Não faz muito tempo, andei acompanhando as noticias sobre o novo album da banda irlandesa. Que eles viajaram pelo mundo em busca de novas inspirações; que seria um trabalho inovador, diferente de tudo feito até agora; que o rock não seria mais o mesmo, seria um divisor de água, entre outras coisas. E quando surgiu o primeiro single “Get On Your Boots”, estranhei muito, levei um pequeno susto. Uma música cheio de efeitos eletrônicos, com uma guitarra disfarçadamente pesada e um ritmo que lembra outras músicas de sucesso da banda. Porém fiquei cantarolano Let me in the sound durante semanas. E esse é o efeito do 12º album do U2: você estranha no começo, mas depois você não consegue esquecê-lo.

 

“No Line On The Horizon” é uma daquelas faixa-titulo que já dizem tudo. Já nos dá uma boa amostra do que virá nos próximos minutos: uma passagem para além do horizonte. E até agora não consegui tirá-la da cabeça como tantas outras. Não espere muito rock neste cd (e não espere mesmo), “Magnificent” mostra o porquê. Muitos fãs já a consideram um clássico, e eu já penso que não é pra tanto. Ela é bem calma e envolvente, porém se você não tiver paciênica e não curtir muito a banda, vai querer pular. “Moment Of Surrender”, que é ainda tão boa que a antecessora, mostra um Bono melhor do que nunca. E quando você menos perceber, estará cantando junto com ele no refrão.

 

Cinco Anos sem nenhum trabalho oficial, cinco anos sem ouvir a guitarra de The Edge. A espera valeu a pena, e quando ouvi “Unknown Caller” foi uma tremenda satisfação. É um dos momentos mágicos do album, The Edge estava inspiradíssimo quando a compôs. Simplesmente perfeita. Refrão, acordes, solo, letra, sem mais comentários. Quer dizer, só mais um: fantástica. “I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight” mantem o padrão forte, segue na boa média das músicas, apenas isso. Para quem não estava aguentando tanta calmaria, temos “Stand Up Comedy” para levantar um pouco o ânimo do ouvinte e tirá-lo um pouco da reflexão de Bono Vox.

 

Com uma introdução bem criativa, somos apresentados a “FEZ-Being Born”. Sinceramente, aqui começa a lista das músicas desinteressantes. Aqui a banda já começa a me perder, querendo ouvir outra coisa. E ouço. Só para não dormir em “White As Snow”. Os irlandeses poderiam e podem fazer algo melhor. “Breathe” é um respiro, depois de duas faixas sem, digamos, muita graça. E, já no final, será que teremos mais alguma surpresa? Não tenho tanta certeza se irá agradar a maioria das pessoas ou até os fãs, mas “Cedars Of Lebanon” é uma música que não se ouve todo dia.

 

No Line On The Horizon é o tipo de cd que se demora para acostumar e poderá crescer depois de um tempo. Muita conversa que o envolveu é, mais do que nada, puro marketing. Mas não posso deixar de passar algo muito importante: U2 prova mais uma vez, depois de tantos anos na estrada, que pode ir além do que possa imaginar e surpreender. E que o horizonte não signifique limites, pois não há limite para a música.

 

Tracklist:

 

1. No Line On The Horizon
2. Magnificent
3. Moment Of Surrender
4. Unknown Caller
5. I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight
6. Get On Your Boots
7. Stand Up Comedy
8. Fez Being Born
9. White As Snow
10. Breathe
11. Cedars Of Lebanon

 

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