1111 “Por que ninguém ainda tentou ser um super-herói?” – indagação feita por Dave Lizewski (Aaron Johnson), é a mesma que muitos nerds já devem ter feito lendo quadrinhos. O ousado diretor Matthew Vaughn (Stardust, Nem Tudo é o que Parece), bancou a ideia da HQ de Mark Millar e elevou a história para outro nível. O nível mais alto da insanidade e estilo que um filme de super-heróis precisa. Se Kick-Ass significa na gíria americana uma grande performance, podemos dizer que Vaughn literalmente arrebentou. Certos tipos de filmes criam uma expectativa muito grande antes de seus lançamentos. Tirando dinheiro do próprio bolso para o projeto, Vaughn demonstrou na Comic Con, um pouco do que estava para sair e deixou os fãs de quadrinhos (ou qualquer um que estive por perto) alucinados para conferir sua possível obra de arte nos cinemas. Depois só foi questão de tempo para encontrar um estúdio para divulgação. 11 Mas será que a propaganda feita na Comic Con se concretizou? Para a felicidade geral, Kick-Ass não ficou devendo em nada. A história de um nerd que decide  com suas boas intenções heróicas combater o crime e se vê envolvido num plano de vingança contra um gangster, é um show de técnica e criatividade quadro a quadro. É como se você lesse uma HQ em movimento. No sentido literário da expressão. As referências da cultura pop estão por todos os lados. A transformação de ídolos pelo Youtube, a preocupação pela quantidade de amigos na sua página virtual, quadrinhos que estão saindo (fazendo uma metalinguagem da própria HQ que baseou o filme) e uma genial cena em que bandidos são mortos em primeira pessoa no melhor estilo Call Of Duty. Tudo para fazer qualquer gamer sorrir de orelha a orelha. Nunca irei esquecer. 1 As referências continuam mais fortes quando o brilhante roteiro faz comparações com a vida de super-heróis como Batman e Homem-Aranha com o de seus personagens no mundo real. E as piadas são um prato cheio para qualquer apaixonado desses ícones de diferentes editoras. Mas a comédia não é a única qualidade, o equilíbrio entre a ação é algo para se tirar a máscara. Cenas de lutas inesquecíveis envolvendo uma politicamente incorreta justiceira: Hit- Girl. Sem Hit-Girl (Chloe Moretz) não existiria Kick Ass. A fofa e fatal menina de 11 anos faz estragos nos vilões que deixariam o Justiceiro morrendo de orgulho. Cada cena em que aparece é um momento único e deve ser apreciado e acompanhado pelas diferentes músicas que dão o clima para as chacinas. Protegida por seu pai, o Big Daddy interpretado por Nicolas Gage que afinal está voltando a realizar ótimos papéis como Vício Frenético, formam uma dupla perfeita. Cage não cansa de declarar seu amor pelos quadrinhos em entrevistas e finalmente conseguiu atuar em um herói de verdade, depois do péssimo filme do Motoqueiro Fantasma. Big Daddy será eterno. Hit-Girl não permitirá que duvidem disso. 111 Vaughn foi ousado não por apenas acreditar no filme, mas por fazê-lo como deveria ter feito. A violência é algo tão necessário na história para nos fazer lembrar que ali não é os quadrinhos e sim a realidade. Como Kick-Ass percebe em sua primeira tentativa de heroismo. Pessoas de carne e osso podem se ferir. Então numa realidade aonde super-heróis existem ou pessoas sem poderes, mas com muitas responsabilidades, buscam encontrar seus caminhos. E não serei louco de dar menos que 10, pois Big Daddy pode rastrear meu IP e me fazer uma visita a noite. E não será para dar um autógrafo. Será para chutar minha bunda. Trailer

Kick-Ass
EUA / Reino Unido, 2010 – 117 minutos
Ação Direção:
Matthew Vaughn Roteiro:
Matthew Vaughn, Jane Goldman, Mark Millar Elenco:
Aaron Johnson, Chloe Moretz, Nicolas Cage, Mark Strong, Christopher Mintz-Plasse, Clark Duke, Evan Peters, Lyndsy Fonseca, Jason Flemyng Nota: 10