O estúdio Platinum Dunes foi criado em 2001 pelo diretor e produtor Michael Bay. Especializado em filmes de terror, principalmente remakes, o novo estúdio estreou em 2003 com o ótimo "O Massacre da Serra Elétrica", dirigido por um estreante alemão Marcus Nispel. Quando assisti esse filme vi que o diretor tinha futuro e que o gênero voltaria a ser o que era nos 80: violento e despreocupado com a censura.

Portanto tem um personagem, prefiro retratá-lo como um ícone, que marcou muito os filmes-de-maníaco, porém as suas últimas aparições não foram nada dignas de sua importância, foram no mínimo vergonhosas. Então um tal estúdio contratou um tal diretor para refazer um tal filme de terror que mata uns tais jovens num tal acampamento perto de um tal lago. E essa volta foi em grande estilo. Jason Voorhees volta mais mortal, mais rápido e mais inteligente para assombrar sua Sexta-Feira 13.

Quando assisti Freddy versus Jason, foi uma grande decepção. Os dois maiores mitos do terror não mereciam algo tão chato e fraco. E é engraçado como a vida da voltas, os mesmos roteiristas agora escreveram a nova matança do demônio de Cristal Lake. Damian Shannon e Mark Swift não fizeram um remake, nem um prelúdio. É um recomeço e um agrado para os fãs que não viam algo bom há muito tempo. Todos os conceitos e regras de um filme-de-maníaco estão ali, até o negro que pensa ser ofendido a todo momento por seus "amigos" bonitos, cheios de vida, bêbados e prestes a morrer. Vendo por esse lado, pode se pensar que é mais um terror que as vítimas não tem a menor chance de escapar com vida. Na verdade é. Porém o seu diferencial é a surpresa. Você tem a certeza de quem vai morrer, porém não sabe como e nem quando isso vai acontecer. E quando menos esperar, seus olhos já estarão vidrados na tela, seu coração batendo forte e uma torcida incontrolável para que o personagem consiga sobreviver. Ou não.

Não se preocupe se você não for fã da série e assistir com medo de não entender nada. A história inicia depois dos eventos do primeiro filme quando a mãe de Jason mata todos os monitores do acampamento, culpando-os pela morte de seu filho. Há uma introdução rápida sobre isso nos créditos iniciais. E logo depois já veremos cinco jovens entrando nos domínios de Cristal Lake e uma sequência de tirar o fôlego para fisgar e empolgar qualquer um. Neste momento, já se tem a ideia que Jason realmente voltou. E de uma maneira diferente da série tradicional. Antes era estranho e impossível quando a vítima corria, tropeçava, parava, voltava a correr e quando aparecia o assassino perseguindo, estava apenas andando e ainda assim conseguia chegar na frente e matar com seu clássico facão. Agora não, Jason é mais um caçador do que um moribundo andante. Ele corre, usa armadilhas, aproveita de túneis subterrâneos como atalhos e, pode acreditar, resta sentimentos em seu coração macabro. Na segunda parte da história, temos Clay (Jared Padalecki, o Sam de Sobrenatural) que está a procura de sua irmã perdida e um grupo de jovens indo para a casa de campo beber e se divertir. É claro que você já sabem aonde é o lugar. Marcus Nispel tem uma maneira de filmar competente para esse gênero. Consegue manter a tensão até o último momento até a aparição do gigante com a máscara de hóquei. Sempre variando entre tons claros e escuros. E um ótimo equilíbrio entre momentos de humor e de sofrimento. E principalmente no ponto forte da série, além do sexo que aparece com força total, Nispel mostra um ótimo tempo e criatividade em dar um fim aos personagens. Chega um momento, que você não sabe mais quantos Jason matou e só que saber quantos mais vai matar. Não são poucos, e após o filme terminar, conte o número de mortes. Um velho e conhecido número irá aparecer. Enfim, Jason Voorhees está renovado. Com seu velho facão e características novas, Cristal Lake volta a ser temida outra vez.

Sexta-Feira 13 – EUA, 2009 – 97 min – Terror
Direção: Marcus Nispel
Roteiro: Damian Shannon, Mark Swift, Mark Wheaton
Elenco: Jared Padalecki, Danielle Panabaker, Amanda Righetti, Travis Van Winkle, Aaron Yoo, Derek Mears, Jonathan Sadowski, Julianna Guill, Ben Feldman, Willa Ford

Nota: 8