Guns Esqueça quase tudo o que você leu sobre a ideologia do rock até agora, principalmente o conceito de contracultura a uma sociedade capitalista, expresso em cada música ouvida nas rádios ou pela boca dos jovens. Estamos no ano de 1980, e aqui começa uma nova era para o rock. De acordo com Coelho (1996, p.10) a “cultura passa a ser vista como instrumento não mais de livre expressão, crítica e conhecimento, mas como produto trocável por dinheiro e que deve ser consumido como se consome qualquer coisa”. O rock deixa de ser algo voltado ao protesto e começa a ser comercializado pela indústria fonográfica quando se percebe seu grande poder de venda entre os jovens. Começamos a ter evidentemente o artista de marketing, ou seja, um produto da gravadora “que o envolve, a um custo relativamente baixo, com o objetivo de fazer sucesso, vender milhares de cópias, mesmo que por um tempo reduzido e determinado.” (TORRETI, ORLANDI, 2007, p.32). Esse momento, para muitos estudiosos, é a “muda” do rock. Um estágio de reflexão e mudança necessária para depois voltar com a mesma atitude agressiva e ousada do seu começo. É a época das discotecas, quando jovens não querem mais fugir de casa como um ato de rebeldia e, sim, ir para as festas dançar e ganhar garotas ao som de Bee Gees. E nesse clima de festa e muita paquera, o rock acaba sendo modificado e se tornando mais comercial aos ouvidos das pessoas. Não querendo dizer que sua qualidade caiu, apenas houve uma grande mudança que conferiu mais dinheiro aos bolsos dos empresários e donos de gravadoras. Uma das mudanças mais evidentes que podemos citar é o Hair Metal. Filho do Hard Rock “setentista”, porém com uma sensibilidade mais pop e um visual totalmente glam, ainda com algumas pitadas do punk. Esse estilo surge como uma febre na juventude. Levando as meninas ao delírio e os rapazes à vida: carros, bebidas e sexo. As bandas responsáveis pela nova vertente são: Poison, Motley Crue, Skid Row, Twisted Sister, Guns N’ Roses e Bon Jovi. Mostrando que o rock também poderia atingir o grande público. Bandas mais antigas também aderiram ao estilo como Kiss e Van Halen. Sendo Guns N’ Roses mais punk e Bon Jovi mais pop foram as principais bandas dos anos 1980. Em termos de sucesso e influência na sociedade, trata-se de um cenário para quem quiser compreender o que vem a ser o Hair Metal. Outro som diferente que marcou foi o New Wave. Se você é daqueles que fica entre punk e o pop, o New Wave foi feito especialmente para seu gosto musical. Certamente, foi o estilo que nasceu por causa do sucesso das discotecas. Nada muito agressivo e barulhento como o punk, porém nada com a mesmice do pop. B-52’s, The Police e Duran Duran são as principais bandas do movimento. O filho mais velho do Hard Rock, também ganhou muita força nesses anos fúteis para alguns e essenciais para outros. O Heavy Metal, que já era conhecido nos anos 1970 como uma maneira pesada e elaborada de se fazer rock, assume uma vertente contrária à simplicidade do punk, nos mostrando bandas como Iron Maiden, Judas Priest, Motorhead, Accept e Def Leppard que ajudaram a divulgá-lo ao mundo. Entre tantas outras. Os anos 1990… Passado o momento festivo do rock, voltamos à rebeldia. Marca essencial do estilo como a atitude, ousadia e a agressividade. Que ficaram meio ausentes durante os anos 1980. Mas quem será os responsáveis por tal volta? E será que foi uma volta definitiva e concisa? Muitos outros estilos faziam sucesso na época, até muito mais que o rock, mesmo ele estando como influência em muitos deles. Como, por exemplo, a Black Music de Michael Jackson. Com certeza um dos responsáveis com a desmoralização do rock, levando o pop ao seu auge e estabelecendo uma nova maneira de fazer música, principalmente visando grandes vendas. Isso já nos anos 1980. O Grunge foi e sempre será o principal movimento da época para o rock, comandado por bandas como Nirvana e Pearl Jam que resgataram a rebeldia e agressividade do rock que havia começado com o punk. Seu diferencial, porém, era o som menos polido e letras retratando depressão e angústia. No futuro, dariam vida ao movimento Emocore, conhecido como filho “mimado” do rock. Os anos 1990 apresentaram muitas bandas novas com seus respectivos movimentos: Oásis, com o Britpop; Red Hot Chili Peppers, com o Funk Metal; Evanescense, com o Metal Melódico; Radiohead, com o Indie Rock; New Metal, com o Slipknot. Contudo, somente uns irlandeses se destacaram mundialmente, eles trouxeram ao rock uma sonoridade única e com um nome simples como U2 conquistaram milhares de fãs devotos. Se antes, tínhamos milhares de jovens se reunindo por uma ideia em um festival, hoje, temos milhares de jovens que acompanham suas bandas por clipes na MTV, mp3s, nos Ipods, Ipads, o virtual tomando conta do material. Tornando o visual mais importante do que o próprio conteúdo de uma banda. Diferente do comercial dos anos 1980, atualmente os “artistas” nem precisam tocar algum instrumento, pois seu produtor faz tudo por sua imagem.  Mas quando enquanto houver uma guitarra tocando nossas almas e uma bateria fazendo estourar nossos corações, o rock ainda terá muito que mostrar. Enquanto isso, uma Legião nasce no Brasil….