SmaugDiz a cultura popular que o segredo para fazer com que as coisas deem certo é gostar do que se faz, e não apenas fazer por obrigação ou coisa do tipo. Bom, a fórmula deu e muito certo para Peter Jackson com a trilogia O Senhor dos Anéis. O diretor, que se mostrou um verdadeiro apaixonado pelo universo criado por J.R. Tolkien, fez uma trilogia brilhante e arrematou milhares de fãs para a série, além de ter provado que os blockbusters podem sim ser um cinema de alta qualidade. Porém, o mesmo parece estar encontrando dificuldades de conciliar seu entusiasmo com a Terra-Média, com uma trilogia eficiente desde que decidiu adaptar o livro (em volume único) O Hobbit, uma espécie de prólogo da história narrada em O Senhor dos Anéis. Se Uma Jornada Inesperada se mostrou um começo um tanto conturbado para a nova trilogia, A Desolação de Smaug parece ter aprendido com alguns desses problemas e se mostra um filme mais eficaz, apesar de ainda apresentar alguns pequenos defeitos. Smaug2No filme, Bilbo (Martin Freeman) e os anões continuam sua jornada rumo ao Smaug, o dragão responsável por ter tomado as terras de Erebor, que pertenciam aos anões. No caminho para a Montanha Solitária que abriga Smaug, eles terão que lidar com aranhas gigantes, elfos (no que inclui a aparição de uma elfa que não se faz presente no livro, Tauriel, interpretada por Evangeline Lilly) e problemas na cidade de Esgaroth, para enfim ter o tão esperado confronto com o dragão. Paralelamente, acompanhamos (bem pouco) Ganfalf (Ian McKellen) investigando a existência de uma força do mal nas terras de Dol Guldur. Smaug3Enquanto o primeiro filme apresentava um tom um tanto quanto infantil e tinha inúmeras dificuldades de se manter enquanto as cenas de ação não se faziam presentes, a segunda parte ganha muito com a adoção de um tom mais adulto e sombrio, que se aproxima muito mais da sensação do perigo iminente que os anões correm, principalmente com a primeira aparição do Smaug e um grande confronto se aproximando. Neste, a ação também se mostra mais recorrente e bem trabalhada, presente sempre em excelentes sequências, como é de se esperar de um diretor como Jackson. No entanto, os longos diálogos que marcaram Uma Jornada Inesperada em cenas como o encontro de Bilbo com o Gollum (Andy Serkis), se mostram novamente presentes como pontos altos da trama, como no primeiro embate entre o Hobbit e Smaug, o qual é trabalhado de maneira excelente, como um verdadeiro personagem e não apenas como um adereço para os momentos de ação, um tanto quanto humanizado graças ao ótimo trabalho de dublagem de Benedict Cumberbatch. Smaug4A parte técnica também, como é de se esperar, não deixa nada a desejar. Os bons efeitos visuais permanecem, assim como o excelente trabalho de maquiagem, que fica ainda mais presente graças a aparição dos elfos. Vale destacar a evolução da fotografia, que consegue acompanhar com facilidade e destreza a mudança no tom da trilogia, passando dos planos claros e iluminados das Montanhas do primeiro filme para, agora, a escuridão e o terror dos cenários, com destaque para Esgaroth, na qual podemos perfeitamente perceber o clima de melancolia e decadência após a tomada das terras de Erebor pelo Smaug. Smaug6Porém, como nem tudo são flores, a dificuldade em adaptar um único livro em três filmes continua, e a percepção de que alguns eventos do filme são arrastados ou desnecessariamente longos é a mesma que se teve no filme de estreia. A longa duração mais uma vez prejudica o desenvolvimento do roteiro, assinado pelo próprio Jackson em parceria com Guilhermo del Toro (Pacific Rim) e outros dois colaboradores, mesmo que esta sequência não seja tão longa quanto seu antecessor (por uma questão de oito minutos apenas). A ausência de Gandalf na maior parte do longa também se mostra bastante prejudicial, uma vez que se trata de um personagem bastante querido para o público e que poderia ajudar a dar fôlego ao roteiro, que acaba sendo forçado muitas vezes. Em troca de Gandalf, tem-se, no entanto, a aparição de personagens sem carisma em situações que dificilmente serão capazes de cultivar o público, como a própria elfa Tauriel e sua relação com Legolas (Orlando Bloom) e Kili (Aidan Turner). Smaug5Por fim, só resta ao público e aos fãs torcer para que Jackson continue a evolução que se percebeu do primeiro para o segundo filme da série na hora de encerrar a trilogia, com Lá e de Volta Outra Vez , e que consiga fazê-lo com chave de ouro, como merece o fantástico mundo criado por Tolkien. Que consiga também fazer um filme que seja capaz de prender o nosso fôlego (como prometeu a última cena deste) e o perdoar pelos deslizes cometidos neste prólogo cinematográfico de O Senhor dos Anéis, nos fazendo suspirar com tristeza que o passeio pela Terra-Média nas salas de cinema fechou ao fim. Trailer: The Hobbit – The Desolation of Smaug
Nova Zelândia , 2013 – 161 min.
Fantasia Direção:
Peter Jackson Roteiro:
Peter Jackson, Philippa Boyens, Fran Walsh, Guillermo del Toro Elenco:
Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Luke Evans, Stephen Fry, Benedict Cumberbatch, James Nesbitt, Adam Brown, Aidan Turner, Dean O’Gorman, Graham McTavish, John Callen, Stephen Hunter, Mark Hadlow, Manu Bennett, Peter Hambleton, Ken Stott, Jed Brophy, William Kircher, Jeffrey Thomas, Mike Mizrahi, Sylvester McCoy, Lee Pace, Barry Humphries Otimo photo Otimo.png