Cisne Não canso de repetir o quanto admiro o trabalho de Darren Aronofsky. O Lutador é um dos filmes essenciais da minha coleção junto com outros trabalhos desse cineasta genialmente subjetivo. Cisne Negro repete as técnicas do trabalho citado acima em que o diretor, em vários momentos, acompanha sua protagonista com a câmera em seus ombros. Entregando um clima mais pessoal, realizando uma aproximação maior entre a personagem e o público. Pois essa relação será essencial a trama. Com um roteiro escrito por Mark Heyman (repetindo a parceria de O Lutador), Andres Heinz e John J. McLaughlin, nos apresenta uma trama envolvente, tensa e transformadora, perfeita para Natalie Portman mostrar todo o seu potencial como atriz. Além de uma inspirada (como sempre) trilha sonora de Clint Mansell, temos a nossa disposição mais um belo trabalho de Aronofsky. Aumentando assim minha admiração por seu talento.

Cisne1Portman é Nina Sayers, uma bailarina que exige muito de si mesma para chegar a perfeição e sonha em conseguir o principal papel do espetáculo O Lago dos Cisnes de Tchaikovsky. Insegura e sensível, Nina consegue apenas representar Odette, o Cisne Branco. Para ser Odile, o Cisne Negro, ela precisa desenvolver toda uma sensualidade e emoção  que não adquiriu por ser tão infantilizada pela mãe (Barbara Hershey). Ou seja, precisa deixar de ser a doce menina para se tornar uma verdadeira mulher. Tudo começa a se complicar quando Lilly (Mila Kunis), uma nova bailarina, tem todas as características de Odile. Nina a considera uma ameaça para sua carreira, principalmente quando o dono da companhia (Vincent Cassel) não vê resultados em seus esforços e começa a se interessar pelo trabalho de sua rival. Cisne2Nesse mundo do balé, Darren revela ter um ótimo jeito para o suspense psicológico. Mesmo em alguns momentos tendo que usar alguns sustos gratuitos. Nada que prejudique o trabalho que aliás tem momentos bem picantes envolvendo o trio principal. Momentos que anunciam o início da mudança de Nina. Além de mostrar todo o universo da dança, o filme é rico em detalhes que só complementam a excelente transformação de Nina. Seja no figurino das atrizes representando os lados opostos do balé ou nos espelhos que confundem a mente da bailarina. Tudo é feito com o máximo de cuidado para o memorável final. Quem se sentir enganado, deve ter dormido. O filme é bem claro em sua proposta. A intenção não é surpreender e sim revelar. Ao final do espetáculo, ouvindo o som dos aplausos, seja aonde for, nos ringues de luta livre ou nos palcos dos teatros, saiba que Darren Aronofsky continua valendo o ingresso. Black Swan
EUA , 2010 – 108 min.
Suspense Direção:
Darren Aronofsky Roteiro:
Mark Heyman, Andres Heinz, John J. McLaughlin Elenco:
Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder, Benjamin Millepied, Ksenia Solo, Kristina Anapau Otimo