E1 Elysium segue a temática de Distrito 9, um filme de ação que tem como plano de fundo uma crítica social. A diferença entre os dois projetos é o dinheiro investido. Ironicamente, Neill Blomkamp aproveita o aumento de receita da produção para discutir a desigualdade social, numa realidade onde a conta bancária determina o futuro de um cidadão, até se ele deve ser tratado como um “cidadão”.  Se em Wall-e as pessoas fugiram da Terra deixando todo o lixo para trás, agora quem fica no planeta são os pobres que não podem comprar uma passagem para o “paraíso” que permanece além do céu, no espaço. A elite vive em pleno conforto e protegida de doenças. Nem precisa assistir uma ficção científica para pensar sobre esta divisão de classes, é só sair andando, principalmente em países de terceiro mundo, para observar favelas em volta de belos condomínios de luxo. Sempre protegidos por uma forte segurança e vivendo uma ilusão construída pelo dinheiro. E2Esta divisão está prestes a ruir quando Max (Matt Damon) sofre um acidente e só tem 5 dias de vida. Para não conhecer a morte, precisa chegar até Elysium. Nesta jornada, os atores brasileiros ganham grande importância na história. Alice Braga, além de ser o interesse romântico de Damon, interpreta uma mãe que fará de tudo para salvar sua filha. Enquanto Wagner Moura (Tropa de Elite 2) rouba cada cena com o personagem Spider. É um faz tudo. Responsável por transformar Max num Robocop precário e, assim, colocar em andamento seu plano de unir os dois mundos. No outro lado da moeda, a segurança de Elysium está nas mãos de Delacourt (Jodie Foster), que não pensa duas vezes em eliminar uma nave invasiva para proteger sua sociedade utópica. Para isso, tem um às na manga chamado Kruger (Sharlto Copley). Um agente infiltrado na Terra para realizar os serviços sujos. Irreconhecível, Copley (Esquadrão Classe A) faz um vilão lunático e assustador, não deixando o público respirar com sua aparição. Este elenco eclético é um dos grandes destaques do filme. E3Blomkamp ao lado do designer Syd Mead (Blade Runner, Aliens) entregam uma identidade própria a Elysium. Um na história e o outro no visual, junto com toda competente equipe. Não há diferença nenhuma na fotografia escolhida por Trent Opaloch para retratar os dois lados, pois apesar de existir uma divisão exterior, as pessoas vieram do mesmo planeta e todas merecem direitos iguais. Para evitar que isso aconteça, a elite evita qualquer tipo de contato com a pobreza, construindo robôs para usar como força militar ou para trabalhos domésticos. Algumas outras características daquele mundo são retratadas bem sutilmente, ficando aquela vontade de te-lo conhecido mellhor. Quando a ação começa, o tema social fica afastado do público, e acaba entrando numa correria sem controle, fazendo surgir algumas soluções preguiçosas no terceiro ato. A câmera na mão de Blomkamp incomoda em momentos de luta, com cortes rápidos demais, deixando a cena mais confusa do que tensa. Tirando esse problema, o diretor acerta quando filma em planos abertos, empolgando com tiros e explosões essa aventura. E4Repleto de ação e com muita correria empoeirada num universo que poderia ser melhor explorado, mas que mesmo assim é interessante, Elysium estabelece o estilo de Blomkamp no Cinema e mostra que o diretor está no caminho certo, com pouco ou muito dinheiro. Trailer: Elysium
EUA , 2013 – 109 min.
Ação / Ficção científica Direção:
Neill Blomkamp Roteiro:
Neill Blomkamp Elenco:
Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Diego Luna, Wagner Moura, Alice Braga Bom photo Bom.png