TD Nos últimos anos, as séries estão cada vez melhor produzidas, resultando em obras que superam grandes blockbusters do cinema, sendo uma ótima opção para quem está interessado em conteúdo de qualidade e não apenas em efeitos visuais. Isso se deve a maior liberdade que os autores encontram em alguns canais de TV, e um tempo satisfatório para desenvolver melhor a história e cativar o público a cada episódio, pois o sucesso sempre é bem vindo para a continuidade de qualquer projeto.  Deste Lost, posso citar outras séries consagradas, entre as mais recentes: Breaking Bad, The Office, Mad Men, The Sopranos, Game Of Thrones, entre outras que mostram que a TV não é feita apenas de sitcons genéricas. Neste ano, True Detective, nova série da HBO, entra para este seleto time de séries cinematográficas. TD2Nossa… mal começou a série e já tem resenha indicando ela? Não será só fogo de palha? Na verdade, o “filme” de Nic Pizzolatto, dirigido por Cary Fukunaga, tem a proposta de apresentar uma história diferente a cada ano, e como a primeira aventura terminou, falarei sobre ela adiante.  A temática da série é contar histórias que desenvolva as consequências e causas que uma investigação pode ter sobre os policiais. Na estreia,  Matthew McConaughey e Woody Harrelson são os detetives Rust Cohle e Marty Hart respectivamente. Atores consagrados no cinema (McConaughey ganhou o Oscar de Melhor Ator por Clube de Compras Dallas) e que agora esbanjam talento na TV.  A química da dupla é fundamental para o sucesso, e eles não decepcionam em nenhum momento. Enquanto McConaughey faz um policial atormentado pela morte da filha, viciado em drogas e com ótimos momentos existencialistas, Harrelson é o seu parceiro, um homem autodestrutivo que vê a família afastada por seus próprios erros. Difícil não levarem prêmios pelas atuações.  TD3Já percebeu qual o foco da série? Seguindo a linha de filmes como Os Suspeitos, Seven, Millennium, em que os personagens são mais importantes do que a revelação do mistério, a história começa com os depoimentos dos ex-detetives Cohle e Hart sobre um caso resolvido nos anos 90, e que reapareceu 17 anos depois. Enquanto eles depõem, a história volta na época mostrando como tudo realmente aconteceu. Com um enredo que faz você grudar no sofá, o roteirista Pizzolatto usa o caso para desenvolver a personalidade dos protagonistas, a relação entre eles e como vão lidar com as dificuldades encontradas pelo caminho. A antiga luta da luz contra a escuridão, onde todos tem um pouco de monstro dentro de si. Numa narrativa não-linear, entre passado e presente, o diretor Fukunaga consegue levar o complexo roteiro sem que o público se perca, graças também ao belo trabalho da equipe de edição. O ponto alto da direção é no espetacular e tenso plano-sequência no clímax do 4º episódio que, sinceramente, fiquei tão envolvido na cena que nem tinha prestado atenção que foi um plano-sequência de 6 minutos. Porém, uma das críticas que a série recebeu durante sua exibição, foi a falta de personagens femininas fortes. É verdade que elas vivem muito à sombra dos homens, mas não se pode esquecer que a história se passa num mundo rodeado por eles, então é mesmo esperado bastante machismo. Engraçado que após as críticas, Pizzolatto prometeu uma protagonista feminina no ano que vem.      TD4Como se pode esperar de qualquer “filme” de qualidade, a produção da série é impecável, e quero destacar a inspirada trilha sonora de T Bone Burnett (habitual colaborador dos irmãos Coen e longas que tem como temática o country) que já deixa sua marca na inesquecível e empolgante abertura com a música Far From Any Road da banda The Handsome Family. A fotografia de Adam Arkapaw que, independente da época, consegue transmitir um clima hostil e de sofrimento que rodeiam os lugares visitados pelos detetives, deixando a iluminação sombria quando começam a chegar cada vez mais próximo do assassino. Enfim, com 8 episódios, True Detective se confirma como uma das melhores séries do ano de 2014, mostrando como a TV pode ser melhor que o cinema. E que a luz do sucesso continue brilhando para esta série que tem a difícil missão de manter o nível na escuridão que é o futuro chamado 2015.    Trailer: