127Horas1Tem certas histórias que parecem ser impossíveis de ganharem vida no cinema, mas para um certo diretor inglês nada é impossível. Danny Boyle sempre quis adaptar o livro do alpinista Aron Ralston, onde ele relata tudo que passou nos cincos dias que ficou preso a uma rocha no canyon em Utah, EUA.  O roteirista Simon Beaufoy disse numa entrevista que era uma ideia bem arriscada para os estúdios. Apostar numa história, nada comercial, de um homem e seus longos minutos angustiantes de sobrevivência. Nessa hora que um Oscar de Melhor Filme para Quem Quer Ser Um Milionário? ajuda a convencer os produtores. Muitos devem se lembrar do filme O Náufrago de Robert Zemeckis, a diferença é a claustrofobia de 127 horas que torna a situação mais tensa. O alpinista se via apenas com seu braço direito preso numa pedra, um pouco de água e uma faca cega que passava a ser tentadora ao decorrer do tempo. Sendo que o tempo foi seu pior inimigo a ser enfrentado.  James2Boyle sabe como ninguém envolver seu público logo num início bem agitado. Mostrando várias imagens de lugares cheios, com uma música bem animada e passagens de cenas bem dinâmicas. Enquanto conhecemos o nosso protagonista se preparando para fugir de toda aquela agitação em busca de aventura e paz. Em pequenas atitudes de Aron (James Franco) podemos perceber sua personalidade ao não atender o telefonema da mãe ou não se preocupar em dizer aonde vai para o amigo. Um egoísmo bobo que diminuiu suas chances de ser resgatado mais cedo. Algo importante notar, será sua paixão em registrar sua aventura através de sua filmadora. Pois esse aparelho se tornará sua grande companhia e um modo de não enlouquecer. Gravando suas confissões e o ajudando manter a esperança. James1Quando lembrei do filme O Náufrago, foi também para lembrar que histórias assim dependem muito de seu ator. Tom Hanks foi indicado ao Oscar de Melhor Ator e aconteceu a mesma coisa com, um dos melhores de sua geração, James Franco. A sua atuação é tão perfeita que te prende como a rocha o prendeu. Você sente toda a angústia, toda a dor e todo o sofrimento que Aron sentiu. Deste o primeiro choque ao ver sua mão esmagada e a inesquecível cena em que dialoga consigo mesmo através de sua câmera, imitando um programa de rádio. Tudo realmente tenso, principalmente no seu clímax, uma experiência forte para quem aguenta ver toda a cena. Há relatos de pessoas que desmaiaram no cinema e confesso que me revirei em vários momentos.  JamesPara quem gosta de uma excelente montagem, o trabalho de Jon Harris é de escalar o Everest. Além da direção de Boyle, Harris é um dos grandes responsáveis em prender o público. Mostrando imagens que iam de alucinações até sonhos, realizando uma ótima sincronia com a tragédia. Destacando as ótimas comparações entre multidões e a solidão. A sede e as lindas propagandas de bebidas.  127 Horas é um profundo mergulho ao grande canyon. Uma segunda chance para Aron Ralston. Um exemplo que não precisa vivencia-lo para se importar sempre com as pessoas que ama. E nunca deixar de desistir quando uma pedra estiver em seu caminho. Não importando a situação. 127 Hours
EUA / Reino Unido , 2010 – 94 minutos
Drama Direção:
Danny Boyle Roteiro:
Danny Boyle, Simon Beaufoy, Aron Ralston (livro) Elenco:
James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Treat Williams, Kate Burton, Clémence Poésy Otimo