O rock no Brasil, nos anos 80, tem o mesmo peso que os anos 60 e 70 tiveram para os EUA e Inglaterra. Digamos que foi o auge, a explosão de um novo estilo, a conscientização de uma sociedade. E Titãs é uma das bandas mais importantes desse tempo que deixa saudade, no quesito música.

 

Pós-acústico, a banda parecia perdida em que rumo tomar num novo século que estava começando. E lá foram álbuns como “Volume Dois” e “As 10 Mais”. Projetos que serviram para revisitar sucessos antigos e fazer a banda decidir qual seria o próximo passo. Depois a banda voltou com a força total em “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana” e o subestimado “Como estão vocês?” que não conseguiu um grande destaque entre os fãs. E com alguns cds ao vivo, um deles com parceria do Paralamas do Sucesso. A banda, em seu novo trabalho, inova e pode até assustar com a inovação.

 

Foi essa a reação quando ouvi a primeira vez “Sacos Plásticos”. Ouvindo um pouco de cada faixa me perguntei: o que é isso? Esse espanto se deve mais pela influência eletrônica nas músicas. Principalmente nas faixas “Sacos Plásticos” e “Múmias”. A primeira segue bem o estilo crítico da banda com uma letra objetiva e criativa que pode ser atribuída também a música “Amor por dinheiro” (ótima sacada da banda) que abre muito bem o álbum. A segunda é uma daquelas canções loucas que só a Titãs pode fazer, ótima para ouvir entre amigos numa festa.

 

Na verdade estamos ouvindo Titãs com uma roupagem mais nova, andando num caminho mais pop da estrada musical. Porém o álbum é uma mistura de vários temperos que vai do reggae até o hard rock. E com grande competência. O lado mais pesado é representado por “Deixa Eu Entrar” com a participação do guitarrista Andreas Kisser, o refrão irá te fazer cantar junto mesmo na primeira audição. E ainda temos “Agora eu vou sonhar”, “A Estrada” e “Problema” para completar o lado mais rock and roll das 14 faixas.

 

Ainda temos algumas mais agitadas, porém com um toque mais pop e agradável aos ouvidos do grande público como “Quanto Tempo” (um som bem relax) e “Não Espere Perfeição” que pode ser considerada uma resposta à aqueles que acham que uma banda tem que ser perfeita. E não poderia faltar as baladas. “Quem Vai Salvar Você do Mundo” diria que é a mais fraca perto de uma belíssima “Deixa eu Sangrar” que com certeza faz seu coração sangrar só de ouvi-la. Se você estiver com o coração partido, é uma pedida para chorar.

 

“Porque eu Sei que é Amor” e “Nem mais uma Palavra” são interessantes, porém apenas seguram a onda para as outras. Destaque mesmo vai para o primeiro single do álbum: “Antes de Você”. Com uma ótima levada, uma letra linda e um refrão contagiante, o quinteto faz um dos seus singles mais pop. A música chiclete se preferir. Mas de boa qualidade.

 

“Sacos Plásticos” ao mesmo tempo que inova, resgata algumas características dos anos 80 que fizeram a banda ser o que é para o Brock, mais instrumentalmente do que na composição. Pode até não fazer sucesso como outros trabalhos, mas não deixa de ser interessante. E não é descartável como tanta inutilidade que ouvimos nas rádios e nos programas de domingo.

 

 

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