GdG Tony Stark/Homem de Ferro se tornou o personagem mais querido da Marvel no cinema, e grande parte desta popularidade se deve ao talento de Robert Downey, Jr.. O ator conseguiu criar um herói que, ao mesmo tempo que precisa superar seus conflitos internos, consegue ser  gênio, bilionário, playboy e filantropo, ou seja, divertido. Depois vieram outros heróis famosos da casa, porém com histórias mais sérias, tendo um foco maior em seus atos heroicos. Então não foi surpresa nenhuma que quando juntou todos em Os Vingadores – The Avengers, Tony Stark rouba a cena com sua irreverência, tirando um pouco daquela carga dramática e seriedade presente nos filmes do estúdio (algo que Batman ajudou a fortalecer). Contudo, nos filmes posteriores como Homem de Ferro 3 e Capitão América: O Soldado Invernal, a Marvel insiste em trazer o universo dos super-heróis mais próximo de nossa realidade, discutindo problemas sócio-políticos. Até Tony Stark já não teve a mesma graça de antes. Então, já era a hora de um filme que se preocupasse em apenas divertir o público, não se levando a sério em nenhum momento, e apresentando personagens que deixaria Tony Stark orgulhoso. GdG5Guardiões da Galáxia nem era um dos filmes mais esperados quando saiu a lista da segunda fase da Marvel Studios. Essa baixa expectativa foi positiva quando o filme se revelou na melhor aposta desta fase, surpreendendo deste os empolgantes trailers, mas que só mostravam a ponta do iceberg de seu potencial. Assim o filme figura entre os melhores da franquia (disputando com o primeiro Homem de Ferro e Os Vingadores) e prepara um terreno fértil que será explorado nos futuros filmes.  Para não falar que o filme é 100% diversão, o começo é dramático quando conhecemos o protagonista, ainda criança, tendo que suportar a dor de perder a mãe. No momento de desespero pela situação, ele foge do hospital e, sozinho, é surpreendido por uma nave que o leva da Terra. Depois desta parte, há outros momentos sentimentais, mas  nada meloso como vemos em Thor. Até quando chegamos na cena mais emocionante, no terceiro ato, o choro é bem vindo. GdGpaperFora isso, a diversão é garantida com o protagonista Peter Quill/Star-Lord. O ator Chris Pratt está super a vontade no personagem, parecendo uma criança que está num parque de diversões. Quill é um saqueador, no melhor estilo Indiana Jones, e essa comparação fica perfeita quanto tudo nele respira anos 80 (época em que foi levado da Terra): o seu uniforme, o walkman e o vocabulário carregado de gírias que resulta ótimas piadas quando Drax (Dave Bautista) leva tudo ao pé da letra. O jeito convencido e desesperado por reconhecimento, transformam Peter Quill em um personagem carismático, e ele não é o único deste grupo. Além de Quill e Drax, temos a assassina Gamora (Zoe Saldana), que apesar de sua motivação em vingar a família, não escapa de ser o interesse romântico de Quill (difícil achar um blockbuster que não tenha a necessidade de romance). Fazendo uma dupla que lembra bastante Han Solo e Chewbacca (Star Wars é outra grande influência, sendo uma boa amostra do que poderemos ver no episódio VII),  Rocket Racoon (Bradley Cooper) e  Groot (Vin Diesel) são sensacionais. Enquanto o gigante conquista com seu jeito simples e eficiência na luta, o guaxinim, o cérebro do grupo, está a todo tempo tentando se provar, exigindo respeito dos companheiros, mas o que ele mais quer é um pouco de carinho e atenção. GdG4A química do grupo acontece naturalmente, as brigas entre eles (regra do Universo Marvel) são orgânicas, diferente da desnecessárias lutas entre os Vingadores. Neste filme, você acredita na amizade do grupo e nas suas interações. Créditos ao ótimo roteiro escrito por James Gunn e Nicole Perlman que conseguem apresentar de uma forma bem dinâmica: a formação do grupo, um novo Universo (com um colorido vivo graças a fotografia de Ben Davis) e outros personagens que serão importantes em outras aventuras, como o titã Thanos (Josh Brolin). O vilão Ronan, o Acusador (Lee Pace) deixa o engraçadinho Loki no chinelo, sendo uma ameaça digna de se encontrar na galáxia.  O diretor James Gunn, que não havia nenhum trabalho de grande destaque, conduz bem as cenas de ação, dando tempo para cada um mostrar suas habilidade de batalha. Também se destaca na condução de atores e no timing perfeito para inserir algumas gags visuais. Contudo, não mostra a mesma segurança em alguns momentos como em dar um close por duas vezes na fita K7 de Quill, talvez, preocupado que o público não vá lembrar dela no final; e quando toda vez que o personagem Yondu (Michael Rooker) precisa intimidar alguém, fica mostrando sua flecha mágica, essa repetição denúncia uma falta de criatividade.  GdG8Agora, uma das maiores provas que o filme acaba sendo uma paródia de si mesmo, é quando – após um discurso empolgado de Ronan para destruir um planeta – Quill tem uma atitude inusitada, quebrando totalmente aquele clima de seriedade. O filme é divertido até nas músicas da trilha sonora (digna de Tarantino) escolhida por Tyler Bates, investindo em grandes sucessos dos anos 80. Elas entregam um clima descompromissado que o filme propõe, fazendo daquele ambiente, uma bela discoteca. De segundo plano para uma grande revelação, Guardiões da Galáxia é o grande momento desta segunda fase de filmes solos da Marvel, deixando o público mais empolgado para Os Vingadores: A Era de Ultron. E será interessante ver como dois mundos tão diferentes (cinematograficamente) irão se encontrar numa próxima aventura, e pode ter certeza que Tony Stark estará ansioso para isso. Trailer:   Guardians of The Galaxy
EUA , 2014 – 121 minutos
Aventura Direção:
James Gunn Roteiro:
James Gunn, Nicole Perlman Elenco:
Chris Pratt, Zoë Saldana, Bradley Cooper, Vin Diesel, Lee Pace, Dave Bautista Otimo photo Otimo.png