Rim Depois de não ter conseguido levar em frente a direção de O Hobbit e ter a frustração de ver o sonho de adaptar Nas Montanhas da Loucura adiado por questões financeiras, não podendo mostrar sua visão do universo de H.P. Lovecraft, Guillermo del Toro precisava mergulhar num outro projeto, e tinha que ser um mergulho fundo. Este recente trabalho do mexicano é o grandioso Pacific Rim, conhecido no Brasil como Círculo de Fogo. O diretor/roteirista presta uma bela homenagem aos filmes de monstros da cultura japonesa, entre o mais popular: Godzilla. Além de ser apaixonado pelo gênero, o talento de Guillermo ajuda o filme a ter personalidade própria e ensina como fazer um entretenimento que não se torne confuso e barulhento como o Transformers de Michael Bay. Ele entrega batalhas visualmente belíssimas e bem dirigidas, me deixando um único arrependimento: de não ter assistido este filme no cinema. Um sentimento que passa rápido tamanha a diversão que me proporcionou no conforto de minha casa. Bem longe do mar. Rim02Kaiju Os monstros em questão são os assustadores Kaiju, seres de outro universo que surgem das profundezas do oceano através de uma fenda no Pacífico. A criatividade que del Toro tem para criar criaturas marcantes, deste o rascunho de seu caderno, é simplesmente brilhante. Nenhum Kaiju é exatamente igual, cada um tem suas próprias características tanto fisicamente como visualmente, seus meios de ataques e defesas só melhoram conforme os anos que passam, um verdadeiro terror para a humanidade. Jaeger Os Jaegers são robôs construídos para combater estas criaturas, e como não poderia deixar de ser, tem visuais únicos, sempre inspirados no país que foram feitos. Impressionante como eles não parecem apenas bonecos de computador, tendo uma física convincente em que se pode sentir todo o peso que é controlar um robô de uma escala gigantesca. Todo o movimento é lento, mas sem deixar de ser eficiente em campo de batalha. Para controlar os Jaegers são escolhidos dois pilotos que são ligados pela mente, fazendo um ter acesso as lembranças do outro e assim, se compatíveis, os torna um só.  Rim03Os dois pilotos principais são Raleigh Antrobus (Charlie Hunnam) e a novata Mako Mori (Rinko Kikuchi), duas pessoas ainda presas por perdas pessoais e que precisam superar juntos seus medos para salvar a humanidade da ameaça oceânica. O roteiro é bem simples, nada muito complexo, porém é bem escrito por Guillermo e Travis Beacham, entregando o que a história precisa, sendo um dos melhores blockbusters do ano. O humor está bem equilibrado, principalmente com alguns cientistas malucos e com uma participação imponente de Ron Perlman como um traficante de Kaiju. Idris Elba (Thor) não deixa por menos encarnando o ótimo comandante Stacker Pentecost. Tudo em prol para, na hora das lutas épicas, fazer as pessoas se importarem com quem está dentro dos Jaegers, e não apenas verem destruição para todos os lados sem nenhum sentido. Rim01Destaco a trilha sonora que é ouvida em cada engrenagem dos robôs, gritos dos monstros, e na música composta pelo promissor Ramin Djawadi com a participação do guitarrista Tom Morello. Colaborador usual de del Toro, Guillermo Navarro dá vida a colorida Hong Kong e sabe quando deixar o ambiente hostil no oceano, tanto na chuva ou nas profundezas, com um admirável trabalho de fotografia. Guillermo del Toro fez em Pacific Rim mais do que uma homenagem de um fã para o gênero, realizou um obra divertida, empolgante, visualmente fantástica, com personagens carismáticos, e o mais importante, levantou a poeira, seguiu em frente, e agora já está pronto para a próxima batalha. Trailer: Pacific Rim
EUA , 2013 – 131 minutos
Ação / Ficção científica Direção:
Guillermo del Toro Roteiro:
Travis Beacham, Guillermo del Toro Elenco:
Charlie Hunnam, Rinko Kikuchi, Idris Elba, Charlie Day, Max Martini, Burn Gorman, Rob Kazinsky, Ron Perlman, Clifton Collins Jr. Otimo photo Otimo.png