Hero Pode parecer clichê escrever isso, mas sempre é bom lembrar que deste que John Lasseter, a principal mente criativa por trás da Pixar, tomou as rédeas do departamento de animação da Disney, a empresa voltou a produzir ótimos filmes. Dos últimos anos pra cá, produções como Detona Ralph e Frozen fazem jus ao legado da empresa, tirando toda a hegemonia que a Pixar tinha na área (apesar das duas serem da casa do Mickey). Operação Big Hero continua com este alto nível de histórias, e ainda mostra que a parceria Disney e Marvel não depende só de Os Vingadores. Quem está acostumado com as animações da casa não irá encontrar muitas surpresas: a amizade entre uma criança e um robô, nerds como destaques, muita ação (tendência do gênero) e os já conhecidos clímaxes emocionantes do segundo e terceiro ato, mesmo que Big Hero não tenha a mesma coragem de um Gigante de Ferro, pois o importante aqui é manter a franquia (quero um Baymax de presente). Com um terreno seguro estabelecido, a maneira de contar a história ainda é o diferencial e a Disney reaprendeu como fazer isso.  Nota: Ótimo Entrevista A Entrevista é o estilo de comédia que a dupla Seth Rogen e James Franco promete entregar: um besteirol. Pivô de uma das maiores crises (conheça o caso aqui) da empresa Sony, o filme quase foi censurado completamente, sendo disponibilizado em um pequeno circuito de cinemas, porém pode ser facilmente encontrado na internet.  Todo o caso rendeu um ótimo e inesperado marketing para o filme que faz piada sobre o atual governo da Coréia do Norte e não pega leve em nenhum sentido. Sim, quem conhece o estilo dos atores sabe o nível das piadas que, na maior parte do tempo, envolve genitálias. Muitas vezes é difícil abrir um sorriso (idem o fraco É o Fim). Contudo, a boa química entre a dupla, que nitidamente está se divertindo em cada cena, rende bons momentos principalmente quando Rogen está em ação, deixando o esforçado Franco apagado. Acima de tudo, a lição mais importante é que nenhuma expressão de arte, independente de sua qualidade, deveria ser censurada por pessoas que não entendem o seu propósito. E neste caso, apenas uma sátira esculachada (e facilmente esquecida) da política internacional.   Nota: Regular

Magia Magia ao Luar, novo filme de Woody Allen, é um romance que mostra o embate entre a emoção e a razão. Um experiente mágico (Colin Firth, muito a vontade no papel) é chamado por um amigo para desmascarar uma possível farsante na arte de falar com os mortos, Sophie (Emma Stone), que por este serviço está recebendo todo o apoio financeiro de uma rica família. Assim, enquanto o mágico começa sua investigação, todo o seu pensamento racional não faz mais sentido diante o charme da moça. Não é um filme que figura entre os mais inspirados do diretor, porém é uma história que te faz relaxar enquanto está assistindo. A boa química entre Firth e Stone é essencial para cativar o público e o texto ácido de Allen sobre o amor também está ali. Que o clássico diretor ainda continue com seus filmes ano pós ano. E nem preciso ser vidente para adivinhar isso.  Nota: Bom

Tusk Nem sei como entro em certas roubadas, mas como sou um crente que certos filmes podem render excelentes surpresas (e podem mesmo), arrisquei-me à assistir o novo filme de Kevin Smith: Tusk. Smith conseguiu a façanha de sabotar o próprio filme por causa de seu ego. Seguindo a linha de A Centopéia Humana, em que um humano irá sofrer uma repulsiva transformação física, o diretor quebra várias vezes a tensão da história para mostrar piadas sem graça e que não fazem sentido o porquê de você ter que ouvi-las. O terror – não fica claro se esse deveria ser o gênero por causa da pífia tentativa de fazer um final cômico – é deixado de lado para “desenvolver” personagens com atitudes inacreditáveis (a namorada do protagonista fica com outro tendo a possibilidade que o mesmo pode estar perigo?). Nem a participação de Johnny Depp salva o filme de algum carisma. Nota: Ruim

Trans Transformers: A Era da Extinção é o exemplo ideal para mostrar o momento atual do cinema hollywoodiano. Não importa o conteúdo, se o filme der muito dinheiro irá ter outro e, depois de uma trilogia, terá um reboot ou remake, mesmo sendo igual aos outros filmes. Quando vi a longa duração do filme (quase 3 horas) logo pensei: “várias horas de explosões e piadas fora de hora”. E não deu outra, pois Michael Bay tornou-se um diretor previsível e aqui mostra um desgaste na franquia, não conseguindo inovar em nada (prefiro ver o diretor em produções menores como Sem Dor, Sem Ganho). Deste modo, um fazendeiro/inventor que vive trabalhando e quase não come, mas é bombado; a filha que não tem dinheiro para ir para faculdade, mas está sempre bem produzida; o alívio cômico que não sabe construir uma frase sem querer soar engraçado; e os robôs que adoram uma propaganda e frases de efeito não justificam mais um filme dos brinquedos. Nota: Ruim

Rudder O primeiro filme de William H. Macy, Rudderless, é apaixonante por tratar tão sutilmente de um tema complicado que é o luto – que muitos filmes adoram passar despercebido apenas como uma motivação para o protagonista atingir o objetivo –, além de ser uma aberta declaração de amor à música. Após perder seu filho, Sam (Billy Crudup) não consegue reerguer-se do choque e vive uma vida sem perspectiva. Ao descobrir antigas gravações do filho, resolve tocar as músicas para tentar compreender melhor quem era realmente seu filho e assim ser capaz de ajudar outras pessoas. Sim, o filme tem uma pegada de auto-ajuda, mas isso não é demérito algum, pois Macy (que também atua como o dono do bar) sabe equilibrar o melodrama para que este nunca soe forçado demais e, como consequência, entrega uma bela atuação de Crudup. Com estas qualidades fica difícil o filme naufragar.  Nota: Ótimo