Em Transe Danny Boyle é um diretor que não fica preso numa fórmula de sucesso e procura variar bastante na escolha de seus futuros projetos. É claro que sua marca visual é bem presente nos filmes, colaborando com os mais diversos temas como, por exemplo, o mundo das drogas em Trainspotting, a cruel realidade de um apocalipse zumbi em Extermínio, a luta de um garoto indiano para conquistar seu amor em Quem Quer Ser Um Milionário? e a batalha pela vida de 127 Horas. Agora, no melhor estilo de A Origem de Nolan, com um pouco mais de surrealidade, Boyle apresenta Em Transe, um suspense instigante com personagens tão dúbios que fica difícil adivinhar qual será o destino deles. Inseridos numa situação, do roteiro de John Hodge, de perda temporária de memória que Simon (James McAvoy) sofre, após ser vítima de um assalto bem “sucedido” que ele mesmo participa. Depois, tem que lidar com o resto do grupo para descobrir onde escondeu o quadro valioso que era o objeto do roubo. Para isso, eles chamam a doutora Elisabeth (Rosario Dawson) para ajudá-lo a recuperar sua memória com sessões de transe. Isso é apenas a ponta do iceberg de uma história com um clímax cheio de reviravoltas e algum senso de dúvida. Uma dúvida boa que nos fazer querer rever este ótimo filme. Nota: Ótimo God Após ganhar popularidade com Bronson e, principalmente, o excelente Drive, Nicolas Winding Refn apresenta seu novo filme Only God Forgives. Estrelando novamente Ryan Gosling no papel do protagonista Julian, dono de um clube de boxe tailandês que serve de fachada para tráfico de drogas. Um cara que, apesar de um passado violento, se mostra sempre lutando contra seus desejos e frustrações interiormente. Sua chance de provar seu valor, surge quando seu irmão mata uma prostituta e é morto por mando do policial Chang (Vithaya Pansringarm), um homem que fará o capitão Nascimento parecer o Papa. Com essa situação, a sua mãe clama por vingança, nem que ela mesma tenha fazer. Num ritmo já conhecido em Drive, Nicolas leva cada cena como se fosse uma obra de arte para ser desfrutada enquanto está na tela. A maioria das pessoas pode achar o filme lento, mas a fotografia deste neon-noir  é tão bem elaborada, mostrando o sentimento de cada personagem. Perceba como o vermelho sempre está presente em cenas violentas ou sexuais, entre outros simbolismos (veja nossa análise sobre cores neste especial). Uma história de vingança e honra, retratando que neste mundo os humanos não perdoam. Nota: Ótimo Joe2 Até gostei do primeiro filme, entretanto, só assistiria outra vez se eu não tivesse absolutamente nada para fazer e passasse na TV no momento do meu precioso tédio. Iria deixar passar esta continuação, mas como coração mole, resolvi ver como tinha saído essa nova tentativa dos bonequinhos da Hasbro, agora em G.I. Joe -Retaliação. Seguindo a linha do grupo de soldados renegados pelo seu Governo (prefiro Esquadrão Classe A, Missão Impossível 4), nós temos aqui personagens bem rasos. Me importei apenas com o The Rock, pois seu carisma leva o filme nas costas. Pelo menos o Bruce Willis tem mais função do que no último Duro de Matar. Tirando a história fraca, alguns absurdos nem tão bolados nas cenas de ação, uma reunião totalmente surreal dos líderes mundiais (não sabia que cada líder tinha uma maletinha para ativar a bomba nuclear e ainda a leva num encontro sobre o desarmamento, what?), sobrando apenas a torcida por boas cenas de ação, e isso até que tem em certos momentos, já que os ninjas são muito legais. Nota: Regular Oblivion Joseph Kosinski define ser um diretor que sabe entregar uma identidade visual em seus filmes. Tron – O Legado pode não ser um grande trabalho, mas toda sua ambientação é de ganhar aplausos, créditos para sua equipe de design. Em Oblivion não é diferente, todo o cenário pós-apocalíptico remete ao branco e moderno design da Apple. E para viajarmos neste mundo, temos uma história bem interessante que intercala entre romance, crise existencial e uma revolução de seres humanos. Os responsáveis pelo bom roteiro é o próprio Kosinski ao lado da dupla Karl Gajdusek e Michael Arndt (responsável por Star Wars VII). Mesmo que tenha problemas de ritmo, não se aprofundando muito em nenhum tema tratado, traz ideias instigantes já vistas em filmes como Lunar, por exemplo. Além de referências à 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Tom Cruise como o protagonista Jack Reacher, opa, desculpe, Jack Harper, está bem seguro no papel que se especializou em fazer. Completando este filme eficiente.    Nota: Bom Lucia Bullying. Este é um dos atos mais desprezíveis que o ser humano consegue realizar contra o seu próximo. Muitos podem dizer que não foram tão afetados na época da escola, que ajudou a moldar a personalidade, e várias desculpas para dizer que é um assunto modinha. Humilhação, violência física, desprezo, solidão, nunca saíram de moda, e só quem sofreu realmente sabe disso. Depois de Lúcia não é um filme focado neste problema, e sim sobre perdas. O pai que perde a esposa, a filha que perde a mãe, os dois começam a perder a relação afetiva entre eles. Tudo se complica, quando a menina Alejandra (Tessa Ia) se envolve sexualmente com um colega e o vídeo cai na internet. Após isso, os problemas que ela sofre só pioram, iniciados com xingamentos na escola até chegar em picos de psicopatia social dos alunos. Alejandra vai aguentando e poupando o pai de mais sofrimento. São cenas cada vez mais perturbadoras, filmadas pela câmera realista de Michel Franco que não faz questão de esconder nada do público, chocando os mais sensíveis. Um estilo Michael Haneke de mostrar a crueldade humana.   Este é um filme sobre perda. Perda de humanidade. Uma reflexão sobre a raiva presa que só  precisa de uma causa para abrir a grade de uma consequência violenta. Nota: Foda Somos Somos Tão Jovens conta a história de Renato Russo antes de iniciar na banda Legião Urbana. Quem era o garoto que um dia iria se tornar um dos maiores poetas da música brasileira? E que definiu tão bem as angústias de toda uma juventude, principalmente a solidão. Assistir este filme foi como reviver um pedaço do meu TCC, em que estudei sobre a influência do rock brasileiro na sociedade. Escolhendo o trovador solitário como o principal objeto de estudo. No filme, as relações entre os amigos, a família, a criação e o fim do Aborto Elétrico, o cenário social daqueles jovens de classe média alta tentando encontrar algo para se rebelar (tendo seus momentos ridículos de rebeldia alienada que nesta fase é difícil escapar), se torna um pouco corrido no roteiro, mesmo assim, Antonio Carlos da Fontoura  entrega uma bela homenagem de fã para fãs. Com muitas referências nos diálogos que trazem letras das canções, as músicas se tornam a alma do projeto e Thiago Mendonça está totalmente incorporado no protagonista. Um filhinho de papai que amadureceu na vida e se transformou no mito do rock brasileiro. E de toda geração coca-cola. Nota: Ótimo