O ArtistaO cinema pode ser popularmente conhecido por ter seu início nos filmes mudos, evidenciando o fato da tecnologia sonora ainda não ter sido inventada. Isso caracteriza o momento em que as primeiras imagens e ideias cinematográficas eram reproduzidas com efeitos sonoros no momento de suas transmissões.
 
Muitas produções do cinema mudo foram idealizadas e feitas nessa época de poucos recursos, tendo nomes de grandes visionários alçados a eternidade da sétima arte, como George Melies e seus revolucionários filmes, dos quais pode-se destacar A Viagem a Lua, hoje considerado um cult.
 
A tendência muda do cinema pode realçar uma preferência entre não somente produtores e artistas de um momento, como também de muitos outros fãs nas décadas seguintes. Mesmo com a transição para os filmes sonoros, Charles Chaplin, por exemplo, ainda permaneceu um bom tempo fazendo suas produções ao estilo antigo, somente acrescentando alguns efeitos sonoros que poderiam dar algum tipo de intenção cômica durante a produção. E também vale lembrar que no nascimento dessa arte era caracterizado pela tecnologia monocromática. É altamente comum e certo deduzir que um filme mudo seja preto e branco.

 
Data: 22/02/2012 - Cena do filme O Artista - Editoria: Caderno Dois - Foto: Divulgação - Jornal A Gazeta - CULTURA - CinemaA produção francesa/americana O Artista, restaura o padrão básico dessa fase inicial do cinema, para homenagear seus fundadores e ícones. Nela, um artista de sucesso do cinema mudo, George Valentin (Jean Dujardin), conhece o declínio de sua carreira na transição para o cinema falado, ao mesmo tempo em que a carreira de uma jovem, Peppy Miller (Bérénice Bejo), é alçada ao estrelado.
 
Um misto de drama e comédia, que pode ser não somente observado, mas também incorporado em sentimentos através de músicas, compostas por  Ludovic Bource, que retrataram as emoções e aflições de suas personagens. Pode-se aí entender a importância das melodias e dos sons durante o contar de uma história, a fim de envolver, destacar e deixar uma cena exclusiva para a memória do cinema.
 
Esse sentimento de solidariedade e aquela sensação de compaixão mútua que faz o expectador torcer para tudo dar certo, pode estar certamente com suas raízes em seus coadjuvantes, tão bons quanto o protagonista. O diretor de cinema que dá broncas e que no final acaba cedendo aos encantos de seus queridos atores favoritos. A jovem bela que sonha com o sucesso e que por acaso o conhece de uma forma tão pura e apaixonante. O fiel mordomo que se mostra amigo e engraçado mesmo sem expressar nenhum sorriso. E claro, o pequeno cãozinho que cativa qualquer idade com sua inteligência, as vezes maior que de qualquer humano.
 
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Cada fisionomia, cada gesto, cada detalhe no cenário, serve de base para deixar um filme sem falas ainda mais atraente. Talvez por esse fato, O Artista seja recheado de rostos marcantes e expressionistas. A começar pelo galã, que foge ligeiramente dos padrões habituais, e mostra o charme e a paixão de envolver-se com o sucesso, e com pessoas simples de um mundo que pode oferecer muito mais aparência do que conteúdo. E soma-se com sua amada atriz, que expressa felicidade em cada sorriso num rosto contagiante e que demonstra total confiança em seus sentimentos. Tudo isso empacotado dentro da dinâmica rápida que os filmes mudos proporcionam.
 
Todos esses ótimos fatores de uma fórmula só poderiam transformar-se em sucesso graças a direção de Michel Hazanavicius (também responsável pelo roteiro) que mostra a paixão por um trabalho. As sequências mudadas da forma certa e na hora certa. Os ângulos que mesmo restaurando os padrões mudos, conseguem ser precisos para evidenciar a ideia de cada cena. E também, cada detalhe de um filme audacioso como este, apenas demonstra que não existe limites para o sonho, e nem de resgate a antigos padrões. Aponta que não se deve ligar apenas ao que existe no atual, mas ao que pode existir com base no que foi e no que pode ser.
 
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Ao final de tudo, a coisa que mais passa-se despercebida é o fato de ser um filme mudo e preto e branco, padrões estes tão mau rotulados pela nossa inocente juventude de adultos e adolescentes contemporâneos. A imagem é totalmente confortável, sem exageros, e nem precariedade. Os sons, na dose certa. A história pode ir e vir entre as várias nuances que demonstram os que chamam de roda gigante da vida, mas tudo é devidamente recompensado em cada próximo momento.
 
O Artista merece cada prêmio ganho e propõe novas opções e um novo futuro, não ao mesmo formato, mas o questionamento dele. As vezes é necessário resgatar o velho, para obter algo mais novo e original. O destaque que se dá, é apenas uma questão de perspectiva.
 
Trailer:
 

The Artist
França / Bélgica , 2011 – 100 minutos
Romance Direção:
Michel Hazanavicius Roteiro:
Michel Hazanavicius Elenco:
Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller Foda