Batman Em 2005, o diretor Christopher Nolan resgatou a reputação do herói, após algumas adaptações sofríveis, através do competente Batman Begins. Uma realidade que não permitia abertura para a fantasia, aproximando o personagem do mundo cruel que vivemos. Batman: The Dark Knight confirmou a aposta de Nolan neste universo realista, resultando numa verdadeira obra prima. Um filme sombrio e adulto, provando que um popular ícone dos quadrinhos não precisa ser feito apenas para crianças, visando somente o lucro obtido. O inesquecível Coringa de Heath Legder que não me deixa mentir. E o sucesso das bilheterias também não. Enfim, chegamos no final da trilogia com Batman: The Dark Knight Rises. Novamente ao lado de seu irmão, Jonathan Nolan (com o argumento em parceria de Davis S. Goyer), Christopher une a trilogia, usando momentos importantes dos antecessores para serem concluídos agora. O fim de um ciclo sem acabar com o universo estabelecido. Bat8Oito anos é o hiato do segundo para o terceiro filme. Neste período, Gotham aprendeu a viver tempos de paz. Através da lei inspirada pela morte de Harvey Dent – impulsionada pelo comissário Gordon (Gary Oldman) e com a ajuda do vigilante Batman (Christian Bale) – a cidade respira sem sofrer com os crimes organizados. Porém, tudo tem seu preço. Vemos um Gordon sofrendo pela mentira que carrega sobre Dent e Bruce Wayne incapacitado fisicamente depois de sofrer com tantas lutas. Depois desta premissa, é interessante notar a diferença deste filme com os outros conforme vamos acompanhando as tramas. Enquanto Nolan se segurou em não criar nada fantasioso deste o segundo, neste resolveu abrir algumas exceções. O que fez muita diferença. Sempre é mais impactante ver alguém quebrando paredes com chutes ou socos. Se não bastasse a incrível Batpod (necessito ter uma moto igual), somos presenteados com mais uma adição ao arsenal do herói, o Bat. A cena da aeronave contra os mísseis é o seu ponto alto no filme. E ainda temos várias homenagens em relação ao universo do Batman que deixarão muito fãs felizes em descobrir. Bat9Apesar de um grande número de personagens, Nolan consegue equilibrar muito bem a história e entregar uma certa importância para cada um. Destacando o jovem policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) e a mulher-gato Selina Kyle (Anne Hathaway). O primeiro tem uma grande evolução como ator, deixando de lado sua imagem fofa em 500 Dias com Ela, mostrando que tem capacidade de sustentar um filme de ação sozinho. A segunda faz uma digna mulher-gato deixando para discussão se não seria a melhor interpretação da personagem no cinema. Dark Knight RisesÉ incrível como o diretor consegue trabalhar bem os seus atores. E fico mais impressionado em sua capacidade de criar grandes vilões. Tom Hardy, através de sua imposição física (vista em Guerreiro) e sua ameaçadora voz (nem preciso dizer para não assistir dublado, certo?), revela um Bane visualmente diferente das HQs. Inteligente, estrategista, inspirador e ousado, foi a escolha perfeita para enfrentar o Batman e nos dar a melhor luta de toda trilogia. A equipe de som acertou em retirar a música da cena para cada golpe ecoar na mente das pessoas por muito tempo. Ainda temos a personagem Miranda Tate, numa triste atuação da Marion Cotillard, não honrando sua bela carreira. Felizmente em volta de tantas demonstrações de como atuar, sua má participação não prejudica o trabalho todo. Principalmente quando temos um Michael Caine em seu melhor momento como Alfred. Sofrendo pelos caminhos que Bruce segue, é responsável por grande parte da carga dramática. Emocionando a cada palavra que é proferida. Bat2A fotografia de Wally Pfister é responsável por um ambiente nada acolhedor, tornando as cores mais frias e escuras conforme os acontecimentos ocorrem. O design de produção de Nathan Crowley e Kevin Kavanaugh é brilhante ao retratar com um realismo assustador uma Gotham morta e sem lei. Hans Zimmer marca o filme com sua inspirada trilha sonora, compondo melodias inesquecíveis para momentos épicos da franquia. As palavras Deshi Basara virarão um hino para os fãs. As cenas de ação estão em outra escala. Não só na questão de serem mais grandiosas e explosivas, mas na especialidade de Nolan: a tensão. Seus problemas com a decupagem das cenas, as deixando confusas em certas partes da ação, não ficam tão relevantes quando se trata de fisgar o público com sua montagem paralela, sendo um dos melhores atualmente nesta técnica. Mostrando vários acontecimentos ao mesmo tempo sem que você possa respirar ou desacelerar seu coração. Um exemplo disso pode ser visto em A OrigemBat6Impossível comparar com Os Vingadores e dizer qual é o melhor, as duas propostas são bem diferentes. Enquanto o filme da Marvel é excelente para esquecer do mundo, o Batman de Nolan é uma experiência única de dramaticidade que nos envolve numa explosão de sentimentos. Uma reflexão sobre nossas verdadeiras máscaras. E podemos dizer que é um filme corajoso por entregar mais do que um simples entretenimento ao público.  Batman não é apenas o melhor filme realizado para um herói de quadrinhos, está entre as  melhores trilogias feitas para o cinema. Graças a ambição das pessoas certas na inovação de um personagem que suplicava para ser revisitado. E através da escuridão das trevas, a lenda ressurgiu. Trailer: The Dark Knight Rises
EUA , 2012 – 164 min.
Ação Direção:
Christopher Nolan Roteiro:
Christopher Nolan, Jonathan Nolan, David Goyer Elenco:
Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine Foda