Hugo O mágico Georges Méliès viu no Cinema – que antes retratava apenas o cotidiano – uma oportunidade de contar histórias fantásticas, transformando sonhos em realidade. Se antes os irmãos Lumière fascinavam (e assustavam) as pessoas filmando um trem chegando na estação, posteriormente, Méliès levava o homem para a lua, no seu primeiro clássico Viagem à Lua. Com mais de 500 filmes, o francês é considerado o “pai dos efeitos especiais”, e se hoje podemos ver mundos que não existem no cinema, é tudo graças ao mágico que trouxe a magia à sétima arte. Fã declarado de Méliès, o norte-americano Brian Selznick escreveu A Invenção de Hugo Cabret inspirado na vida do mágico. Uma história fictícia que conta o que teria acontecido com Méliès após sua decadência, uma história que, além de uma homenagem, serve como uma declaração de amor ao Cinema. Hugo5O livro já ganhou uma adaptação para o cinema pelas mãos do lendário diretor Martin Scorsese (leia a crítica aqui). O engraçado é que ler o livro passa mais rápido do que assistir o filme, pois, apesar do talento de Scorsese, o começo do filme é lento e desinteressante, por causa da inserção de personagens que nada contribuem para a história. Personagens que quase não aparecem no livro, como o Inspetor que é um perigo presente na vida do protagonista, mas que só aparece no final. O filme melhora, e muito, quando se concentra na história principal, como se o longa fosse dividido em duas partes. E não é a toa que tenha esta sensação, já que o livro é divido em duas partes. A diferença é que na obra de Selznick, as duas partes são apaixonantes. Na primeira, conhecemos Hugo Cabret, um órfão que vaga pela Estação de Trem de Paris arrumando os relógios, enquanto sobrevive de pequenos roubos de comida e fugindo do Inspetor. Além da comida, ele também rouba alguns brinquedos da loja de um velho, usando as peças deles para consertar um antigo autônomo de seu pai. Contudo, num dia, ele é pego e tem seu livro de anotações confiscado. Para recupera-lo, tem que trabalhar para o velho, e assim começa uma relação que, com a ajuda da afilhada do novo patrão, Isabelle, irá desvendar um dos maiores segredos de Paris. Hugo3Se não bastasse conter uma bela história (principalmente para cinéfilos), a obra encanta por sua estrutura, intercalando entre o texto, desenhos feitos por Selznick. Além de fazer uma alusão ao trabalho do autônomo, esses desenhos são dispostos em sequência, como se um filme fosse mostrado quadro a quadro. Literatura e Cinema numa perfeita união. Então, a quantidade de páginas não assusta quando somos envolvidos por este “filme” e pela escrita contagiante de Selznick, podendo até terminar de ler o livro em um dia. A Invenção de Hugo Cabret não é sobre uma viagem à Lua, é sobre uma viagem pelo sonho de um sonhador. Um sonhador que ajudou a nos fazer sonhar a cada sessão de cinema.  Foda photo Foda.png