A fantasia acabou em Harry Potter. Nos dois primeiros filmes ficavámos encantados com toda aquela magia que era mais um artifício do que algo relevante para as histórias. Já no terceiro, podemos notar que rumo a série iria trilhar. Um caminho cada vez mais sombrio e difícil para o bruxo mais famoso de todos os tempos. E em Harry Potter e o Enigma do Príncipe temos o filme mais sombrio, mais dramático e o mais distante daquela época em que a única coisa perigosa era uma cobra gigante e aranhas saltitantes.

Quando estava na sala do cinema esperando o filme começar, reparei que não parava de entrar crianças entre a faixa de 9 a 14 anos. Então pensei comigo mesmo: "Mas será que a série ainda é infantil?". Longe disso, Ordem da Fênix pode ser considerado um ótimo drama com algumas pitadas de aventura. E o diretor David Yates repete a fórmula em seu segundo trabalho com o bruxo. Com muito mais sangue, nuvens negras, acontecimentos macabros, e não fosse o alívio cômico de Ronnie Wesley com sua nova namorada beijoqueira, saíriamos do cinema como se tivéssemos levado um beijo dos Dementadores: sem felicidade nenhuma.
O sexto episódio pode ser considerado o começo do fim de uma trilogia (pois o sétimo será dividido em dois). Ele notavelmente prepara o terreno para os últimos momentos finais. O roteirista Steve Kloves (ausente apenas no quinto filme) não se preocupou muito em explicar muitos detalhes da trama, pois a maioria daqueles que acompanham, previamente devem ter lido o livro. E a está altura do campeonato ficaria até maçante repetir alguns conceitos do mundo da magia. Além disso, alguns fatos só serão explicados na sétima aventura. Então seguindo esse racíocinio, Steve e Yates preferiram desenvolver mais as mudanças de personalidades do trio. Principalmente nas questões amorosas, e cada um dos personagens já começa perceber e conhecer o amor. Ronnie (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) começam a reconhecer, mesmo que internamente, que se sentem algo muito mais que uma forte amizade e isso os levam a situações constrangedoras e cômicas. E na parte da aventura, o Quadribol volta para encantar mais uma vez os amantes do esporte e David cria uma cena que não há no livro. Para mim, um pouco desnecessária, porém serve para dar mais dinâmica a história, que é bem densa, e agradar as crianças que foram assistir o bruxinho de 16 anos. Afinal, e o Príncipe? O motor da história é o príncipe mestiço que Harry (Daniel Radcliffe) usa um livro velho de poções que pertenceu ao misterioso personagem e começa a se destacar com o professor Horácio Slughorn (Jim Broadbent) e com essa aproximação tenta dar continuidade ao plano de Dumbledore (Michael Gambon) de colher a pista mais importante para finalmente descobrir como derrotar Voldemort (Ralph Fiennes). Porém, Harry, obsecado com as dicas que o Príncipe escreveu no livro, não desconfia que pode estar indo por um caminho diferente do que queriam para ele. Principalmente quando tem a certeza que Draco Malfoy (Tom Felton) está planejando algo dentro de Hogwarts. Algo que irá virar a série de cabeça para baixo. Na parte cênica, os atores estão muitos melhores o que já era de esperar com o tempo. Draco Malfoy tem sua participação mais importante até agora e junto com Harry, participa de um dos duelos mais empolgantes dos mais de 150 minutos de duração que não se vê passar em momento algum. Quando acabou, fiquei e estou ancioso em assistir os dois últimos filmes. Que novamente serão dirigidos por David Yates, e que tem meu apoio total. Pois nessa fase mais adulta (mesmo sendo adolescentes), ele conseguiu captar e nos mostrar uma nova maneira de acompanhar Harry Potter. Uma maneira séria e menos fantasiosa. E sem falar que nesse novo filme, a sua criatividade para enquadramentos beira a perfeição. Terminando os elogios, destaque para as cenas que revelam os pensamentos do Lord Voldemort. Objetivos e claros, com uma camada verde que lembra a cor da casa Sonserina e o feitiço da morte Avada Kedavra. Que nos últimos filmes está sendo definitiva para ações dos próximos. Você pode ler ou ouvir alguns comentários que o filme é apressado e muito simples. Realmente é. Isso deve desagradar alguns fãs, mas devemos pensar que é uma adaptação e é ímpossivel colocar tudo que tem no livro em 2h30. Mesmo assim, o sexto filme, para um entendimento completo, precisa ter lido o livro. Ou conhecimento pleno dos acontecimentos. Em algumas horas, você tem que lembrar de respirar, pois a cada cena, algo novo está acontecendo e não te dá a oportunidade de pensar. Até por causa da edição rápida, com cenas pequenas que poderiam ser excluídas por não acrescentar nada a sequência. E o tão esperado final, com certeza um dos marcos mais importantes da série, é tão simples que alguns devem ter dito: "Só isso?". O clímax exagerado dos primeiros filmes cairia muito bem nessa hora. Porém como eu escrevi no começo dessa resenha, Harry Potter e o Enigma do Príncipe prepara o terreno e começa a nos mostrar o que teremos para o último filme. O adeus tão iminente já começou. E até lá estaremos e acompanharemos Harry, Ronnie e Hermione contra o Lorde das Trevas Voldemort. Enquanto isso, erguerei minha varinha para o céu negro em busca de um raio luminoso de esperança. Trailer:

Harry Potter and the Half-Blood Prince
Reino Unido / Inglaterra , 2009 – 0
Ação / Aventura / Fantasia Direção:
David Yates Roteiro:
Steve Kloves Elenco:
Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Tom Felton Nota: 9