Começo essa resenha com uma confissão: nunca fui fã de Jornada nas Estrelas. Seja em filmes, séries ou seja o que for. Sempre preferi as idéias do senhor George Lucas e sua mitologia Jedi. Até porque vivi essa época. Porém depois de tanto tempo, mais uma cria nasce para o delírio dos trekkers. E admito, que filho mais bem feito.

Criado originalmente nos anos 60 (muito anos antes de Luke Skywalker nascer) a série se tornou uma verdadeira febre. Uma religião para muitos fãs. Até a base da história recebeu o nome de cânone. Uma bíblia que deve ser respeitada por todos que ousarem se aventurar no espaço. Mas o combustível da USS Enterprise foi acabando e a série entrou em uma decadência até o seu encerramento. E anos-luz adiante, um homem, responsável pelos maiores sucessos do momento, entre eles Lost e Fringe (além de ter dirigido o ótimo Missão Impossível 3), se pôs a frente de um projeto arriscadíssimo e perigoso: renascer a franquia.

O nome desse homem e que igualmente a mim se declarou não fã, atende por J.J. Abrams. E para desenvolver esse tesouro super bem vigiado, contou com a ajuda dos roteiristas mais requisitados atualmente, Roberto Orci e Alex Kurtzman. A dupla milionária que encheu os cofres de estúdios com os sucessos Transformers e Lost. Com esse trio formado, como seria o futuro da série? Realidade Alternativa. Com essas duas palavras e muitas explosões, realizaram um dos melhores filmes do ano.
 

Um roteiro inteligentíssimo e bem elaborado, uma direção competente, um elenco afiado, Star Trek (a renovação atingiu até o título) surpreendeu muita gente. E fez muito trekker sorrir de orelha a orelha. Havia o cânone, porém eles não se prenderam a isso. As regras estão ali mais como uma homenagem do que uma obrigação. Com a idéia de outras realidades posta na mesa, Roberto e Alex abriram um leque enorme de opções, ressuscitando de vez a franquia. Tudo é válido, sempre dentro de um consenso já pré-estabelecido. É como se um carro desgastado fosse reformado e entregue ao um novo dono. A USS Enterprise está mais forte do que nunca. E as emoções também. Todos os personagens antigos estão em seus novos corpos, ou seja, em seus novos atores. Todos muito bem interpretados, cada um com sua parcela de importância e desenvolvimento na história. Chris Pine encarna brilhantemente o capitão James T. Kirk, sendo o primeiro trabalho de expressão em sua promissora carreira. Mas o destaque fica mesmo com a dobradinha dos atores Leonard Nimoy e Zachary Quinto ambos interpretando o Sr. Spock. O primeiro é uma última homenagem a série clássica e o segundo é o começo de uma nova aventura. A semelhança é absurda.
Antes de encerrar, queria parabenizar o compositor Michael Giacchino pela empolgante e sensacional trilha sonora. Soube perfeitamente com a sua música criar cenas épicas em um blockbuster. E corrigindo o que escrevi no ínicio do texto, nunca fui fã da série antiga, agora sou um trekker dessa série nova. Trailer:

Star Trek
EUA , 2009 – 126
Ação / Aventura / Ficção científica Direção:
J.J. Abrams Roteiro:
Roberto Orci, Alex Kurtzman Elenco:
Chris Pine, Zachary Quinto, Simon Pegg, Eric Bana, Karl Urban, Dr. Leonard ‘Bones’ McCoy, Amanda Grayson, Zoe Saldana Nota: 10