GravidadeA vida no espaço é impossível”. A vida na Terra também não é nada fácil. Gravidade, recente trabalho de Alfonso Cuarón, já é um marco na carreira do realizador, pois além do competente trabalho técnico, o filme apresenta uma emocionante história sobre renascimento.  Alfonso e seu filho Jonás são os responsáveis pelo roteiro que retrata a história de dois astronautas que ficam perdidos no espaço após um acidente. George Clooney é Matt Kowalsky, o comandante da missão e o ponto de equilíbrio emocional da protagonista Ryan Stone (Sandra Bullock), sempre mantendo o foco para não deixar a companheira entrar em desespero. Esta que é uma forte personagem feminina que faz jus ao legado deixado por Alien – O Oitavo Passageiro. Gravidade02A tensa e angustiante jornada da doutora Stone para sobreviver, é necessária para que ela novamente dê valor à vida. Aos poucos, conhecemos o seu sofrimento interno por causa da perda da filha, fugindo para o lugar mais distante das lembranças que o planeta lhe trazia. A solidão do espaço refletida em sua própria. Diante da morte, aprende que na vida, não basta fugir do sofrimento e sim superar a fragilidade para poder seguir em frente, poder ser feliz outra vez. Duas fantásticas cenas indicam o nascimento de uma nova mulher: quando ela fica em posição fetal (lembrando o bebê estelar de 2001 – Uma Odisséia no Espaço) e no momento em que precisa se adaptar ao novo mundo, saindo da água (nascimento) e se esforçando para dar os primeiros passos. Isso são alguns detalhes desta obra rica em metáforas. Gravidade01O filme também funciona como um excelente terror, já que o espaço é um implacável serial killer. Cuarón repete sua especialidade em planos-sequência que pode ser conferida nos Filhos da Esperança e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. A câmera explora a infinidade de ângulos que o universo permite e vai acompanhando os personagens sem que o público perca nada. Quando a doutora está girando no vazio espacial, a câmera fixa no rosto, enquanto a Terra é mostrada atrás dela e depois no reflexo do capacete para, posteriormente, invadir o capacete e virar um plano subjetivo, fazendo o público sentir o desespero da personagem. Genial. Gravidade03Se o roteiro e a direção não bastarem para você conferir, toda a produção está de parabéns pelo trabalho. O que me chamou mais atenção foi a trilha sonora (que abrange o design de som) e os efeitos visuais. Fica difícil acreditar que eles não estão no espaço e sim no estúdio com o fundo verde. Sem esta ilusão convincente, certamente o filme poderia falhar. Os termos “ficção” e “ciência” foram bem equilibrados, com a opção de deixar a ambientação mais próxima da realidade científica, tirando o máximo possível dos sons que poderíamos ouvir no espaço se nele tivesse propagação de som. Ouvimos o que os personagens ouvem. A respiração deles, sons abafados e a música composta por Steven Price que fica cada vez mais perturbadora conforme o perigo aumenta. Tudo em prol para um cenário assustador. Gravidade04Gravidade confirma a boa expectativa neste ano apostada nele, sendo um dos melhores filmes que assisti. Alguns anos dedicados ao projeto, Alfonso Cuarón entrega para o Cinema uma obra para ser desfrutada e analisada. Uma obra que revela o quanto as pessoas podem ser frágeis diante as dificuldades da vida, mas que também podem ser fortes para um renascimento através delas.    Trailer: Gravity
EUA, Inglaterra , 2013 – 90 min
Ficção científica Direção:
Alfonso Cuarón Roteiro:
Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón Elenco:
Sandra Bullock, George Clooney, Eric Michels, Basher Savage, Paul Sharma Foda photo Foda.png