Procurado Baseado na obra de John le Carré (mesmo autor de O Espião que Sabia Demais), O Homem Mais Procurado é um envolvente e eficiente thriller político. Dirigido por Anton Corbijn e adaptado por Andrew Bovell, somos apresentados ao cenário que já pode ser conferido em O Espião…: a dura realidade que é o trabalho da espionagem. Nada da fantasia criada para os agentes James Bond e Ethan Hunt. Contudo, o filme poderia ser apenas mais um sem Philip Seymour Hoffman que encarna com maestria o protagonista Günther Bachmann. Um homem de má reputação, mas sábio de suas decisões. Ele precisa lidar com um caso de terrorismo ao mesmo tempo que enfrenta a burocracia do governo local. Quem ainda tem dificuldade de distinguir um excelente ator de um medíocre repare como Hoffman emprega um ar cansado ao personagem com uma voz grave e rouca, mas também revela através do olhar sereno e analítico que ele sabe o que faz. Uma triste realidade que não teremos mais atuações como esta vindo do falecido e memorável ator. Nota: Ótimo Anna Invocação do Mal trouxe um ar de novidade para o terror, principalmente quando este envolve espíritos. Aproveitando o grande sucesso do longa, a Warner Bros. não perdeu tempo e foi gastar dinheiro com um spin off baseado na história de Annabelle, a boneca possuída mostrada no início do filme. Enquanto o filme de James Wan soube aproveitar os clichês do gênero ao seu favor, sempre sabendo manter um clima de tensão, em Annabelle o roteiro se apega desesperadamente nos clichês, pois mostra que o verdadeiro terror ali é a falta de criatividade. Você pode até ser pego por um susto ou outro, mas a maioria é antecipada pela trilha sonora carente por atenção. Falta química para o casal principal interpretado por Annabelle Wallis e Ward Horton e o elenco secundário também não ajuda. Pelo menos há o alívio de que a boneca é assustadora, um belo trabalho da equipe de design. Também há uma cena realmente tensa que faz você ficar acordado por mais algum tempo e pensar duas vezes antes de ir para a lavanderia à noite. Tirando estes momentos esporádicos, Annabelle só vale para fazer você assistir novamente Invocação do Mal e ver algo bom e assustador. Nota: Regular Hercules O primeiro acerto de Hércules foi a contratação de Dwayne Johnson para o papel de protagonista, pois, acima de tudo, deve-se acreditar no que ele pode fazer durante a história, e Johnson tem carisma e músculos para isso. Com sua presença até esquecemos que o diretor Brett Ratner está por trás das câmeras. O problema desta nova empreitada no mito grego é que os melhores momentos podem ser vistos no trailer. A história mostra-se menos interessante e muito óbvia em seus acontecimentos. A tentativa de trazer a mitologia para a realidade, justificando como o homem tornou-se a lenda, poderia funcionar se fosse levada a sério. O que adianta passar o filme inteiro humanizando Hércules sendo que nos momentos de tensão ele prova realmente ter uma força sobrenatural? Uma indecisão que não ajuda em nada no desenvolvimento do roteiro, e o que sobra é a diversão de ver Johnson destruindo exércitos e lutando contra cachorros enfurecidos. E isso é muito pouco para o filho de Zeus. Nota: Regular Horns Daniel Radcliffe vai, aos poucos, apagando sua imagem de Harry Potter e nada melhor do que um filme divertido e bizarro para ajudá-lo. Baseado no livro de Joe Hill (filho de Stephen King), O Pacto traz a história de um garoto que é acusado de ter assassinado sua namorada e, para provar o contrário, ele recebe uma força sobrenatural para encontrar o verdadeiro assassino. Unindo comédia, horror e drama, o filme dirigido por Alexandre Aja não é só uma filme de investigação, e sim uma engraçada sátira da sociedade. Através do texto ácido de Hill e com um poder inspirado na HQ Preacher (quem já leu lembrará do dom da Palavra de Deus), o personagem de Radcliffe, Ig Perrish, consegue tirar confissões das pessoas de seus segredos obscuros e mostrá-las como realmente são. Nessas cenas, o filme funciona demais. De resto, temos efeitos visuais não muito convincentes, terror trash e uma trilha sonora típica de filme indie. Nota: Bom Ninja Os primeiros minutos de As Tartarugas Ninja causam estranheza: o novo visual, os efeitos visuais, a artificial April O’Neil de Megan Fox e, mesmo com um diretor diferente, o filme tem a marca de Michael Bay. Pensei que em algum momento iriam surgir os Transformers. Com um roteiro que não surpreende em nada: tem a revelação dos heróis como quatro rappers, uma tentativa de esconder o plano maligno que todo mundo sabe quem está por trás, uma aproximação estranha de April com as tartarugas (ela sempre as tratou como mãe, salva elas e depois Michelangelo só quer saber de namorar ela) e um humor bem duvidoso (não poderia faltar a piada de peido). Nem tudo é tragédia e o diretor Jonathan Liebesman não decepciona. Diferente de Bay, consegue manter a câmera o mais tempo possível numa cena de ação, criando sequências sensacionais como a perseguição na neve e a luta final que mesmo abusando do slow motion é melhor do que ter centenas de cortes por minuto. E isso já é motivo para gritar: Santa Tartaruga! Nota: Regular Babadook É triste ver uma boa ideia naufragar como vi neste filme. A diretora Jennifer Kent ainda consegue criar um clima sombrio e tenso para história, principalmente quando escolhe usar o máximo possível de sons ambientes e uma montagem não convencional. O monstro também é outro acerto por investir num trabalho artesanal, entregando mais realidade à ele. Entretanto, não adianta ter uma boa ideia se não respeita-la (o destino mostrado no livro seria o melhor final) e como ficarei receoso com o futuro dos personagens se não me importo com eles? É verdade que a atriz Essie Davis tenta compensar ao máximo com uma bela atuação o fraquíssimo ator mirim Noah Wiseman. Fica nítido em certos momentos que ele apenas está declarando as falas, além de não passar emoção nenhuma. Seu personagem é tão chato, mas tão insuportável que você passa o filme inteiro torcendo para o monstro matá-lo. Na verdade é difícil não torcer para Babadook matar todo mundo neste filme que só flerta com a originalidade. Nota: Regular