00 Era como se fosse ontem quando resolvi experimentar a sensação de assistir uma série americana. Como não tinha nenhum tipo de assinatura e a Globo iria passar um especial de 2 horas de uma certa série que estava fazendo grande sucesso na terra do Tio Sam, fiquei curioso por esta estréia. Mal sabia que iria começar acompanhar justo uma série que mudaria o jeito das pessoas assistirem seriados. E lá fui eu ser envolvido pelos mistérios de uma ilha e acompanhar essa jornada por benditos 6 anos. Até chegar o momento de deixar a Ilha. Lost surgiu de uma ideia do produtor J.J. Abrams (Star Trek), sendo dirigida por Stephen Williams e Jack Bender (responsável pelos episódios principais) e roteirizada pela dupla Damon Lindelof e Carlton Cuse. Ao mesmo tempo que sua produção custava muitos dólares ao estúdio, via todo o investimento sendo recompensado pelo sucesso (de audiência e monetário) e pela revolução em que se tornou. Lost não era mais uma simples série americana, havia quebrado os limites da televisão e invadido a internet, tornando-se um dos assuntos mais discutidos e premiados no gênero da última década. 0000000 Mas qual a razão de assistir Lost? Será que era por causa dos sobreviventes do voo 815 da Oceanic Airlines ou dos mistérios da Ilha? Mistérios que em cada episódio se tornavam cada vez mais inexplicáveis e prendia os fãs deixando-os loucos de curiosidade. As histórias dos personagens eram comoventes e interessantes, e o mais genial era como essas histórias se envolviam com a Ilha. Com seus mistérios. Ou seja, um completava o outro. Jack, Sawyer, Hurley, Locke, Sayid, Kate, Charlie, Claire, Jin, Sun, Ben, Desmond, Juliet, entre muitos outros, se transformaram nesses anos partes de nossas vidas. Em todos nossos defeitos e virtudes como seres humanos. Com o fim da série, podemos perceber (ou nos enganar) que eles não estavam naquela situação para descobrir e revelar aos fãs (e curiosos) o que diabos era a Ilha, mas em descobrirem o quanto foram capazes de enfrentar seus erros e ajudarem um ao outro à continuar e dar uma segunda chance em seus caminhos. Com a belíssima trilha sonora do oscarizado Michael Giacchino0000 Mas o que realmente está causando muita polêmica são esses mistérios não resolvidos da trama. A Chave do Enigma (como foi vendido a sexta temporada) não foi encontrada e se perdeu na floresta. Alguns foram explicados ao decorrer da série, porém foram surgindo outros, fora aqueles que foram esquecidos. O motor da série, da audiência e do sucesso era a Ilha e não os personagens. E com a ambição dos produtores em encher os bolsos, quando eles perceberam que saíram do controle já estavam perdidos. Assim resolveram encontrar uma resposta encerrando a série. Porém essa resposta veio para os personagens e não para os fãs. Jack encontrou sua paz, nós não encontramos a chave. Esse erro não vai apagar a importância de Lost. Sempre será lembrada por sua complexidade, por envolver e conseguir combinar vários tipos de temas como a filosofia e a ficção cientifica tão perfeitamente. E agradar tanto a gregos e troianos. Sempre será lembrada por sua estrutura narrativa, por intercalar cenas entre a Ilha e o passado dos sobreviventes. Isso quando nós pensávamos que eram flashbacks. Para completar, como esquecer das reviravoltas da trama sempre com seus finais surpreendentes e inesquecíveis? Isso sim é bom relevar. 0 Lost por muitos anos nos fez pensar, discutir e emocionar com histórias muito bem elaboradas. O que seria da série se todos os mistérios fossem resolvidos? E quem disse que não foram? Será que a Ilha realmente nos deixou? Ou será que teremos que voltar para descobrir o que ela está realmente querendo nos dizer? Com tantas perguntas, Lost não seria o que é hoje se não fosse pelo belo e grandioso exercício da reflexão. De permitir, até depois do seu término, várias teorias sobre o que aconteceu na Ilha. E ver que não estamos tão perdidos como seres humanos.