BB2 Vince Gilligan criou em Breaking Bad a química perfeita para realizar um marco na história da TV. Como diz seu protagonista: “a química é o estudo da transformação”, não seria exagero usar essa citação para representar a temática da série, que é sobre a transformação de personalidade que uma pessoa pode sofrer, neste caso, negativamente.   Roteirista de vários episódios de Arquivo X, Gilligan levou a ideia até a AMC, depois de ser rejeitado por outras grandes emissoras como a HBO. A emissora apostou no potencial da história e acabou ganhando, com uma temporada melhor que a antecessora, uma série praticamente perfeita em todos os aspectos e corajosa em retratar um protagonista tão complexo sem cair no caricato. Um anti herói que escolhe ser mal e não porque sua condição o impele de ser. Simplesmente fascinante.   BB3Apesar de ter humor até um certo ponto, Breaking Bad não é para quem gosta de finais felizes. Durante as 5 temporadas, você  não irá acompanhar uma jornada de superação para motivar as pessoas com baixa estima, e sim a decadência moral de um ser humano, que para voltar a se sentir vivo, entra para o mundo do crime e acaba gostando disso. Este personagem é o professor de química Walter White (Bryan Cranston), um verdadeiro gênio na sua área, mas que vive frustrado com dois empregos que não equivalem a sua qualificação. Fora do American Way of Life que sempre desejou para sua família, ainda precisa suportar a ideia de ver uma empresa que começou se tornando bilionária.  A sua vida muda quando recebe a notícia que está com câncer de pulmão. Desesperado em não deixar sua família num mar de dívidas, decide trabalhar como cozinheiro de metanfetamina, criando uma droga puríssima, jamais vista nas ruas de Albuquerque. Pensando em proteger sua identidade, adota o pseudônimo Heisenberg. Muito mais do que um pseudônimo, Heisenberg é o lado adormecido de Walter se libertando. Nesta empreitada como traficante, tem a ajuda de seu ex-aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul), que no inicio funciona bastante como um escape para o humor, porém, com o tempo, acaba virando uma das maiores vítimas do alter ego de seu parceiro. A relação da dupla resulta cenas memoráveis. E olha que a série tem muitos momentos épicos.  (L-R) Mike (Jonathan Banks), Saul Goodman (Bob Odenkirk), Jesse Pinkman (Aaron Paul), Walter White (Bryan Cranston), Marie Schrader (Betsy Brandt), Hank Schrader (Dean Norris), Skyler White (Anna Gunn) and Walter White, Jr. (RJ Mitte) - Breaking Bad - Gallery - Photo Credit: Frank Ockenfels/AMCJá deixo claro aqui que a atuação deles e de todo o elenco secundário é digna de muitos prêmios, e mesmo assim seria pouco para valorizar este grande trabalho. Deste a família de Walter com sua esposa Skyler (Anna Gunn), seu filho Walter Jr. (RJ Mitte realmente tem paralisia cerebral moderada e  teve que aprender a andar e melhorar sua dicção para o papel), sua cunhada Marie (Betsy Brandt) e o excelente Hank (Dean Norris), policial da Narcóticos e que fará de tudo para prender o responsável pela pedra azul. Pelo lado do crime destaco três personagens: o advogado do diabo Saul Goodman (Bob Odenkirk ganhou uma série própria para este personagem), o traficante Gus Fring (Giancarlo Esposito) e um cara que merecia um filme solo: Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks). Não vou me prolongar muito descrevendo eles para não acabar com sua experiência ao assistir, e ainda deixei de fora outros que também tem uma presença marcante, vinda diretamente do México. E como eu disse no começo do texto, a vida de todos irá se transformar conforme Walter White cava o próprio buraco da imoralidade. BB5Breaking Bad já seria grande por causa de sua história e elenco, mas sua parte técnica também é uma bela atração. Sempre rodeado de ótimos diretores, entre eles Michelle MacLaren, Adam Bernstein e, direto do cinema, Rian Johnson (Looper), a série encanta por seu lado cinematográfico. Muitos filmes que saem ultimamente não chegam perto da sua qualidade. Deste a escolha da trilha sonora com a música de Dave Porter e os sons bem mixados, a fotografia cada vez mais escura até a última temporada onde o mal predomina, o interessante jogo de cores que indicam a personalidade dos personagens, os easter eggs espalhados homenageando filmes clássicos (principalmente de máfia), tudo a favor para ajudar a contar a história de outras maneiras. Brilhante. BB1Através de um planejamento impecável, apesar de alguns deslizes ou exageros discutíveis, a série sempre se mantem num ótimo nível, ficando quase impossível escolher uma temporada que ganhe o troféu de A melhor. E pode ter certeza que ao terminar de assistir, você irá querer ver de novo, pois como a meth azul de Heisenberg, Breaking Bad é viciante. Trailer: