Now
Deep Purple com Now What?! saindo do forno, evoca uma grande mistura de sons e sensações para quem aprecia o bom e velho rock and roll. A Simple Song começa tímida e melódica, de repente, a junção de todos os instrumentos se converte num bom “susto” aos ouvidos, mas quando completa seu ciclo volta para a calmaria do início. Talvez porque “a estrada não tem fim” assim como o tempo, como sugere a letra da música.

 
Por falar em estrada e tempo, Weirdistan nos traz um exercício de imaginação através do encontro de duas pessoas durante uma viagem no tempo, numa rotina em que tudo não é como antes se conhecia. Um estranhamento constante marcado por uma distorção frenética dos teclados (e uma distorção leve nos vocais), um virtuoso solo de guitarra, porém a música vai se desfazendo como numa contagem regressiva de instrumentos, cada um nos últimos segundos até cessar o baixo.
 
Deep2
De repente um clima de suspense se instaura até que começa Out Of Hand. Parece que essa viagem foi parar numa espécie de “submundo” de jogos sujos e trapaças, e os elementos meio puxados para o heavy metal e “prog” ajudam a ambientar esse clima pesado, claro que bem ao estilo Deep Purple de ser. Assim como nem tudo são flores, nem tudo é tragédia também, Hell To Pay que o diga. Digno de um “rock arena” -  onde a galera canta junto e o tecladista pode dar o ar de sua graça garantindo uns “5 minutos de fama” -, os primeiros segundos dessa canção lembram Highway Star, porém mais leve e menos acelerada.
 
Body Line tem um compasso contagiante que nasce da apaixonante bateria que aos poucos se entrelaça com a guitarra, baixo e teclado. Agora pense numa música romântica. Você vai se surpreender com Above And Beyond, porque nem de longe se parece com uma. Além disso, nessa canção, eles mostram o lado mais progressivo da banda bem como Après Vous (na qual depois de conferir a letra, só consigo pensar em outra expressão bem famosa em francês) e Uncommon Man cuja intro é sensacional e apoteótica.
 
Deep
Apesar de tal tendência, o Deep Purple também é bastante marcante em matéria de blues-rock que, aliás, merece nota 10 com Blood From A Stone. E o tempo reaparece infinito em All The Time In The World, dessa vez, exaltando a paciência e o desapego deixando o estilo “Highway Star” de viver para trás. E o Now What?! termina de forma completamente inusitada: chutando a porta, ouve-se um órgão e começa uma trilha típica de filme de terror bem clichê e uma guitarra que parece querer assombrar alguém, com um andamento bem comum a bandas de música pesada com um arzinho “gótico” (em tempo: na verdade eles foram um dos pioneiros que influenciam essa galera metaleira, justiça seja feita).
 
Pois é: essa é uma homenagem ao ator Vicent Price cuja música tem o mesmo nome. Vicent Price (1911-1993) foi um ator americano que estrelou vários filmes de terror, inclusive a letra cita um dos personagens encenados por ele numas das várias adaptações de Edgar Allan Poe para o cinema: “Dr. Phibes”.

 

Tracklist:

 

01. A Simple Song
02. Weirdistan
03. Out Of Hand
04. Hell To Pay
05. Body Line
06. Above And Beyond
07. Blood From A Stone
08. Uncommon Man
09. Après Vous
10. All The Time In The World
11. Vincent Price

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