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“Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz”
Giz – Legião Urbana

Em 27 de março de 1960, nasce, no Rio de Janeiro, Renato Manfredini Júnior. Nome herdado do pai e concedido pela mãe Maria do Carmo Manfredini. No mês seguinte, em 21 de abril de 1960, Brasília, a mais nova capital do Brasil, idealizada por Juscelino Kubitschek e desenhada por Oscar Niemeyer, ganha vida.
 
 
Renato Manfredini Júnior, mais conhecido como Juninho, aprendeu inglês morando em Nova Iorque, quando seu pai, funcionário do Banco do Brasil, foi transferido para o Forest Hills. Um dos momentos mais marcantes da sua vida junto com sua irmã Carmen Tereza Manfredini. A temporada fora do país foi sua grande base cultural que iria se desenvolver por toda sua carreira.
 
A família não demorou muito para voltar ao Rio. Devido à insistência de D. Maria do Carmo, eles mudaram da Ilha do Governador para Brasília em 1973 (mais precisamente na Asa Sul), pois ela achava que aquele era um ótimo lugar para criar uma família.
 
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Desde criança, Juninho sempre mostrou seu diferencial, havia o hábito da leitura e escrevia textos que sempre recebiam elogios dos professores. Aos 15 anos, adoece e, embora passe por uma cirurgia, as suas dores só aumentam. A família decide procurar outro médico e descobre que Juninho está com epifisiólise.
 
Sem poder se movimentar, Juninho é obrigado a permanecer em seu quarto por seis meses. Durante esse período, pode-se dizer que sua veia artística se aprimorou. Começou a ler com mais frequência, além de ouvir todas as novidades do exterior. Principalmente, o punk rock do Sex Pistols e The Clash. Passava tardes trocando cds com seus amigos e dedilhando as cordas do violão.
 
Como tempo era o que não faltava, criou uma banda fictícia chamada 42nd Street Band. Liderada por Jeff Beck e Mick Taylor, escrevia as letras das músicas, os shows, as entrevistas (estas ensaiava em frente ao espelho), os álbuns, tudo que poderia escrever sobre a carreira de uma banda. E para mais detalhes, era tudo escrito em um inglês perfeito.
 
“Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz”
Dança – Legião Urbana
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Recuperado da doença e decidamente mergulhado no mundo do punk rock, Renato, antes muito recluso em casa, começa a sair e a trilhar seu caminho para a história da música nacional. Mesmo sendo um dos melhores alunos e até destaque como ator em peças da escola, presta vestibular na UnB, mas não consegue passar (até uma surpresa, mas achou bom não estudar com os boyzinhos). Então, como segunda opção, cursou Jornalismo na Ceub – Centro de Ensino Unificado de Brasília – e começou a ministrar aulas de Inglês.
 
Entre seus amigos, era o único que não recebia mesada, pois trabalhava dando aulas de inglês. Destacava-se pelo seu estilo na faculdade. Calça jeans rasgada, cheia de alfinetes e correntes penduradas. O dia em que formaria a sua primeira banda estava chegando, o aborto mais aclamado entre os jovens estava para nascer.