AC Por volta de 1970, várias celebridades – Janis Joplin, Jim Morrison e Jimi Hendrix – morreram por excesso de drogas. As características andrógenas e perigosas passadas pelos Rolling Stones foram levadas ao extremo pelos artistas Alice Cooper e David Bowie que, talvez, eram os mais famosos pela ambiguidade sexual e comportamento fora do comum expressos em suas músicas. Na mesma década, vimos Paul MacCartney chegar aos tribunais e pedir a dissolução dos Beatles, o centro das atenções dos anos 1960. Chegava ao fim o grupo musical que retratou o amor em mais de duzentas canções. O mundo acreditou que jamais encontraria algo semelhante aos garotos de Londres, pelo menos não muito cedo. John Lennon deixou de lado a condição de mito, foi atrás da devoção de uma mulher, foi encontrar-se em Yoko, dedicou-se muito à família e ainda mais ao seu filho Sean Lennon. Paul MacCartney continuou na carreira musical como compositor e cantor. Como tocava vários instrumentos, não foi muito difícil seguir essa carreira, sendo acompanhado dos Wings e de sua mulher Linda Eastman. George Harrison continuou na carreira musical, contudo ele mudou um pouco sua forma de compor, foi o primeiro a pontuar com um hit, chamado My Sweet Lord em 1970. Ringo Star dedicou-se ao cinema, conheceu a atriz Bárbara Bach, casou, superou, voltou por cima e seu ar descontraído também veio à tona novamente. Mas a década de 1970 foi responsável por outra mudança no rock music, porém, dessa vez, não só o som mudou, como também as vestimentas e o rosto pintado que davam uma nova alegria ao rock. Surgiu o Kiss. Eles utilizavam máscaras em preto e branco, suas roupas simulavam armaduras e tinham um desempenho totalmente diferente nos palcos. Logo em seguida, Alice Cooper com aquelas olheiras negras aterrorizava em cima dos palcos. A evolução do rock não parou, apareceram outras inúmeras faces que o marcaram enquanto estilo musical. Vale destacar um estilo que usufruiu de junções de vários outros: o Heavy Metal. Seguindo o mesmo caminho, o Iron Maiden também deixou sua marca nessa nova adequação do Rock n’ Roll. Outras bandas também se adequaram ao estilo, por exemplo: o AC/DC que foi uma das mais importantes desse novo ritmo. Esse estilo prosseguiu pela Inglaterra e destacou-se em uma das bandas mais polêmicas da década de 1970, também muito importante para a história do Rock n’ Roll, o Queen, formado por Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon. Esse grupo caiu nas graças do público por causa do carisma de Mercury. Nessa década cheia de mudanças, não podia faltar a mais radical delas, chegou ao mundo o punk rock, uma resposta à estagnação do gênero e um protesto político. Iniciou-se, na Grã Bretanha com o Sex Pistols e The Clash. Nos Estados Unidos surgiu um concorrente para os Pistols, eram os chamados Ramones. Considerados os pais do punk, juntaram-se em 1974 e, durante 22 anos, fizeram músicas simples, cruas, mas de primeiríssima qualidade, à prova de tédio, justamente por isso, conquistaram milhares de fãs no mundo todo. Sempre na base do “Faça você mesmo” (Do it yourself), uma crítica à complexidade e ao estrelismo do rock progressivo. Qualquer jovem poderia pegar uma guitarra contra o conformismo na época, conforme Paulo Sérgio do Carmo: “O ano da explosão punk foi em 1977, com sua fúria e desencanto. Jovens ingleses lançaram seu grito de revolta e de inconformismo, na critica à sociedade estagnada. Viviam num país em recessão e vieram fazer o coro à raiva, ao tédio e a frustração da falta de perspectiva. Tudo isso contribuiu para o aparecimento de uma nova corrente musical dentro do rock e de um estranho modo de se vestir, bastante “anormal”, mesmo depois dos excessos provocados pela cultura hippie dos anos 60 e 70. Ressalta-se que, ao chocar por sua vestimenta e sua música, passaram uma imagem de violência que nem sempre correspondia à realidade.” (CARMO, 2003, p.124). RamonesJoey, Johnny, Dee Dee e Tommy (posteriormente substituído por Marky, Richie e Marky novamente), com suas calças jeans rasgadas e suas características jaquetas de couro, foram fonte de inspiração não para uma, mas para várias gerações que vieram. Os Pistols foram responsáveis por uma grande mudança no cenário do rock, a banda criou faixas pioneiras no inusitado estilo punk rock “God Save the Queen e Anarchy in the UK”. Porém este capítulo não é somente para reforçar a ideia de que Sex Pistols fizeram o punk como estilo e não movimento. Suas características estavam mais destacadas no modo de se vestirem e no comportamento agressivo de seus integrantes. De longe era algo que se tornasse uma causa social como no anarquismo. Com o incentivo dos Pistols, dezenas de bandas começam a abraçar o estilo, sobretudo em Londres. A epidemia alastrou-se com velocidade absurda. O motivo para tanta rapidez era simples: estava na hora de renegar a mesmice dos paleolíticos rockstars da época. Mais uma vez, o rock mudava de cara, o estilo musical criou modernidades, mudou os jovens. Assim, houve uma manifestação juvenil semelhante às décadas anteriores, sem envolver intencionalmente questões éticas, políticas e sociais. Enquanto o rock tradicional criava novas estrelas e fazia com que a música da década de 1970 parecesse mais com o dom da época dos nossos pais, o punk trouxe um novo jeito de fazer música, um estilo simplificado, pouco mais de três acordes e instigando naturalmente adolescentes a criarem suas próprias bandas. Porém, ao fim da década de 1970, os Ramones explodiram o punk pelo mundo, e mesmo assim, ao fim dessa época 1978, iniciava-se um novo ídolo para o Rock n’ Roll, fazendo um som diferente com grandes interpretações no palco, trata-se da família Van Halen que dava início a um novo estilo que ficou conhecido como característico da década de 1980. Enquanto isso, voltando ao Brasil… RitaA década de 1970 começou frustrada não na música, mas politicamente. Emilio Médici assumiu a presidência da República tornando-se o terceiro militar no poder pós-golpe de 1964. Por sua vez, Emilio acrescentou e substituiu 58 artigos à Constituição de 1967. Neste cenário, protagonistas como os Mutantes apareciam misturando Rock e MPB de uma forma jamais vista e ouvida. O rock, enfim, ganhava um jeito brasileiro. Rita Lee, Arnaldo, Sérgio e Liminha lançavam nesse início de década A Divina Comédia, era um novo caminho para a música nacional. E se o rock estava com a bateria fraca, os Mutantes haviam se encarregado de fazê-lo pegar no tranco. Porém os anos 1970 foram marcados pelas bandas intérpretes Made in Brazil, que afirmaram definitivamente a identidade do rock nacional, compondo e cantando em português e, também, ampliando o domínio da técnica, dos equipamentos e dos estúdios. Destacaram-se ainda nos anos setenta, os grupos Som Imaginário, O Peso, Bixo da Seda, Moto Perpétuo, Módulo Mil, Arnaldo (Baptista) & Patrulha do Espaço, , Rodrix & Guarabira; Secos & Molhados e Veludo, entre outros. O grande destaque desta década foi o surgimento de Raul Seixas: menino de Salvador que nasceu no cessar fogo da Segunda Guerra Mundial, no ano de 1945, influenciado pelo rock da década de 1950. Raul dos Santos Seixas, depois de ser Raulzito com os Panteras, em 1968, e aparecer com a Sociedade da Grã-Ordem kavernista apresenta sessão das dez, em 1971, em 1973 entrou nas paradas com o seu primeiro LP solo: Krig-há, Bandolo!, Com público dos maiores e mais fiéis, foi o primeiro artista brasileiro a ter um LP organizado e lançado por um fã-clube à coletânea de gravações raras Let Me Sing my Rock-and-roll (1985, mais tarde encampada pela Polygram com título de Caroço de Manga). No início de 1971, Os Mutantes foram contratados pela Rede Globo para serem uma das atrações fixas do programa Som Livre Exportação. No começo gostaram da ideia, mas logo perderam a motivação, pois o formato do programa e o contato com sambistas e expoentes da Bossa Nova não os interessava muito. Nesse ano, eles lançaram o álbum, Jardim Elétrico com uma abordagem muito mais roqueira que nos demais discos, assim, começaram definitivamente o seu distanciamento com o Tropicalismo. Em 30 de dezembro de 1971, Rita e Arnaldo se casaram após anos de um conturbado relacionamento, marcado por idas e vindas. Na volta da lua-de-mel, o casal rasgou a certidão de casamento no programa de TV da apresentadora Hebe Camargo. Em março de 1972 chega às lojas o disco Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets, lançado em um dos períodos mais críticos da história brasileira. O álbum foi censurado (a faixa Cabeludo Patriota teve de mudar de nome e foram sobrepostos ruídos para esconder a frase “…o meu cabelo é verde e amarelo…”). O LP mostrou a transição da banda em direção ao rock progressivo, com influências evidentes dos grupos Emerson, Lake & Palmer e Yes. O maior sucesso dos Mutantes, conforme Dapieve (1994), foi Balada do Louco. No ano de 1974, o processo de eleição do novo presidente teve início. Porém este foi marcado por eleições indiretas, para as quais o MDB lançou os nomes de Ulysses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho como “concorrentes” do candidato do ARENA. Mesmo sabendo que não chegaria ao poder, a chapa do MDB correu em campanha denunciado as falhas do regime militar e a opressão do sistema. Assim, chegou ao cargo de Presidente da República do Brasil, Ernesto Geisel, tratava-se de um período que, economicamente, o país não estava bem. Havia a crise do petróleo. Além disso, entre os que ocupavam as cadeiras do congresso encontravam-se os que lutavam por uma flexibilização que pudesse dar maior longevidade ao governo militar. Cazuza Em 1978, ao fim de seu mandato, Ernesto Geisel revogou o AI-5. Com isso, no setor musical, novas bandas foram surgindo no fim dessa década, como, por exemplo, O Barão Vermelho, comandado por Frejat e o genial e polêmico Cazuza. Os anos 1980 estavam chegando. E o rock brasileiro iria encontrar a sua mais perfeita forma. O seu auge, a sua verdadeira identidade. Conheceríamos o Brock. Conheceríamos um trovador solitário. Final