1 Foda-se! É Rock’n’ Roll. Esta é a mensagem que traz a nova comédia de Richard Curtis (Simplesmente Amor) para os amantes do gênero ou não. E para quem o odeia também. Pois o rock ultrapassa barreiras, destrói tradições e te convida a experimentar uma nova maneira de viver. Ou seja, o rock é muito mais do que um simples estilo musical, é um modo de vida, uma religião sem frescuras, uma cultura, quer dizer, uma contra-cultura de uma sociedade conservadora anestesiada por seus costumes tradicionais e antigos. Com certeza é um dos estilos mais complexos e fantásticos no que podemos estudar sobre música. Sendo sinônimo de diversão em seus primórdios, quando os jovens decidiram contrariar seus pais (os velhos) e viverem uma liberdade, que até aqueles anos 60, era desconhecida. Uma liberdade principalmente da sexualidade e de assuntos que não eram sequer cogitados na época, como palavrões e drogas. Se você acha normal alguém falar um “caralho” nos dias de hoje, seria um crime na Grã-Bretanha onde o filme se passa. Que saco heim?   7 E é na terra da Rainha, dos Beatles, que a popularização do rock teve uma das suas maiores forças: as rádios piratas. Piratas eram como os DJs foram apelidados por transmitirem 24 horas de puro rock, direto de um barco em pleno oceano fora de qualquer jurisdição inglesa. Enquanto a principal rádio oficial do país, a BBC, disponibilizava de sua programação apenas 2 horas da música popular, os piratas viviam todas as horas do dia para levar o rock’n roll para quase a metade da população. Em pleno ano de 1966, a era de ouro das rádios. Basicamente o filme nos mostra o poder do rock em incomodar as pessoas conservadoras, o governo, com toda a sua rebeldia tanto em letras e som. Além da influência na vida das pessoas, sem restringi-las por idade, sexo ou situação financeira. Boa música é para todos. Não importanta se você gosta de algo mais suave ou pesado, no rock pode ser encontrado o som na medida certa ao seus ouvidos. Depois é só aumentar o volume. 5 A frase sexo, drogas e rock´n roll resume bem a rotina da tripulação mais louca e divertida que já vi. Philip Seymour Hoffman como o DJ Conde está incrível, na verdade, o elenco todo merece nota máxima. Você sente que há algo a mais na atuação, parece que estavam revivendo histórias próprias de suas aventuras dos anos 60. Isso vale, obviamente, para os atores mais experientes. Vide Bill Nighy que sai do Holandês Voador para comandar o barco do amor. Mas como todo trabalho que envolve cinema e música, vem a questão se a trilha sonora conseguiu casar com a história? Conseguiu e com muita criatividade. Conforme a situação que o roteiro se desenrolava, as músicas, que vão de Hendrix á Beach Boys, dão o clima que a trama precisa. E com passar de cenas de DJ para outro, muda o ritmo sem perder a perfeita harmonia. Talulah Riley (Marianne) and Nick Frost (Dave) in THE BOAT THAT ROCKED. Hoje temos várias vertentes do rock, pois o estilo recebeu muitas influências no decorrer dos anos. É o gênero que mais permita misturas na sua música sem ficar algo artificial. É óbvio que com o sucesso, não demorou muito para transforma-lo como um produto forte de venda. E surgirem bandas que preferem falar sobre temas irrelevantes do que provocar seus ouvintes. E como em uma das cenas do filme mostra vários discos afundando para o fundo do mar, o rock como foi imaginado esteja indo para o esquecimento e vire apenas algo para encher os cofres das gravadoras. Mas enquanto existirem pessoas, músicos ou não, que acreditam na força do Rock’n’ Roll para mudar sociedades, pensamentos, tradições e fazer história como os corajosos e apaixonados DJs piratas fizeram por nós. 4  Os Piratas do Rock Estrelando:
Philip Seymour Hoffman, Kenneth Branagh, Bill Nighy, January Jones, Gemma Arterton, Emma Thompson, Kenneth Branagh, Nick Frost. Dirigido por:
Richard Curtis Produzido por:
Hilary Bevan Jones, Tim Bevan, Richard Curtis, Eric Fellner Otimo photo Otimo.png