13 O novo álbum de Black Sabbath já começa mexendo com o imaginário a partir da capa com o número 13 em chamas, o que não é de fato novidade (nem para Zagallo). Brincar com esse imaginário é típico dos primórdios da banda que tinha nos filmes de terror, inspiração para sua sonoridade. Como também não é de se surpreender que esse ar sombrio esteja entranhado em todas as faixas. Depois de tantas idas e vindas, 13 é um trabalho bastante coerente às suas raízes: som distorcido, denso e pesado.  O tema de algumas letras tem o teor bastante contestador. Em End Of The Beginning, é uma crítica à dependência e alienação que é criada através da tecnologia e convoca o ouvinte a reverter o jogo e controlar o próprio destino. God Is Dead é um grande ponto de interrogação frente a todas as coisas ruins que acontecem pelo mundo. Ora nega, ora questiona e ora afirma que Deus está morto. 132Mudando um pouco o foco,  Loner é um personagem solitário e misterioso, o narrador que conta sua história até torce para que ele saia dessa obscuridade criada para si por seu passado. Particularmente, creio que a letra sugere que o personagem tenha o desejo de acabar com a própria vida para livrar-se do sofrimento, porém o narrador se pergunta se isso realmente será suficiente. Zeitgeist começa com uma risada malvada de Ozzy, mas a música que se apresenta é suave e totalmente acústica, envolto a uma letra que descreve o mundo em um cenário apocalíptico e alegremente, como numa comemoração de ano novo, celebrando o fim. 131Damaged Soul é justamente o oposto: o inferno se alastra pela Terra e pessoas oram desesperadamente para serem salvas, terminando com um maravilhoso solo de guitarra seguido de gaita – canção regada de influência do blues. Age Of Reason é mais uma letra contestadora e pessimista sobre a forma como somos manipulados. Live Forever também é pessimista, mas lida a dicotomia “desilusão com a vida” versus “ter alguma esperança na vida”. E, por fim, o Black Sabbath ainda continua a “mexer” com Deus em Dear Father. Parece que nessa canção Deus está sim vivo, mas fechou os olhos para a humanidade e deixou “falsos Messias” apropriarem-se Dele para manipular. No final da canção, ainda tem uma surpresa para os fãs.  Em suma, 13 é um álbum sombrio, pessimista e canções bastante homogêneas de forma geral. Tracklist: 01. End Of The Beginning
02. God Is Dead?
03. Loner
04. Zeitgeist
05. Age Of Reason
06. Live Forever
07. Damaged Soul
08. Dear Father Bom photo Bom.png