Trapaça É só olhar os indicados ao Oscar de 2014 para perceber o ponto forte de Trapaça, novo filme de David O. Russell. Em todas as categorias que inclui a premiação de atores, tem uma indicação do elenco, mostrando, mais uma vez, o ótimo trabalho que Russel faz com eles. Algo já visto e premiado com seus dois últimos sucessos: O Vencedor e O Lado Bom da Vida, o diretor consegue emendar seu terceiro sucesso de críticas seguido nos EUA, contando a história, ao lado do roteirista Eric Warren Singer, de uma dupla de golpistas que precisa colaborar com um agente do FBI para destruir um esquema de corrupção política. Uma história em que a falsidade reina em cada diálogo.

Trapaça2Baseado em “fatos reais” (a principal moda do Oscar deste ano), Trapaça mostra, de uma forma bem exagerada, a situação do golpista Irving Rosenfeld (Christian Bale), acompanhado da amante  Sydney Prosser (Amy Adams), que depois de ser pego em um de seus golpes, precisa ajudar o agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper) num caso de corrupção que envolve congressistas dos EUA,  um caso que poderia alavancar a carreira do agente e deixar os norte-americanos mais desacreditados com a política, após o escândalo de Watergate. O filme segue o padrão do gênero de anti-heróis (como o principal mestre Martin Scorsese ensinou): conspirações, traições, reviravoltas, revelações, e assim por diante, passando um pouco da medida na duração. Contudo, o que importa aqui são os personagens. Eles almejam uma vida de sucesso, porém até que este sonho não se realize, vivem suas próprias mentiras. Cada um tenta ser o que não é e acabam se agarrando um nos outros para encontrar um caminho na vida, não importando quais decisões precisam ser tomadas. Não há frase melhor para definir a essência do filme do que aquela proferida por Irving: “as pessoas acreditam no que escolhem acreditar”. Principalmente o agente DiMaso que para conseguir o caso que irá promove-lo, se corrompe ao flertar com a “britânica” Prosser, chutando o balde da ética policial. Trapaça1Todo o elenco – a maioria já trabalhou com Russel – está bem nos papéis, alguns mais, outros menos. Porém, o maior destaque, e motor do filme, é Christian Bale. Com mais uma transformação física, fazendo esquecer o musculoso Batman para viver o barrigudo Irving, consegue transpor para a tela com maestria toda a vaidade, ambição e talento que seu personagem tem. Vivendo uma montanha russa de emoções em que precisa lidar com a pressão do FBI, o distanciamento da amante, a esposa louca (Jennifer Lawrence rouba as cenas) e a amizade que começa nascer pelo político Carmine Polito (Jeremy Renner), o principal alvo da operação e o personagem mais sensato da história. Se não bastasse esse elenco estrelado, Russel ainda conta com ótimas participações de Louis C.K. e, responsável pelo melhor momento do longa, Robert De Niro fazendo o que sabe fazer de melhor: um mafioso. Dois aspectos técnicos que merecem ser lembrados são a trilha sonora de Danny Elfman, deixando a música instrumental um pouco de lado e investindo em grandes sucessos dos anos 70, e todo o departamento de arte, deste os cenários até os figurinos. Você realmente sente que está naquela época. Trapaça3Não há dúvidas que a moral de Russel está alta em Hollywood, mesmo que outros diretores merecessem maior destaque e são inexplicavelmente ignorados (olá Paul Thomas Anderson!) pela academia, o diretor faz novamente um bom trabalho num filme que usa um escândalo nacional para expor a vida falsa de seus personagens e deixar que os atores brilhem. Trailer: American Hustle
EUA , 2013 – 138 minutos
Comédia / Policial Direção:
David O. Russell Roteiro:
Eric Warren Singer, David O. Russell Elenco:
Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, Louis C.K., Alessandro Nivola, Robert De Niro Bom photo Bom.png