Tin Tin Um ambicioso projeto pensado numa trilogia, o primeiro dirigido por Steven Spielberg (tendo o responsável pela continuação, Peter Jackson, como diretor de segunda unidade), As Aventuras de TinTim é o melhor trabalho de Spielberg depois de anos, relembrando seus grandes momentos como em Indiana Jones ou Jurassic Park. Filmado em motion capture, a adaptação do desenhista Hergé não soa artificial, mostrando que a tecnologia que deu vida a Gollum e a Avatar chegou a outro nível, apresentado num visual mesclado entre o realismo e o cartunesco nas expressões e gestos do ótimo elenco. O roteiro de Steven Moffat, revisado por Edgar Wright e Joe Cornish, apesar de ser bem expositivo e com uma história simples, é bem amarrado e não te deixa respirar por nenhum segundo. Spielberg está bem a vontade para mostrar o porquê de ser considerado um dos mestres do cinema de entretenimento, abusando de piadas visuais e planos sequências de tirar o chapéu pirata (a cena da perseguição de Marrocos é marcante), e me fazer esperar ansioso por essa promissora trilogia que tem tudo para ser cultuada como outras grandes. Nota: Ótimo Espiao O elogiado Deixe Ela Entrar foi um belo começo para o diretor Tomas Alfredson mostrar todo o seu talento, sabendo criar um clima tenso através de planos bem planejados para suas cenas. Não é diferente em O Espião que Sabia Demais. Escolhendo um ritmo bem lento para desenvolver a história, tornando um filme mais analítico do que expositivo, vemos o aposentado espião George Smiley (Gary Oldman) recebendo a missão de investigar seus ex-parceiros, pois há um duplo agente infiltrado. Se estiver esperando um Missão Impossível, pode colocar seu traje de Ethan Hunt de volta no armário, o método de Smiley em sua investigação é calmo, paciente e planejado, além de ter os obstáculos de uma tecnologia dos anos 70. Estrelado por um excelente elenco, uma direção de arte digna de uma análise mais detalhada e um roteiro envolvente, O Espião que Sabia Demais mantém o nível de ótimos filmes de Alfredson. Nota: Ótimo Grey Tem filmes que chegam sem muito barulho, e até por indicação de alguém, acabo alugando para conferir. Semelhante como aconteceu no filme Guerreiro, a história foi me envolvendo aos poucos e quando percebi, não conseguia mais desprender meus olhos da tela e a emoção (junto com a tensão) estavam bem aflorados. O já conhecido Joe Carnahan (Esquadrão Classe A), ao lado novamente de Liam Neeson, nos entrega uma ótima história de sobrevivência, que não foca apenas no ato de sobreviver e, sim, no desafio do homem superar a natureza, revelar que o ser humano não é tão menos selvagem (e perigoso) do que um lobo faminto. Nem sempre a razão ou a fé são bastantes para salvar sua vida. Nunca esquecerei dessas palavras: “Mais uma vez na batalha. Jamais saberei se será a maior luta de todas. Viver ou morrer neste dia. Viver ou morrer neste dia”. Nota: Ótimo Abrigo O Abrigo é uma versão atualizada da famosa história de Noé, mas em vez de salvar os pares de diferentes espécies para uma futura reprodução, Curtis LaForche (Michael Sannon) se importa apenas em garantir a sobrevivência de sua família. Visto como um louco na sociedade, conforme seus sonhos com o apocalipse vão piorando sua possível paranoia, o diretor Jeff Nichols trabalha o suspense que nos leva a pensar se é verdade ou apenas loucura de Curtis que o atormenta. Num papel digno da qualidade de Michael Sannon, indicado ao Oscar no filme Foi Apenas Um Sonho e general Zod no próximo Superman, o ator é o principal destaque, mostrando que um prêmio da academia é apenas questão de tempo. Nota: Ótimo Titas Após muitas promessas que a continuação seria melhor trabalhada, mais profunda, mais não sei o quê, não passou de muita enrolação. Fúria de Titãs 2 é mais do mesmo em relação ao primeiro, a diferença é um Sam Worthington cabeludo e um “chefe final” mais arrasador, porém que não deve ter a mesma força numa tela menor. Desta vez, Perseu luta contra criaturas mitológicas agora tentando proteger seu filho e melhorar sua relação com seu pai: Zeus (Liam Neeson).  Querendo ou não, esperamos pacientemente toda a duração para ver o ressurgimento do incrível Cronos que rouba toda a cena para si. E isto é muito pouco. Nota: Regular Metodo Uma das principais características do diretor David Cronenberg (A Mosca) é saber abordar psicologicamente seus personagens e, para Um Método Perigoso, a história foi propicia ao seu talento. Mesmo tendo um discutível roteiro de Christopher Hampton, onde personagens tão fascinantes são poucos explorados em suas vidas, focando apenas nas teorias de seus trabalhos, sempre é bom conhecer como ocorreu a relação dos grandes pais da psicanálise, Carl Jung (Michael Fassbender) e Sigmund Freud (Viggo Mortensen). Num filme de grandes atuações, menos em relação ao mediano papel de Keira Knightley como Sabina Spielrein, temos um belo duelo de pensadores que discorrem sobre os problemas da mente humana. Nota: Ótimo Shame E por falar de Michael Fassbender, o ator não decepciona em Shame e entrega uma impressionante atuação no papel de Brandon. Novamente ao lado do diretor Steve McQueen, o filme é uma análise de comportamento de um viciado não em drogas, ou jogo, mas em sexo. Sim, um ato de puro prazer transformado em doença, mudando os hábitos e as relações com as pessoas próximas, em que mulheres e homens podem ser apenas objetos sexuais. Tendo um passado traumatizante (o que fica evidente, mesmo nunca descrevendo o que aconteceu), ele é surpreendido quando sua irmã Sissy (Carey Mulligan) aparece para morar em seu apartamento. Tentando lidar com vício, a difícil relação com a irmã e em busca de uma relação normal, Brandon sofre em sua chocante jornada (contendo cenas de sexo explícito) até dar o primeiro passo para uma possível cura: perceber que está doente. Nota: Foda Money A maioria das histórias que ouvimos são contadas pela visão dos vencedores, mas isso não quer dizer que os perdedores também não podem fazer uma boa história. Billy Beane (Brad Pitt) é um manager que mudou a forma de administrar um time através de um programa de estatísticas que revolucionou o baseball e pode servir de exemplo a tantos outros esportes inflacionados. Um sistema que analisa os melhores jogadores para cada posição, tornando um time competitivo, coletivo e barato, diante uma realidade em que só se ganha quem tiver mais dinheiro para investir. Dirigido por Bennett Miller, O Homem que Mudou o Jogo, nos mostra que mesmo desprezada, uma pessoa pode melhorar conforme trabalhe suas principais habilidades e dentro de um conjunto pode ser útil. Pois nesta vida, os perdedores também tem muito o que ensinar. Nota: Ótimo