Sin CityRobert Anthony Rodriguez é um cineasta norte-americano, nascido na cidade de San Antonio, Texas. Mesmo tendo a cidadania norte-americana, Rodriguez é de família mexicana, tornando-o um chicano. Não é a toa que em sua carreira, principalmente em sua estreia em longas-metragens com El Mariachi, discute temas como, por exemplo, imigração de mexicanos nos EUA, usando de sua estética violenta como plano de fundo para debater assuntos políticos. Não é uma tarefa complicada analisar o cinema de Rodriguez, onde ele consegue fazer muito sem precisar gastar milhões que os estúdios de Hollywood são acostumados a investir. E para uma maior liberdade artística, o diretor/produtor/roteirista/músico tem a disposição seu próprio estúdio, o Troublemaker Studios, localizado em seu estado natal, na cidade de Austin. Desta maneira, fica mais fácil realizar filmes como realmente imaginou, com muito sangue sendo espalhado pelos cenários (uma influência trash) e belas mulheres nuas ou seminuas envolvidas por, em sua maioria, anti-heróis. 6Um grande desafio ainda estava sendo guardado para Rodriguez, e ele vinha de Frank Miller. Conhecido por obras primas dos quadrinhos como Batman – O Cavaleiro das Trevas e Demolidor – A Queda de Murdock, tem no seu trabalho uma série famosa chamada Sin City. Contendo várias histórias, todas ocorridas na cidade do pecado, que com seus traços inconfundíveis em preto e branco, criou um mundo violento, traiçoeiro e moldado por novos valores, ficando a cargo de Rodriguez, um grande fã, levar à sétima arte. A tarefa de convencer Miller a vender os direitos de sua obra não foi uma das mais fáceis. Só depois de um teste, é que o acordo foi fechado, tendo a participação do desenhista na direção. Como de costume, Rodriguez contou destes figurões como Bruce Willis até atores que estavam no ostracismo como Mickey Rourke, repetindo uma de suas características em ter sempre um elenco bem eclético, visto também em Machete. 8Adaptando três histórias de Miller num filme, além da introdução, a semelhança com os quadrinhos é impressionante, resultado de um belo trabalho de arte. O diretor rodou o filme inteiro com fundo verde, para depois, na pós-produção, inserir os cenários digitalmente. Essa escolha só foi benéfica para o trabalho, pois assim o visual acabou ficando o mais próximo do original. Com um roteiro bem escrito e não deixando pontas soltas entre as diferentes histórias, os realizadores não foram covardes em acobertar a violência contida nos quadrinhos. Sin City é um lugar onde tudo se resolve a base da sobrevivência do mais forte. Rodriguez dirige as cenas de ação com naturalidade, mostrando tudo que deve ser visto, pois decapitações, canibalismo e torturas são normais naquele universo, porque deveria ser escondido do público? 1Considerado o melhor trabalho de Rogriguez, Sin City ainda conta com a participação de seu amigo Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios) na direção. Numa cena específica, onde Benicio Del Toro, com o pescoço quase decapitado, tem uma conversa com o personagem de Clive Owen. Dizem que se melhorar algo estraga, neste caso só aumentou o brilhantismo do filme. Robert Rodriguez conseguiu adaptar fielmente os quadrinhos de Frank Miller para o cinema, não deixando de por suas próprias qualidades no filme. Sin City – A Cidade do Pecado conquista pela sua estética expressionista e temática noir, e mostra uma maneira de respeitar a obra original, sem perder a essência para a ambição financeira. Trailer: