Inside Os irmãos Coen sempre tiveram um fascínio por personagens fracassados numa vida que parece conspirar contra eles. Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum é mais uma obra prima de uma seleta seleção de filmes que trazem este tipo de personagem que eles sabem tão bem como eternizar. Oscar Isaac é Llewyn Davis, um cantor de música folk à procura do sucesso, mas enquanto o seu talento não é reconhecido, vive de favores na casa dos amigos e toca sua tristeza em bares. Como não poderia deixar de ser, quando se trata de mostrar o começo do cenário folk nos EUA, o filme contém uma belíssima trilha sonora, recordando o memorável E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?. Interessante que em ambos filmes, o produtor musical é T Bone Burnett, que este ano participou da excelente série True Detective. Enquanto a maioria só quer contar a história dos vencedores, os Coen nos ensina sobre a vida através do fracasso. Nota: Foda

NebraskaDesconfiado depois de ver com Os Descendentes, assisti o novo filme de Alexander Payne sem muita expectativa, apesar das boas críticas que vinha recebendo. E para minha surpresa, Nebraska é uma linda história de vida e poderia ser facilmente “baseada em fatos reais” como foi a tendência do Oscar este ano. Escrito por Bob Nelson, o filme conta a história de um velho, Woody Grant (numa impecável atuação de Bruce Dern), que acredita ter ganho 1 milhão de dólares e, para receber o dinheiro, precisa ir até o estado de Nebraska buscar o prêmio, e no melhor estilo road movie, seu filho mais novo, David (Will Forte), resolve acompanha-lo, numa jornada em que filho e pai se tornarão mais próximos. Se não bastasse um roteiro recheado de sutilezas em sua mensagem, a fotografia em preto e branco de Phedon Papamichael ajuda a aumentar o clima triste e desolador da viagem, sendo mais um grande destaque deste filme que merece ser visto. Nota: Ótimo

TudoTudo por Justiça, filme dirigido por Scott Cooper, traz a antiga (e que é sempre bem vinda) história de vingança. Christian Bale é Russell Baze, um homem que, mesmo não vivendo o sonho de vida americano, faz o possível para leva-la em paz. Tem a mulher que ama ao seu lado, está por perto para cuidar do pai doente e do irmão encrenqueiro, porém tudo muda quando se envolve num acidente e precisa ficar 4 anos na prisão. Quando volta, vê sua vida virar do avesso e, para piorar, seu irmão é assassinado pelo traficante local. A história até que tem seus bons momentos, mas são as atuações de Bale e  Woody Harrelson que levam o filme nas costas. No instante que qualquer desses dois está em cena, cada segundo vale a pena, contribuindo bastante para este drama familiar. Nota: Bom

FuroA continuação do O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy recebeu um nome diferente aqui no Brasil, talvez pelo medo de que muita gente não tenha assistido o primeiro. Então, a solução foi maquiar e vender que Tudo Por Um Furo é um outro filme, porém, mesmo assim, divertirá muito mais quem assistiu o antecessor. Adam McKay está menos inspirado nesta segunda parte, até em comparação com Os Outros Caras, mas isso não quer dizer que não seja comédia igualmente interessante. Se o primeiro discutia o crescimento da mulher dentro do mercado de trabalho, a continuação faz uma crítica ao jornalismo sensacionalista, que invadem as TVs com noticias fúteis, enquanto o jornalismo profissional é jogado para escanteio. E Mckay sabe tirar sarro deste assunto como ninguém. É uma pena que ele passe um pouco do tom em algumas piadas, deixando espaço para a vergonha alheia desnecessária, principalmente com Will Ferrell. O personagem de Steve Carell ganha mais espaço (devido a maior importância que o ator tem agora, graças também a The Office), entretanto, ele funciona melhor com piadas pontuais do que com uma história desinteressante. Ainda bem que essas falhas são compensadas  com momentos de pura genialidade, como a épica batalha final dos jornalistas que, já era absurda no primeiro filme, e que desta vez toma proporções surreais. Nota: Bom

MestreRepetindo a fórmula de Por Um Fio de Joel Schumacher, Toque de Mestre traz Tom Selznick (Elijah Wood), um pianista que retorna aos palcos após 5 anos e, nesta apresentação, não pode errar nenhuma nota da “música intocável” de seu antigo mestre, senão um terrorista irá matá-lo. Mesmo com erros absurdos de roteiro e um protagonista que merece aplausos por fazer coisas impossíveis diante tanta pressão, o filme de Eugenio Mira cumpre o que promete: uma história tensa que irá deixar o público contando os minutos para saber o final, além de contar com uma atuação de Elijah Wood de corpo e alma. Nota: Bom

ContasUltimamente, muitos atores que já chegaram na terceira idade estão realizando filmes que, em algum momento, aproveita para fazer piadas sobre a condição física atual deles. Os Mercenários é um prato cheio delas, e ainda temos Schwarzenegger em O Último Desafio Harrison Ford no quarto Indiana Jones. O novo filme que segue nessa pegada é Ajuste de Contas, que junta dois ícones do boxe cinematográfico, Stallone/Rocky e Robert De Niro/Jake LaMotta, para uma luta final. É claro que para chegar no que realmente importa, a comédia precisa desenvolver dramas com os dois personagens, até para que o púbico se identifique com eles. O problema é que os conflitos são tão rasos, que deixa os melhores momentos para as piadas e o confronto final. O que não poderia ser diferente, resultando num longa divertido e que só de ver dois ídolos já vale a pena. Nota: Bom

FimAté O Fim é muito mais do que uma simples obra sobre sobrevivência, é uma obra sobre o direito de ter uma segunda chance na vida e lutar por ela. Um homem, interpretado com maestria por Robert Redford, decide se isolar de todos com o seu barco em alto mar, porém um contratempo o coloca sem nenhuma comunicação contra a força da natureza, e aí começa a batalha mais importante de sua vida. J.C. Chandor realiza um filme que, praticamente sem nenhum dialogo, entrega uma aventura tensa e emocionante do começo ao fim, nos fazendo torcer (e sofrer) por aquela pessoa que mal conhecemos. Um filme espetacular que merece todo o reconhecimento dos amantes do cinema. Nota: Foda