Apesar de ter sido lançado em outubro do ano passado, o álbum Perfect Symmetry da banda Keane rende boas discussões entre fãs brasileiros até hoje. Alguns se recusam a assistir a passagem do trio britânico pelo Brasil, pois acham o Perfect Symmetry muito diferente dos dois trabalhos anteriores da banda (Hopes and Fears e Under The Iron Sea). Outros fãs confirmam presença e não parecem sentir tanta diferença assim.

 

Eu concordo com aqueles que não se deixaram levar pela música Spiralling com arranjos quem lembram a cena “new wave” dos anos 80 como Duran Duran, porém com um toque mais contemporâneo, além do acréscimo de guitarra e baixo ao som da banda não só nessa faixa como em todo álbum. Já na segunda faixa The Lovers Are Losing, percebe-se que a melancolia usual está firme e forte. Better Than This causa certa estranheza por sua sonoridade soar cômica e pela letra ser um pouco confusa. You Haven’t Told Me Anything também reflete certas influências do pop oitentista, por outro lado, com menos intensidade.

 

Efetivamente a melhor faixa do Perfect Symmetry é justamente a faixa-título. A música tem um refrão empolgante e letra que trás críticas quanto a nossa falta de postura em relação ao que ocorre em nosso planeta. Um detalhe interessante é que parece que há uma parte feita para os fãs participarem da música, pois há um trecho em que só cantam o Tim (tecladista) e Richard (baterista) fazendo backing vocais como se fosse um coral. Digo isso porque vou ao show, e é exatamente isso que imagino quando ouço essa parte!

 

 

 

Se tiveram músicas que me chamaram atenção, estas foram You Don’t See Me e Playing Along. Não só pelas músicas em si – que são baladas muito bem feitas – , mas sim pela forte semelhança com o U2, além da bela interpretação do vocalista Tom Chaplin. Falando nisso, essas músicas também me chamaram atenção para a superação do próprio. Antes do Perfect Symmetry, Tom se internou numa clínica de recuperação para livrar do vício em álcool e cocaína, e depois de tudo isso, é audível a melhora em sua performance vocal. As faixas restantes como Again & Again e Pretend That You’re Alone são músicas com um astral mais elevado e um toque melancólico que é o estilo Keane de fazer música quando se trata de canções com esse clima, principalmente em Pretend That You’re Alone em que a novidade são sons de saxofone e uma letra divertida. Para finalizar, temos Black Burning Heart e Love Is The End. Não há muito o que ser dito dessas músicas, mesmo assim há muito que ser ouvidas, pois são músicas encantadoras que não deixam a desejar para nenhuma outra balada dos trabalhos anteriores do Keane. Pelo contrário, poderiam até fazer parte desses, isso porque são músicas que se encaixam tipicamente ao estilo dos álbuns antecessores.

 

Com isso, pode-se perceber que neste novo álbum da banda Keane têm elementos novos em termos de sonoridade e, no máximo, 3 faixas que possuam mudanças que poderíamos chamar de radical, mas que ao mesmo tempo são divertidas e não deixam de ter qualidade. Entretanto, o que marca de fato este novo trabalho do trio britânico são os arranjos mais criativos e a intepretação mais ativa e forte do vocal Tom Chaplin. De resto nada muda: baladas belíssimas e melancólicas, e letras de alta qualidade.

 

Tracklist:

 

1. Spiralling
2. The Lovers Are Losing
3. Better Than This
4. You Haven’t Told Me Anything
5. Perfect Symmetry
6. You Don’t See Me
7. Again and Again
8. Playing Along
9. Pretend That You’re Alone
10. Black Burning Heart
11. Love Is the End

 

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