoura, mesmo agora tendo a responsabilidade de Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum), o filme se passa na década 50, uma época que a mulher vivia à sombra do homem. Burton perdeu a chance de fazer um filme maduro sobre a transformação de uma submissa esposa para uma independente mulher que processou seu ex-marido e provou que era a verdadeira pintora dos famosos quadros das crianças de olhos grandes.

 

Baseado em uma história real, o frágil roteiro faz apenas um rascunho sobre qualquer desenvolvimento profundo da protagonista (Amy Adams se esforça para dar alguma qualidade ao filme) para focar no humor e nas bizarrices de Burton estampadas pela atuação pavorosa e caricata de Christoph Waltz. Se a história não sabe o que contar (o clímax é um dos mais broxantes que já assisti),  pelo menos a música Big Eyes de Lana Del Rey é excelente.

 

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LivreDepois de ficar internacionalmente conhecido pelo trabalho em Clube de Compras DallasJean-Marc Vallée volta a demonstrar talento em Livre. Também baseado em uma história real e diferente do filme de Burton, Vallée valoriza a protagonista quadro a quadro.

 

Com uma atuação segura (o diretor tem uma ótima mão com atores), Reese Witherspoon é Cheryl, uma mulher que decide fazer uma longa trilha para afastar-se de seu passado conturbado e sem perspectiva de um futuro melhor. Intercalando entre flashbacks que revelam os problemas pessoais da personagem, o diretor mostra uma história simples e direta de autoconhecimento e superação.

 

Uma história para fazer refletir qual caminho estamos seguindo em nossas vidas, e mesmo que a caminhada seja difícil, devemos nos manter em pé apesar do peso do mundo nas costas. Essa é uma das mensagens que você pode tirar deste belo e sensível filme.

 

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BlindGeralmente, os departamentos mais elogiados de um filme são a fotografia, o elenco, a direção e até mesmo os efeitos visuais. Contudo, quando se trata de trilha sonora, muito se comenta sobre as músicas escolhidas e/ou compostas para tal obra, mas é sempre bom lembrar que esta parte integra todos os efeitos sonoros de um filme.

 

Blind, novo filme do promissor realizador Eskil Vogt (Oslo, 31 de Agosto), é uma obra prima sonora. O roteiro é centrado em Ingrid (Ellen Dorrit Petersen) que perde totalmente a visão e passa os dias dentro do apartamento, enquanto tenta lidar com esta nova situação.

 

No entanto, sua realidade começa a mudar quando ela suspeita que seu marido fica observando-a o dia inteiro. Após isso, Ingrid começa a desenvolver suas fantasias, misturando com a realidade em si. Nesta parte, a direção de Vogt e a edição de Jens Christian Fodstad se tornam essenciais para revelar um novo mundo que Ingrid está descobrindo, um mundo guiado pelos sons (a cena do café/ônibus é sensacional) que podem despertar os seus piores medos.

 

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