Infinite3A mente do indivíduo irá lutar desesperadamente para criar memórias onde elas não existem" – Barreiras Para a Viagem Transdimensional, de R. Lutece. Saindo das profundezas do oceano da memorável cidade de Rapture, Bioshock convida para conhecer o Paraíso, batizado pelo nome de Columbia. Desenvolvido pela Irrational Games, depois publicado e distribuído pela 2K Games, Bioshock Infinite é um projeto ambicioso de Ken Levine, trabalhado deste 2011 e, no resultado final, justifica todo o empenho diante uma história complexa que, após terminar o game, a vontade de revisitar este universo é imensa, tamanha a intensidade de pistas para as mais diversas descobertas. Assim, descobrir outra história entre as milhares que as estrelas podem contar. Infinite2A premissa é simples, você é Booker DeWitt, um homem com a missão de resgatar uma garota para quitar sua dívida nos jogos. Para isso, precisa viajar até a cidade de Columbia, um lugar construído no Céu, se tornando uma clara referência ao Paraíso. Este início é simplesmente fascinante, pois ao andar pela cidade, vai conhecendo cada pedacinho de sua história, através de pinturas, estátuas e ouvindo as pessoas conversando. Você vai degustando o passeio e querendo saber mais sobre aquele admirável mundo novo. A paz acaba quando você é descoberto e declarado como um “falso profeta”, acusado de vir roubar a filha do verdadeiro profeta. Com as armas e poderes que adquire, combaterá os soldados para resgatar a garota Elizabeth, a filha e sucessora do fundador e profeta da cidade: Zachary Hale Comstock. A relação entre Booker e Elizabeth é ótima, ela não é apenas um peso que precisa carregar, ajuda em momentos difíceis te repondo com suplementos e munição, além de trazer objetos de outro universo para melhorar sua estratégia de batalha. Elizabeth é a alma da história. InfiniteNão vou entrar em mais descrições sobre a trama para não estragar o brilhante final. Com certeza irá explodir sua mente e te fará refletir por dias. Isso não impede de dar uma dica: preste atenção em cada detalhe do ambiente, nos diálogos com Elizabeth, nos Voxofones que vai encontrando pelo caminho e não ignore os irmãos Lutece. Tudo faz parte de algo maior, de um roteiro que não se contenta com a mediocridade. Uma bela reflexão sobre escolhas que podem decidir quem somos e quem podemos nos tornar.  A jogabilidade é competente e te entrega variações de combate para seu estilo, mas é aberta a discussões. Os Vigores (poderes adquiridos) ficam mal explicados, não tendo muito sentido para aquele universo, diferente dos anteriores que tinha todo um conceito cientifico. Os trilhos, apesar de úteis dependendo do cenário, não se fazem tão necessários ou empolgantes como parecia. Nem vou discutir muito sobre os gráficos que não tem o visual dos jogos atuais, pois Infinite começou a ser feito faz alguns anos. Mesmo com o atraso, Columbia é fantástica e a imersão está presente deste o primeiro passo.  Infinite4Outro ponto que Ken Levine acertou em cheio foi a trilha sonora. Variando entre músicas da época, outras mais recentes quando encontramos uma fenda temporal, e principalmente àquelas criadas para o jogo. Assista durante os créditos a gravação de uma delas. Os chefes secundários foram bem elaborados, destaque para o Patriota de Ferro, Handyman e o marcante Songbird. O game ainda apresenta outras subtramas, como o racismo presente naquela sociedade e o fanatismo religioso de seu fundador. É verdade que tem histórias criadas com o principal objetivo de levar o jogador ao combate frenético, como os dos revolucionários da Vox Populi. Bioshock Infinite  é uma verdadeira obra de arte jogável. Um Paraíso onde os pecadores nunca irão esquecer de seus pecados. Trailer: Otimo photo Otimo.png