Hugo Cinema. Uma arte que transformou a fotografia lhe dando a ilusão de movimento, visto hoje nos filmes. Esta técnica de sequência fotográfica começou a gatinhar quando os irmãos Louis e Auguste Lumière construíram o cinematógrafo. Porém, a ambição deles não era muito animadora em relação aquela brilhante invenção. Um homem, um visionário, não aceitou que aquele aparelho apenas servisse para retratar o simples (e chato) cotidiano das pessoas. Percebeu que poderia tornar os sonhos em realidade e, podemos dizer, se os irmãos Lumière inventaram o cinema, Georges Méliès o elevou a status de arte. A Invenção de Hugo Cabret é uma bela e emocionante homenagem ao pai da ficção. Méliès, um famoso mágico francês, viu uma eternidade de possibilidades de contar histórias, não apenas retratar as imagens cotidianas, mas de brincar com elas, usando de uma criatividade na edição e habilidades técnicas para os efeitos especiais. Em Hugo, vocês conhecerão o artista que levou o homem à lua pela primeira vez. E o trouxe de volta. Hugo2Queria muito poder escrever que o filme é perfeito em todos os aspectos, por causa da tamanha paixão que Scorsese entrega ao projeto, além da charmosa direção de arte que nos entrega uma Paris movimentada, fria e com um amor florescendo de seus habitantes. Então, antes de mais nada, quero comentar sobre alguns problemas, falhas que acabam prejudicando um pouco a experiência. Adaptado do livro de Brian Selznick, o roteirista John Logan, junto com a direção de Martin Scorsese, não conseguiram definir um bom ritmo a história. Por ser uma trama voltada ao público infantil em grande parte, cenas que deveriam ser divertidas são praticamente raras no meio de tantos diálogos longos e pausados, tornando o humor um pouco forçado. As pessoas leigas sobre a sétima arte, com certeza irão tirar um cochilo em alguns momentos. Sem deixar de comentar a inclusão de personagens que deveriam dar vida a estação de trem, mas acabam sendo desnecessárias e prejudicando ainda mais o roteiro. Qual a importância de um casal que, para ficar junto, cada um precisa ter um cachorrinho? Era para ser encantador? O tédio prevaleceu. Hugo4O protagonista Hugo (Asa Butterfield), mesmo não empolgando, cumpre bem o seu papel. Depois da morte do pai, uma obsessão cresce dentro do menino para consertar um autômato que provavelmente guarda um grande segredo. Durante a sequência, Hugo é um observador, semelhante a nós na sala de cinema. Tudo que ele faz é apenas acompanhar o desenvolvimento dos outros personagens, deixando um justo espaço para o ator Ben Kingsley brilhar. Interpretando Georges Méliès, somos convidados a conhecer sua história. Deste as primeiras produções como A Viagem à Lua (1902) até o declínio após a Primeira Guerra Mundial. Onde várias de suas obras foram usadas para fazer saltos de sapatos. Uma curta, porém forte crítica de Scorsese sobre a importância de conservação da cultura cinematográfica. Além de Méliès, temos pequenas passagens sobre outros grandes clássicos do cinema (A Chegada do Trem na Estação é a referência mais presente), funcionando como uma linda introdução para iniciantes e curiosos desta arte. Hugo3 Em 2012, Hollywood começa a olhar para o seu passado com mais carinho, diante um futuro incerto lotado de remakes, continuações e adaptações de HQs. Ao lado de O Artista, A Invenção de Hugo Cabret é uma lembrança de uma época de ouro do cinema. Para nos lembrar que através de uma câmera, sonhos são filmados e compartilhados com o mundo. Trailer: Hugo
EUA , 2011 – 126 minutos
Aventura / Drama Direção:
Martin Scorsese Roteiro:
John Logan, Brian Selznick (livro) Elenco:
Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloë Moretz, Sacha Baron Cohen, Helen McCrory, Christopher Lee, Michael Stuhlbarg, Emily Mortimer, Jude Law, Richard Griffiths, Frances de la Tour, Ray Winstone Otimo