Lançado semana passada (dia 4), "Need to Believe" do Gotthard foi inspirado na crise econômica mundial. Desde a capa (a imagem que está mais abaixo de uma mão segurando uma pedra que jorra água) até as letras, o mais recente trabalho da banda suíça mostra o otimismo e a preocupação deles com os problemas sociais. Mas iremos focar essa discussão na sonoridade, pois a conversa aqui é sobre música, mais precisamente falando: rock n’ roll! E é exatamente o que transborda do 13º álbum da banda suíça.

É incrível como eles mostram que se pode dar um ar mais moderno ao som sem perder a essência e acabar produzindo um álbum que se iguala em qualidade aos mais antigos superando alguns dos mais recentes. É um fenômeno incomum, pois quando uma banda começa a fazer sucesso com um determinado álbum, esse se torna a referência principal em qualidade de música, principalmente para os fãs. Contudo, "Need to Believe" dá a oportunidade de se tornar uma nova referência. Voltando a questão da inspiração para esse álbum, pode até ter sido a crise econômica, mas convenhamos que o rock tá numa crise sem precedentes. Bandas cada vez mais vazias de qualidade e personalidade: e o Gotthard vem dar uma aula de revisão sobre o que é fazer rock n’ roll. Neste novo álbum, existem tanto nuances do hard rock mais moderno, quanto do rock arena celebrado pelo Led Zeppelin e principalmente o hard rock tipicamente oitentista. Sendo assim, começarei a tecer comentários faixa a faixa:
 

Shangri-la – através de sonoridades levemente orientais o álbum começa transportando você para o lugar ideal (Shangri-la), pelo menos para os budistas, porém para o Gotthard, esse lugar também é regrado à rock, pois depois de alguns segundos a canção dar o ar da graça. Apesar do trocadilho, essa é uma das mensagens otimistas diretamente ligada à questão inspirada pela crise.

Unspoken Words – som tipicamente oitentista. Em alguns momentos com uma mescla interessante de baixo e teclado. Música agitada e de peso.

Need to Believe – faixa-título. O peso e velocidade diminuem, abrindo espaço para uma mensagem de esperança. A letra também critica a atitude de algumas pessoas que ficam passivas em meio aos problemas que enfrentamos, e apela para a comoção quando fala na falta de esperança nos olhos de uma criança e na mãe que pede por misericórdia.

Uncondional Faith – clima "folk" acompanhado por banjos dão um ar bem agradável e despretencioso à canção. A letra é cheia de metáforas e fala na libertação total da mente.

I Don’t Mind – se você estiver afim de ouvir uma música tipicamente mal-encarada e de atitude, ou seja, rock ‘n roll é a melhor escolha. Música com sonoridade muito parecida com a do AC/DC.

Don’t let me Down e Tears to Cry – só agitação e riffs de guitarras pesados não bastam para se fazer um álbum hard rock. Baladas românticas introduzidas por violões e confissões apaixonadas são marcas registradas.
 
Break Away – peso do riff de guitarra com a leveza melódica de uma cantiga.

Right from Wrong e Rebel Soul – falando do peso das guitarras: me parece algo marcante neste novo álbum do Gotthard, especialmente nessas faixas onde tal peso se confunde com o Heavy Metal. Porém, no Right From Wrong, com o famoso "hey, hey!" que com certeza eles deixarão para galera durante os shows.

I Know, You Know – na introdução, quando Steve Lee começa a cantar, tem até um leve efeito de eco como se tivesse cantando ao vivo numa arena, como se fosse Stairway to Heaven do Led Zeppelin, mas só na parte inicial da música é claro, pois "I Know, You Know" é uma música de pegada bem agitada.

Ain’t enough – guitarras distorcidas e bumbos nervosos com sombras metaleiras, ótima faixa para se encerrar um álbum, mas não para se desperdiçar colocando-a como faixa bônus.
 
Nota: 10