Last Qual o limite de sua humanidade? Num mundo onde a principal lei é sobreviver, civilização é um conceito morto. Nesta ideia, a Naughty Dog põe o jogador para viver uma experiência tensa, emocional e reveladora de nossos próprios princípios. The Last Of Us será o primeiro game em nossa nova coluna Memory Card, que irá ter resenhas de jogos antigos e atuais. A estreia é de um produto exclusivo do Playstation, uma obra recente, mas que já pode ser considerada um clássico. Para a alegria do público brasileiro, com opções de legendas e/ou dublagens em português. Last2O ponto forte do jogo é a história, contudo, a imersão não seria tão grande se não fosse os belíssimos gráficos, criando cenários bem próximos do realismo. São dos mais diversos, deste as encantadoras paisagens de cidades tomadas pela destruição e a natureza, até lugares claustrofóbicos e escuros, na maioria das vezes, iluminados por uma lanterna. Impressionante o nível de detalhes, teve momentos em que simplesmente parei para ficar observando o excelente trabalho de design.    Na maior parte do tempo, você é Joel, um homem destruído emocionalmente por seu passado, e agora vive conforme seu próprio código moral. Depois de uma missão frustrada, se vê diante uma jornada em que precisa levar a menina Ellie para os rebeldes Vaga-Lumes. Durante todo o trajeto, os dois precisam fugir dos ladrões e das pessoas infectadas pelo fungo que devastou o mundo. Enquanto eles enfrentam obstáculos cada vez maiores e mais assustadores, outros personagens aparecem para contribuir no andamento da história. Cada participação é memorável, independente de como termina. Last3A relação de pai-filha que cresce entre Joel e Ellie é o plot do roteiro. A interação entre os dois é natural e bem desenvolvida, que lembra o ótimo trabalho feito em Uncharted. Você entende a resistência de Joel em não confiar nas pessoas, e se diverte com jeito imprevisível da menina, que não conheceu o mundo antes da contaminação. A dupla não interage apenas entre os humanos, o ambiente e o som se tornam grandes personagens. Cartas, bilhetes, revistas, entre outras coisas podem ser encontradas, revelando histórias que dão vida àquele mundo moribundo. E para despistar ou atrair inimigos, terá que ter bastante atenção aos sons produzidos por você. É estranho tratar de The Last Of Us como um game, tamanha a semelhança com uma obra cinematográfica. Referências e ideias de vários filmes estão inseridos, como a A Estrada, Extermínio e, um dos mais presentes, Filhos da Esperança. Além de resgatar o clima de terror que Resident Evil tinha no início da franquia. Ainda assim, o jogo consegue ter sua originalidade.   Last5A jogabilidade também é bem fluída, só tive um pouco de problema em me adaptar no começo, até por desconhecer a mecânica. O manuseio feito entre as mais diversas armas e suprimentos, nunca irá te tirar da imersão. Cuidado para não sair atirando como se não houvesse amanhã, pois não é um jogo de ação, e sim de sobrevivência. A escassez será uma inimiga. Então, é melhor poupar munição e mantimentos, assim terá mais chances de completar as etapas. Não esqueça de vasculhar cada lugar, tudo que encontrar é precioso. O segredo é não ser notado, e quando for descoberto, usar da forma mais primitiva possível para eliminar os inimigos. O modo multiplayer segue a proposta, em que você precisa pegar os objetos para poder usá-los contra os outros jogadores. Sendo essencial uma boa estratégia para atacar cada oponente. Se não bastasse tudo isso, o jogo ainda é embalado por uma trilha sonora triste e esperançosa de Gustavo Santaolalla (ganhador de dois Oscars). Last4The Last Of Us é um game que não lhe propõe apenas entretenimento, e sim uma experiência poética de como sobreviver num mundo pós-apocalíptico, na pele de um homem que irá até o fim para proteger as pessoas que ama. Mesmo se for preciso perder sua humanidade. Trailer: Foda photo Foda.png