Secret Garden marca o segundo renascimento da banda, agora com o italiano Fabio Lione nos vocais,  posto deixado por Edu Falaschi, situação semelhante de Bruno Valverde que substitui o baterista Ricardo Confessori. Uma nova fase começa, com uma atmosfera mais pesada, mais progressiva, deixando um pouco de lado o Angra da era André Matos ou Falaschi. É uma banda nova, diferente dos outros álbuns. E nesse novo trabalho, fica mais do que claro a vontade e a capacidade que a banda de não fazer nada igual a outro disco, de estar sempre se reinventando, sempre renascendo.

 

Apesar de ser o primeiro álbum com o Fabio Lione, apenas seis das dez faixas são cantadas pelo italiano, o que pode ser considerado um ponto negativo. Muitos fãs ainda estranham os novos vocais e um novo disco seria a ocasião perfeita para que Lione se adaptasse ao Angra, explorando sua capacidade em diferentes tipos de melodias. Porém, quem acabou explorando de fato seus vocais foi o guitarrista Rafael Bittencourt, que canta em quatro faixas, sendo duas delas na íntegra. Há também a participação de Simone Simmons (Epica) na faixa-título, cantando também na íntegra.

 

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Newborn Me, bem prog, abre o disco com uma pegada mais densa, bem diferente do Angra que estamos acostumados. Black Hearted Soul começa com um coral cantando em latim, lembrando bastante o início da banda, um power metal clássico, com os solos técnicos e belos característicos de Kiko Loureiro. Outra que também remete ao “velhos tempos” é Perfect Symmetry, bem acelerada e recheada de riffs. O som progressivo volta em Final Light, som pesado e com Fabio Lione bem entrosado com a banda. Lembra um pouco o Angra da era Falaschi, assim como Upper Levels, que se inicia com uma melodia latina e vai se transformando ao pouco em um som prog. Novamente Lione mostra seu potencial como vocalista.

 

Na bela balada Storm of Emotions, Fabio e Rafael dividem os vocais. É o momento de destaque do baixo de Felipe Andreoli, que inovou e apareceu em cada faixa do disco. Em seguida vem Violet Sky, que é totalmente diferente de qualquer outro trabalho do grupo. Aqui, Rafael Bittencourt mostra todo o seu potencial e versatilidade como vocalista e também, claro, como guitarrista. Em Crushing Room, Rafael participa de um outro dueto, dessa vez com a alemã Doro Pesch. Uma balada prog, com belos teclados e arranjos. A última faixa do álbum, Silent Call, é uma balada acústica, também cantada inteiramente pelo guitarrista. Simples e bela.

 

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É um novo Angra, que deixa de lado o seu power metal para experimentar um pouco o progressive metal, estreiando um novo vocalista que não deixa a desejar, mas que talvez precise ser mais explorado. O novo baterista que, apesar da idade (Bruno tem 23 anos e a banda, 21) mostra que é capaz de assumir a responsabilidade de tocar em um grupo de grande importância do rock brasileiro. Por fim, ainda temos um guitarrista que surpreendeu pela voz e o outro pelos solos quase perfeitos, e um baixista que inovou e se destacou por sua presença nas faixas.

 

Secret Garden é um álbum que necessita ser escutado várias e várias vezes para que cada detalhe possa ser notado. Precisa ser desfrutado, apreciado. Mais denso, direto e maduro, mostra o possível rumo que a banda assumirá nessa nova era. Pode não ter agradado a todos os fãs por causa do excesso de mudanças, mas é preciso ver que mudar faz parte da discografia do Angra que, desde seu primeiro álbum, vem se renascendo.

 

Tracklist:

 

01. Newborn Me
02. Black Hearted Soul
03. Final Light
04. Storm of Emotions
05. Violet Sky
06. Secret Garden
07. Upper Levels
08. Crushing Room
09. Perfect Symmetry
10. Silent Call

 

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