Fox Bennett Miller é um diretor que está se especializando em adaptar histórias reais. Depois dos ótimos Capote e O Homem Que Mudou o Jogo, o seu recente filme conta a história do milionário John du Pont (Steve Carell com uma atuação que nos faz esquecer seu lado cômico) e seu envolvimento com os atletas de luta livre, os irmãos Mark (Channing Tatum) e David (Mark Ruffalo) Schultz.

 

Antes de tudo, posso dizer que a melhor coisa que fiz ao assistir o filme foi não saber absolutamente nada do caso, uma lição que vou valorizar ainda mais depois dessa experiência. Foxcatcher é um longa centrado em seus personagens, apesar da melancólica fotografia de Greig Fraser e a opção de focar em sons diegéticos ajudem a criar um ambiente sombrio.

 

Deste modo, sobra espaço para o estudo desses três homens, e com a competência de Miller em dirigir elenco, as atuações de Tatum, Carell e Ruffalo não poderiam ser diferentes senão excelentes. O Mark de Tatum é quase monossílabo, mas o ator consegue transmitir todo o conflito interno do personagem que é lutar contra a frustração de viver a sombra do irmão e o desejo de tornar-se o melhor lutador do mundo. Para conseguir realizar este sonho, ele aceita treinar com du Pont, um milionário mimado que gasta o que for preciso para construir uma imagem de um homem que nunca será e assim ter a aceitação de sua mãe.

 

Então, envolvido entre esses dois homens trágicos, está o irmão mais velho de Mark, David. Um atleta realizado que faz o possível para ajudar Mark e ainda prover uma vida melhor a sua família. Por ser o mais são entre os três, sentimos tanto ao vê-lo sendo arrastado pelas ambições de ambos por um caminho sem volta. Ao contrário deles, Bennett Miller continua em um bom e promissor caminho.

 

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Sniper O Oscar é uma grande festa do cinema norte-americano para premiar os “melhores filmes” do… cinema norte-americano. Sendo assim, não é nenhuma surpresa que o novo filme de Clint Eastwood tenha sido indicado na categoria Melhor Filme já que contem uma história que transpira todo o patriotismo que o convencional norte-americano gosta de admitir que tem.

 

Baseado na história “real” do atirador de elite Chris Kyle (Bradley Cooper) que em dez anos de serviço matou cerca de 150 pessoas, Eastwood, mesmo que tenta disfarçar, relata muito mais um herói americano do que um homem que matou homens, mulheres e crianças em uma guerra injustificável que foi a Guerra do Iraque.

 

Quando digo que o diretor tenta disfarçar é porque em certos momentos do roteiro, adaptado do livro do próprio Kyle, surgem questionamentos sobre aquela situação e o protagonista também sofre algumas consequências psicológicas, mas nada é levado muito a sério para não tirar a importância do serviço prestado por Kyle ao seu país.

 

Um herói que levou Bradley Cooper a ser indicado ao Oscar de Melhor Ator, mas que tem uma atuação na média, sendo superado com folgas por Jake Gyllenhaal em O Abutre. O problema é que o personagem de Gyllenhaal não é a imagem ideal que o norte-americano quer para ele.

 

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FuryComo já foi dito na crítica de Unbroken, Hollywood voltou a produzir um grande número de war movies. Alguns receberam grande destaque da mídia, mas há um que merece uma melhor atenção por parte dos cinéfilos e este filme é Corações de Ferro.

 

Dirigido e escrito por David Ayer (do horrível Sabotage), o filme protagonizado por Brad Pitt conta a história de um grupo de soldados em plena Segunda Guerra Mundial, mostrando a relação deles entre si e as consequências que eles sofrem por seus atos.

 

O filme não esconde seu lado comercial com explosivas e tensas cenas de ação (só senti a falta de um melhor acabando nos efeitos visuais) movidas pelo tanque de guerra que dá nome ao filme. Contudo, é Pitt e um seguro elenco secundário – mas que falta similar profundidade que é dada ao protagonista – que  traz o diferencial, desenvolvendo um lado nada heroico da guerra.

 

Ayer não alivia em mostrar corpos amontoados, o tanque esmagando as marcas do conflito e o limite da loucura que aqueles soldados estão prestes a ultrapassar. Sem falar do tenso e empolgante final que ainda mostra, mesmo que sutilmente, o sentimento do outro lado. Pois, acima de diferentes nações, somos todos seres humanos.

 

03-bom


DebiO primeiro, e clássico, filme da dupla formada por Lloyd Christmas (Jim Carrey) e Harry Dunne (Jeff Daniels) é uma das melhores comédias que já assisti.  Até hoje é garantia de muita diversão. Então, era de se esperar uma grande expectativa por minha parte (que pode ser relembrada aqui) e de muitos fãs da comédia pela continuação oficial escrita pelos criadores, os irmãos Farrelly.

 

Sim, este segundo filme funciona melhor quando o vemos como uma bonita homenagem ao antecessor e, como bônus, contem ótimas piadas para não ficar sendo sustentado pela nostalgia dos fãs. A “longa” viagem de bicicleta até a casa dos pais de Harry é uma delas.

 

Apostando em uma estrutura narrativa já conhecida dos diretores, o road movie, acompanhamos a dupla em busca da filha perdida de Harry, enquanto Lloyd se vê perdidamente apaixonado pela garota.

 

Mais importante do que as piadas é a excepcional química entre Carrey e Daniels que retornam aos seus marcantes personagens como se nunca tivessem saído do papel. Enfim, com um créditos finais que irá fazer muita gente correr para assistir o primeiro filme outra vez, Debi & Lóide 2 retorna para mostrar que ainda é possível fazer comédia sem precisar ser extremamente ofensivo e de mau gosto.

 

04-otimo


FlorestaCaminhos da Floresta, novo filme da Disney e dirigido por Rob Marshall, traz o que poderia ser uma interessante mistura de vários famosos personagens da casa em uma única história, mas falha perdidamente em não saber qual história seria essa.

 

O plot inicial é de um casal interpretado por Emily Blunt e James Corden – os dois grandes destaques do filme – que motivados pela promessa de ter um filho feita por uma bruxa (Meryl Streep), precisam conseguir específicos artefatos para ela voltar a ser jovem.

 

Deste modo, em uma apresentação de personagens bem confusa e rasa de desenvolvimento, vemos velhos conhecidos como Chapeuzinho Vermelho (com Johnny Depp comprovando que seu melhor momento no cinema acabou com um esquecível “Lobo Mau”), Cinderela, Rapunzel, e assim por diante.

 

Apesar dos problemas, e guiados por uma excelente trilha sonora escrita por Stephen Sondheim, o filme começa a emplacar até sua metade quando ele é quebrado para começar outra história (e desinteressante) que prolonga o filme mais do que o necessário. E não há caçador que salve isso.

 

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Dois diasMesmo que Dois Dias, Uma Noite mostre com excelência uma triste realidade econômica da Europa, o filme dirigido  pela dupla Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne tem em sua principal força a atuação de Marion Cotillard.

 

Não é a toa que Cotillard seja o grande destaque, pois sua personagem, Sandra, move a história. Ela precisa convencer seus colegas de trabalho que eles desistam de um bônus financeiro, resultando em sua permanência no serviço. Para este desafio, ela só terá um final de semana.

 

Apoiado por amigos e seu amoroso marido (Fabrizio Rongione), Sandra tem que lidar com sua recente saída da depressão e com a iminente demissão que irá prejudicar bastante o bem estar da família. Com este cenário, ela precisa enfrentar frequentes recaídas da sua recente doença e mostrar que está novamente apta ao serviço.

 

Cotillard vive Sandra no extremo de tentar parecer forte diante os colegas ao mesmo tempo que sabemos que em qualquer instante ela pode desmoronar em lágrimas, e uma atuação sensível como esta, não tem dinheiro que pague.

 

04-otimo


JohnSem esconder suas raízes nos famosos filmes de ação em que o protagonista é um exército de um homem só, De Volta ao Jogo honra o estilo e planta uma semente de uma possível série que pode dar certo.

 

Os diretores Chad Stahelski e David Leitch optaram por uma abordagem realista que virou padrão depois da franquia Bourne e que funcionou perfeitamente em Busca Implacável, mas o interessante é que em certas cenas a produção abraça a ação frenética, transformando o protagonista em uma super máquina mortífera capaz de fazer coisas que até Deus duvida.

 

Não posso afirmar se depois deste filme Keanu Reeves será um novo Liam Nesson no gênero, mas o potencial que o ator mostrou aqui com o seu calculista e violento John Wick me faz apostar cada centavo nesta previsão.

 

O roteiro nem precisa perder tempo em desenvolver alguma base para o passado do protagonista, já que o respeito mostrado pela máfia Russa (Russos se tornando cada vez mais a única opção de vilões no cinema norte-americano) quando fala e ouve o seu nome, demonstra do que aquele homem é capaz para completar sua vingança. E é melhor você não estar no caminho de John Wick.

 

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