Depois de mais de três décadas de carreira fazendo as malas para rodar pelo mundo inteiro conquistando multidões; chega hora em que a sensação de missão cumprida bate à porta, e as bagagens retornam ao seu destino. Contudo, antes de deixar tudo pra trás e partir para já distante vida comum é preciso aproveitar tudo pela última vez. E é isso que os Scorpions faz em sua última turnê com o álbum "Sting In The Tail". Esse albúm enfatiza todos os pontos fortes que a banda sempre teve: inesquecíveis riffs de guitarra, ritmo contagiante e refrões marcantes.

Logo na primeira faixa "Raised on Rock" o título é auto-explicativo, ou seja, já começa afirmando suas origens. A canção tem um clima bastante descontraído. A faixa-título "Sting In The Tail" abusa do peso das guitarras e das vantagens de ser uma estrela do rock através de uma guitarra barata e um bom riff de guitarra. Com guitarras bem distorcidas, melodia e refrão bem marcantes sendo fáceis de assimilar, "Slave Me" é aquela típica música que bandas de hard rock oitentista costumavam fazer sobre uma paixão avassaladora, porém passageira. Dando uma pausa da vida de "rockstar" e na onda festeira das primeiras faixas, "The Good Die Young" retrata uma outra realidade: daqueles que batalham a vida inteira e ainda tem esperança apesar das adversidades. Essa canção tem a participação da belíssima voz de Tarja Turunen (ex-Nightwish) que proporciona uma dramaticidade suave à música com sua voz ao fundo, além de fazer segunda voz no refrão. O peso retoma seu lugar em "No Limit", támbem é uma música de ótimo refrão, cuja letra se resumiaria na frase "o céu é o limite". A faixa "Rock Zone" continua na mesma onda da anterior, com ritmo bem pulsante e um toque de rebeldia.
 
Numa banda de Hard Rock que se preze, não pode faltar uma bela música romântica acompanhadas de violões e guitarras, e lamentações amorosas. Essa música se chama "Lorelei", mais uma balada pra ficar marcada na história da banda que tem um repetório de músicas românticas respeitável. E voltamos à festa roqueira do Scorpions em "Turn you On", dessa vez com uma letra num tom mais sensual. Com guitarras mais distorcidas e ritmo mais cadenciado, porém ainda no clima sensual, "Let’s Rock" é um chamado à continuar curtindo o rock que a banda oferece à você, pode ser uma música bem voltada pro público interagir por conta do refrão cantado em coro. E agora, mais uma paradinha pra lamentar o amor não correspondido: SLY, mais uma belíssima canção que será reservada para minhas "dores-de-cotovelo"- destaque para o solo de guitarra e a interpretação de Klaus Maine. Como eles não são bobos nem nada, eles sabem que passarão, mas seu rock n’ roll não, e isso fica bem claro em "Spirit Of Rock". Continuando no mesmo espírito, mas de maneira nostálgica "The Best Is Yet To Come" é uma canção que se trata de uma reflexão sobre tudo que eles passaram e o quando se sentem felizes por isso, obviamente ótima para fechar um álbum e cantar as glórias de uma brilhante carreira. É o Scorpions preservando suas raízes na história do rock mantendo uma típica sonoridade; com isso sem muitas novidades, porém deixando muito rock n’ roll e músicas de qualidade como herança para os fãs.

Nota: 8