2009. O ano do encerramento do meu curso de Jornalismo. Um ano que foi aprovado a não obrigatoriedade do diploma para exercer a função. Um ano que para ser jornalista precisa apenas ter uma boa escrita e a curiosidade pela informação estar a flor da pele.

O que não falta é informação. Seja ela radiofônica, impressa, televisiva ou virtual. Porém, você realmente acredita cegamente em tudo que se ouve e vê? Nesses quatro anos, aprendi toda a parte técnica para ser um bom profissional. Aprendi também que atrás de uma notícia há um autor com uma opinião. E atrás desse autor há um dono com interesses. Então tudo, absolutamente tudo e sem nenhuma exceção, qualquer tipo de texto jornalístico terá algum interesse (até o meu), uma posição política ou ideológica. Você sempre será direcionado para a visão do poder maior. E se há poder, há dinheiro.

Os jornais impressos passam por um crise inevitável com a chegada da Internet. O que adianta comprar um jornal impresso se eu posso ler a notícia online? Qual o preço da notícia? É a pergunta que mais se ouve ultimamente. E essa guerra entre o velho e o novo jornalismo que o filme de Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia) aborda. Inspirada numa série da BBC, "Intrigas do Estado" é um dos melhores suspenses do ano. E uma aula do bom jornalismo.

Uma trama bem amarrada que vai deixá-lo sem piscar até seu desfecho. O suspense jornalístico nos conta a história de dois assassinatos totalmente desconectados em suas situações. E num deles, envolve o deputado Stephen Collins (Ben Affleck) que está no meio de um processo contra uma gigante armamentista. E em seguida, somos apresentados a dois personagens que representam os lados do embate. Cal McAffrey (Russell Crowe) e Della Frye (Rachel McAdams). O primeiro representa o impresso, o aprofundamento da notícia, a busca da verdade consolidada e baseada em provas concisas. Matérias que demoram um tempo por causa de sua investigação e custam caro ao jornal. Ou seja, o conhecido jornalismo investigativo. Enquanto Della, representa o dinheiro, o sensacionalismo. O tão conhecido furo de reportagem. Blogueira, não espera saber muito sobre o assunto e imediatamente põem notícias no blog. Até que a mentira sendo postada mil vezes se torna verdade. Um exemplo recente da velocidade da informação foi na morte de Michael Jackson, sem ninguém esperar, um site deu o veredicto. E milhões de pessoas já estavam se lamentando nas redes sociais da vida.

O filme deixa bem claro o lado que apóia. E eu aprovo. Não adianta querer ser o primeiro a contar alguma história se não ter certeza de que está correta. As pessoas precisam saber o máximo possível da verdade (o que infelizmente não acontece), pois as falsas argumentações podem gerar o caos. Mas não nos esquecemos dos interesses, um dos pontos altos do enredo. Será que Carl ajudaria o deputado no caso se ele não fosse seu amigo? Se os donos dos jornais se preocupam com o financeiro acima de tudo, os jornalistas se apegam as suas crenças, verdades, virtudes, éticas… Definitivamente nada é imparcial.

Enquanto tivermos jornalistas com diploma ou não que buscam a verdade em primeiro lugar, não precisaremos nos preocupar com as milhares de notícias mortas que surgem a cada minuto na rede. Só devemos fazer bom uso delas. E não nomeá-las a base de nosso conhecimento. E quem sabe deixarmos de enrolar peixe com o jornal e mudarmos nossa visão dos fatos como Della mudou.
Intrigas de Estado (State of Play)
EUA, 2009 – 127 min – Policial / Suspense / Drama
Direção: Kevin Macdonald
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Tony Gilroy, Billy Ray
Elenco: Russell Crowe, Ben Affleck, Rachel McAdams, Robin Wright Penn, Jason Bateman, Helen Mirren, Jeff Daniels, Josh Mostel, Michael Weston, Barry Shabaka Henley, Viola Davis

Nota: 9