Punch2 Havia uma certa curiosidade em volta de Sucker Punch. É o primeiro trabalho de Zack Snyder a partir de uma ideia original. Um namoro de adolescência. Uma libertação de sua insana criatividade num mundo aonde extrapola todos os seus desejos de cineasta e de homem. Em sua filmografia está o remake de “Madrugada dos Mortos”, as adaptações das HQs “300” e “Watchmen”, além de uma belíssima animação adaptada do livro “A Lenda dos Guardiões”. Recentemente foi contratado para dirigir o recomeço da franquia Superman. Apesar dessa agitada curta carreira, não tinha mostrado do que era capaz em algo de sua própria autoria. E como se fosse uma experiência artística, Snyder não teve medo de soltar a imaginação. Nessa experiência somos apresentados a Babydoll (Emily Browning), que depois de perder a mãe, precisa enfrentar seu padrasto para proteger sua irmã da morte. Após uma tentativa em vão, Babydoll é aprisionada num hospício sob vigilância de um enfermeiro corrupto (Oscar Isaac), enquanto espera cinco dias até a chegada do médico (Jon Hamm) para lobotomizá-la. Assim seu padrasto poderá ficar com toda fortuna herdada pelas duas enteadas. E no meio de tanta tragédia e sofrimento ambientados por uma perspectiva sombria, Snyder usa vários níveis de espaço para entregar um sentimento de liberdade a sua protagonista e ao seu público.

Sucker PunchUma forma de fugir da realidade em que está inserida, Babydoll busca em sua mente um mundo aonde é capaz de enfrentar seu pior pesadelo. Um mundo para fazê-la esquecer o inevitável e se sentir em paz por um breve instante. Nessa nova realidade, recria seu plano de fuga transformando a clínica num cabaré. O enfermeiro num cafetão. E suas amigas (pacientes) em dançarinas. Para atingir seu objetivo, precisa encontrar cinco objetos essenciais, sendo que o quinto é um mistério. Tudo contado pelo ponto de vista da paciente Sweet Pea (Abbie Cornish).

O interessante, o que vai agradar grande parte do público de Snyder, é que para cada missão, Babydoll cria novos mundos e enfrenta vilões conforme a dificuldade da situação. Nesses momentos percebemos como o diretor está a vontade para desenvolver belíssimas e empolgantes cenas de ação. Lutas contra samurais, Segunda Guerra Mundial com zumbis, perseguição de um dragão e um tiroteio alucinante contra robôs. Uma verdadeira mistura nerdiana. Punch1Zack Snyder é um mestre quando o assunto é o visual. O cara tem o controle de seus enquadramentos e sabe o que quer mostrar ao público. Seus filmes parecem grandes clipes musicais, estilizados com muita câmera lenta. Nesse caso, eleva essa característica ao máximo. O que pode transformar muitas cenas em puro enfeite de bolo, disfarçando seu gosto ruim. Exagero é a palavra certa para simplificar Sucker Punch. Um exagero bom para sua ação totalmente insana e um exagero ruim para momentos desnecessários que acabam recebendo atenção por um puro capricho do diretor. Até nas batalhas a tensão fica comprometida quando sabemos que o plano no cabaré já foi cumprido e dificilmente acontecerá algo com as garotas naquela fantasia. Mas não se iluda. O verdadeiro perigo é a realidade.  SuckerA curiosidade agora é passado. Snyder aproveitou bem sua oportunidade de extravasar todos seus fetiches e ideias nerds num trabalho onde abusou de sua criatividade sem se preocupar muito com as críticas. Agora deve estar mais tranquilo e controlado para o recomeço do Homem de Aço. Pois neste mundo, não será admitido erros. Sucker Punch
EUA, Canadá , 2011 – 110 min.
Ação / Fantasia / Ficção científica Direção:
Zack Snyder Roteiro:
Zack Snyder, Steve Shibuya Elenco:
Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Jon Hamm, Scott Glenn, Oscar Isaac, Vicky Lambert, Ron Selmour, Danny Bristol, Malcolm Scott Bom photo Bom.png