Fantástico. Essa foi a primeira palavra que falei quando o enorme título apareceu nos créditos finais. Por um bom tempo fiquei sem palavras para expressar o que acabará de presenciar naquela sala de cinema. Sem falar a vontade louca de voltar e assistir várias outras vezes. Sempre soube que James Cameron é um visionário. Um cara que gosta de arriscar e acredita de uma forma apaixonada em seus projetos. Se não fosse dessa maneira, teria desistido quando não tinha mais recursos para Exterminador do Futuro e acabou continuando a produção com seu próprio dinheiro. Não teria lutado contra os donos dos estúdios para levarem adiante Titanic, mesmo com o perigo de levar todos a falência, ficaram ricos com a maior bilheteria da história. E não teria dedicado uma década de sua vida para realizar um divisor de águas na área tecnológica da sétima arte. Avatar não é apenas um filme, é um sonho realizado. Uma nova era para o cinema.
 
Posso dizer que fui para Pandora e voltei. James Cameron criou um planeta totalmente original usando como base a Terra. Como se fosse um grande salto na nossa evolução. Um planeta que funciona como um único organismo. Tudo é conectado, tudo faz parte de apenas uma rede num sensacional ecossistema. Os detalhes são impressionantes. Não é a toa que o filme está sendo vendido como uma revolução tecnológica. Os efeitos especiais são algo nunca visto. Meus olhos não conseguiram distinguir o real da ilusão, temos a certeza que Pandora realmente existe. As cenas de ação, principalmente quando nos aproximamos do desfecho, são de tirar o fôlego e estourar seus tímpanos. Você ficará vidrado a cada tiro de metralhadora e flechas sendo lançadas. Devidamente os mais de 300 milhões não foram jogados no lixo e nem das montanhas Aleluia.

Você pode até desconfiar quando um filme é muito elogiado por sua parte técnica (que deve levar todos os Oscars em 2010). E a história? Será que se sustenta apenas pelo visual? O roteiro, que foi escrito durante anos por Cameron, nos traz situações já conhecidas. É uma junção de várias ficções científicas. A paixão de um roteirista pelo gênero. Temos na história o personagem que se infiltra em outro povo (neste caso os Na’vi) e acaba se envolvendo com sua cultura (e com uma nativa), depois decidirá em que lado permanecerá na iminente guerra. O vilão que passará por cima de todos para alcançar seu objetivo. O amor proibido. Entre outros clichês. E isso funciona perfeitamente em Avatar. Gosto de pensar que nessa ocasião o clichê foi reinventado. O modo que a história se desenvolve, nos traz a sensação de estarmos vendo tudo pela primeira vez, a previsibilidade nos conforta. Tenho até raiva daqueles falsos intelectuais que julgam o filme por ser previsível ou não. Confesso que era um deles. É engraçado imaginar que para a história ser boa, não pode agradar ao público. Hoje vejo o que realmente importa é a sustentabilidade do roteiro. E em Pandora não vemos os mais de 160 minutos passarem.

Outro ponto forte é a nova tecnologia que permite os atores saberem como irá ficar suas interpretações digitalmente. Uma pré-visualização de seus personagens. E isso faz uma enorme diferenção na hora de atuar. Algo que se deve bater palmas para o ótimo elenco. Sam Worthington (um dos atores mais requisitados do momento) faz muito bem a transformação do ex-fuzileiro Jack Sully para o guerreiro Na’vi. Além de dois atores que fazem você ficar de boca aberta são Zoë Zaldana como o par romântico de Sam e Sthepen Lang como o coronel Quaritch. Enquanto Zaldana emociona, Lang revelou um vilão memorável. Daqueles para entrar em muitas listas como um dos melhores do cinema. Um soldado que representa todo o imperalismo do exército norte-americano sempre querendo colonizar e destruir um povo apenas para saciar seus objetivos. Essa é apenas uma das criticas existentes no filme. Cameron discursa também sobre a importância ecológica para um planeta, mandando uma mensagem ainda válida para todas as pessoas repensarem suas atitudes ambientais. Porém essa nova obra prima tem algumas discussões a serem analisadas. É um filme feito para o cinema. Principalmente em telas 3D IMAX (a tela equivale um prédio de seis andares). Só assim você poderá desfrutar dessa revolução cinematográfica e assisti-lo na qualidade máxima. Mas como as salas no Brasil são escassas (apenas duas: São Paulo e Curitiba), vá na telona mais próxima de você. É uma experiência para a vida toda. Pois quando chegar nas locadoras, mesmo sendo Blue-ray, perderá muita qualidade. E teremos que esperar TVs com a mesma tecnologia para vermos a belíssima fotografia de Mauro Fiore. James Cameron revelou aos humanos Pandora. Mais uma vez nos encantou com sua visão. E agora o que nos resta é desfrutarmos desse mundo novo e cuidarmos do nosso velho. E que Ewya tenha piedade de nós.

Trailer:
 

Avatar
EUA , 2009 – 162 minutos
Ação / Aventura / Ficção científica Direção:
James Cameron Roteiro:
James Cameron Elenco:
Sam Worthington, Zoe Saldana, Stephen Lang, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi Nota: 10