5Armies Antes de tudo, quero compartilhar um pouco da minha experiência ao assistir O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos (e quem sabe – o que duvido muito – a despedida oficial da Terra-Média) em plena Nova Zelândia, um país que você respira a obra de J.R.R. Tolkien. Em um simples cinema de Queenstown (capital dos esportes radicais e que você pode conhecer assistindo meus vídeos aqui), encontrava-me ansioso muito mais pela novidade do que pelo filme em si. Antes do filme começar, um documentário sobre toda a franquia (incluindo O Senhor dos Anéis) passou para dar aquele gostinho de nostalgia e saudade que aquele momento iria deixar. Outro ponto interessante é que apesar do cinema estar lotado – e com muitas crianças – não houve muito barulho que atrapalhasse a imersão do filme. E isso faz toda a diferença. 5Armies4 Bom, vamos ao que interessa. O terceiro capítulo desta desnecessária e mal estruturada trilogia começa, em sua primeira sequência, com uma ação frenética, mostrando o ataque do dragão Smaug (Benedict Cumberbatch) contra os homens. Nem lembrava que o personagem de Luke Evans – uma tentativa descarada de um novo Aragorn – estava preso. Também, assistir ao antecessor uma vez foi o bastante para mim. Nesta parte, fica nítida a ganância exacerbada que Hollywood está sofrendo com suas franquias (tudo é trilogia, mas se for possível, o último filme pode ser dividido em dois), reboots, remakes, e cada vez mais, as obras originais vão sendo esmagadas na grade dos cinemas com tantos blockbusters, geralmente sem conteúdo. O confronto de Bard contra Smaug é o clímax que faltou em A Desolação de Smaug, mas o estúdio achou melhor prolongar o momento por questão financeira. Infelizmente a emoção de ver esta sequência quebrada entre um filme e outro, com o corpo totalmente frio, não é a mesma se os filmes tivessem começo, meio e fim. 5Armies2 Falando na estrutura narrativa básica de qualquer blockbuster, A Batalha dos Cinco Exércitos é um enorme terceiro ato, um gigantesco clímax dos outros dois filmes, escrito por Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson e Guillermo del Toro. Então, toda a preparação para o principal acontecimento – que é a batalha – corre as pressas para o que realmente importa. Repare como a transformação de Thorin (Richard Armitage) para o lado sombrio da forç… surge de maneira subida e sem nenhuma explicação convincente e a sequência do resgate de Gandalf (Ian McKellen) serve apenas para ligar as duas trilogias, mesmo sendo interessante ver alguns personagens em batalha pela primeira vez como a Galadriel de Cate Blanchett. Só que a história não deixa muito claro o que acontece com Sauron durante o longo tempo que separa O Hobbit de O Senhor dos Anéis.  THE HOBBIT: THE BATTLE OF THE FIVE ARMIES A salvação do filme fica por conta do que o público pagou para ver: a batalha dos cinco exércitos. Elfos, homens e anões enfrentam-se primeiramente pela disputada do ouro, agora desprotegido pelo dragão, mas depois, junto com as águias, unem-se para defender a Terra-Média de um inimigo comum: os orcs. Jackson mostra que não perdeu a mão quando se trata de sequências memoráveis de batalha. Sim, chega uma hora que o cansaço de ver tanta luta bate (para piorar o que não falta é cena com slow motion), prejudicando alguma emoção que poderia ter quando importantes e dramáticas cenas acontecem, mas a empolgação de ver anões surrando orcs ao lado de elfos e a luta de Thorin contra seu arqui-inimigo são diversão garantida. Cenas acompanhadas pela sempre presente trilha sonora de Howard Shore. Sem falar que o dragão Smaug mostra novamente que é uma das melhores coisas que tem nesta trilogia. 5Armies3 Tudo isso me fez relevar um romance desnecessário ali, um exagero de efeitos visuais acolá (sou um fã da Weta Digital, mas o trabalho da empresa em Planeta dos Macacos – O Confronto é muito melhor) e um Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) que apesar de ganhar um grande destaque, ainda continua sendo coadjuvante na sua própria história. Enfim, quando apareceu os créditos finais, a sensação de dever cumprido era nítida, mesmo com todos os contras. Menos enrolação seria melhor? Seria. É um novo O Senhor dos Anéis? Não. Contudo, só o fato de poder voltar novamente à Terra-Média e ver aquele mundo outra vez, garantiu o sorriso de milhares de fãs e encheu o bolso de dinheiro dos produtores. O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos faz as honras da despedida – que começou em Uma Jornada Inesperada – desta homenagem à principal e inesquecível história do universo Tolkien que começou com um certo hobbit chamado Frodo Bolseiro.   Trailer: The Hobbit – War of The Five Armies
J.R.R. Tolkien
Nova Zelândia/ EUA , 2014 – 144 min
Ação Warner Bros. Direção:
Peter Jackson Roteiro:
Fran Walsh, Peter Jackson, Guillermo Del Toro e Phlippa Boyens Elenco:
Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Evangeline Lily, Luke Evans, Orlando Bloom, Christopher Lee, Hugo Weaving. Bom photo Bom.png