Ima Desde o álbum Once de 2004, os finlandeses do Nightwish têm feito trabalhos belíssimos misturando orquestra sinfônica com heavy metal. Em Imaginaerium não é diferente, porém há um mundo circense, fantasmagórico e sombrio dignos de filme de Tim Burton que o Nightwish apresenta através deste álbum. Tudo começa com uma simples caixinha de música, daquelas em que você abre e tem uma bailarina girando. Ao som da voz do baixista Marco Hietala cantando em finlandês, a primeira faixa chamada Taikaltavi (“inverno mágico”), mais parece uma canção de ninar. O arranjo orquestrado também compõe o ambiente de sonho e magia que vai se intensificando e é aí que começa Storytime. Parece que é nas referências à histórias infantis e a magia da infância que se finca a canção. Contudo, mais do que isso, fará uma viajem ao lado criança do coração de um homem, como diz a letra. Então teremos histórias de aventura contadas ao longo do Imaginaerium. Certo? Lembra que disse que esse álbum era sombrio? Pois é. Ghost River é uma história sombria de uma mãe (representada pela voz da vocalista Anette Olzon) que tenta encorajar o filho a atravessar um rio e a outra voz (a de Marco Hietala, dessa vez numa interpretação mais agressiva) dizendo ele irá se afogar. Ima2Ah, o amor… platônico! Esse vem representado em forma de blues na ótima Slow, Love, Slow. Crescer, às vezes, é difícil. Muito da vida que costumava levar, muda e, em certos momentos, gostaríamos de voltar àqueles tempos. É dessa vontade que se trata I Want My Tears Back, que mistura lembranças da infância e, consequentemente, faz referências principalmente a personagens de Alice no País das Maravilhas. Do adulto que deseja voltar ao passado, vamos agora ao menino que ouve uma história de terror de um circo dos horrores em Scaretale. Tim Burton curtiu essa (provavelmente, imagino). Como é de praxe desde Once, sempre há uma referência à música árabe e dessa vez a faixa é a instrumental Arabesque. A próxima canção é Turn Loose The Mermaids. Depois de o personagem ter finalmente “atravessado o rio”, ele vai chegando ao final de sua jornada nessa linda balada ao estilo celta. Mas antes do final, Rest Calm “passa um filme” de sua vida pela cabeça desse personagem. A música tem um ritmo dúbio: é pesado até chegar o refrão que é suave, dialogando com a presença iminente da morte e a imaginação que desperta as boas lembranças. Ima4Logo depois vem a balada The Crow, The Owl And The Dove, uma canção acústica cuja a letra se assemelha a uma fábula. Nas últimas faixas, Last Ride Of The Day e Song Of Myself são duas grandes reflexões sobre a vida, sendo que a primeira junta fará algumas metáforas com personagens circenses e é otimista. Já a segunda é uma canção progressiva divida em 4 andamentos: I. From a Dust To a Bookshelf/II. All The Great Heart Lying Still/III. Piano Black/IV. Love. Cada momento em que a música entra num momento diferente, um andamento começa, sendo este vai minguando até que os últimos versos são recitados em silêncio. Digo isso, pois em “Love”, a letra é completamente recitada como uma poesia. Talvez esse aspecto decrescente da canção é uma das diversas referências feitas ao longo de Imaginaerium à essa jornada perigosa e, ao mesmo tempo, emocionante que é a vida até a morte. Tracklist: 01. Taikatalvi
02. Storytime
03. Ghost River
04. Slow, Love, Slow
05. I Want My Tears Back
06. Scaretale
07. Arabesque
08. Turn Loose The Mermaids
09. Rest Calm
10. The Crow, The Owl And The Dove
11. Last Ride Of The Day
12. Song Of Myself
13. Imaginaerum Foda photo Foda.png